
O dólar registrou queda moderada nesta sexta-feira (9) no mercado brasileiro, destoando do comportamento predominante da moeda americana no exterior. Mesmo com o fortalecimento global do dólar, o real encontrou suporte no avanço de quase 2% nos preços do petróleo e na leitura de que o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos deve ser mantido no curto prazo, após a divulgação do payroll americano e do IPCA de dezembro.
Ao longo do pregão, o dólar à vista chegou à mínima de R$ 5,3529, no início da tarde, e encerrou o dia em queda de 0,43%, cotado a R$ 5,3658. Com o resultado, a moeda acumulou perda de 1,10% na semana e já recua 2,24% em janeiro, depois de ter avançado 2,89% em dezembro. No acumulado de 2025, o dólar apresenta desvalorização de 11,18% frente ao real.
Apesar da queda recente, o gestor de fundos multimercados da AZ Quest, Eduardo Aun, observa que o real ainda teve desempenho inferior ao de outras divisas emergentes nos últimos meses, como os pesos mexicano, colombiano e chileno, além do rand sul-africano. Segundo ele, essa diferença surgiu após o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, no início de dezembro.
“Foi colocado um prêmio de risco nos ativos brasileiros em relação ao cenário eleitoral. O real devolveu parte dessa piora e está praticamente no meio do caminho para recuperar o nível anterior ao chamado ‘Flávio Day’”, afirma Aun. Ele ressalta que o ambiente externo segue favorável às moedas emergentes, impulsionado pela forte valorização do yuan, mesmo com o dólar avançando frente a moedas fortes.
No cenário doméstico, o IBGE informou pela manhã que o IPCA subiu 0,33% em dezembro, resultado em linha com as expectativas do mercado e o mais baixo para o mês desde 2018. Com isso, a inflação oficial encerrou 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta. A composição do índice, no entanto, mostrou pressões no setor de serviços, o que reduziu as apostas em um corte imediato da taxa Selic.
Para Aun, o Banco Central deve iniciar o ciclo de cortes de juros apenas em março. Ele avalia que, diante da credibilidade da autoridade monetária, uma eventual redução não deve gerar pressão negativa sobre o câmbio. “O BC tem sido bastante conservador. Um corte bem sinalizado tende a ser positivo para a moeda”, afirma. O gestor aponta que os principais riscos para o real seguem sendo o cenário externo e, sobretudo, as incertezas fiscais, que devem ganhar peso à medida que a eleição presidencial se aproxima.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, voltou a operar acima dos 99 pontos, alcançando máxima de 99,264 pontos. O iene caiu mais de 0,60%, em meio a rumores sobre a possibilidade de dissolução da Câmara Baixa do Japão pela primeira-ministra Sanae Takaichi. O Dollar Index acumula alta de 0,70% na semana e 0,85% no mês.
O relatório de emprego dos EUA mostrou a criação de 50 mil vagas em dezembro, abaixo da expectativa de 60 mil, mas a taxa de desemprego caiu de 4,6% para 4,4%. O salário médio por hora subiu 0,33%, conforme o previsto, e o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan avançou para 54 pontos, dentro das estimativas.
Com esses dados, ferramentas do CME Group indicam que a probabilidade de o Federal Reserve manter os juros neste mês subiu para 95%, enquanto junho aparece como o primeiro mês com chances relevantes de corte. Para Eduardo Aun, os números reforçam uma postura cautelosa do BC americano, após a redução acumulada de 75 pontos-base no ano passado.
“O Fed está desconfortável com a inflação ainda acima da meta e entende que os juros já estão mais próximos do nível neutro. Se houver um enfraquecimento maior do mercado de trabalho, pode voltar a cortar, mas o debate sobre novos cortes neste ano será bem mais difícil”, conclui.

