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04 de fevereiro de 2026 - 10h40
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ECONOMIA

Dólar recua e juros sobem com foco em gastos públicos e cenário político

Moeda americana cai com dólar fraco lá fora e petróleo em alta, enquanto juros reagem a gastos aprovados pelo Congresso e possível mudança no BC

4 fevereiro 2026 - 09h00Silvana Rocha
Dólar recua no mercado à vista enquanto juros futuros sobem em meio a preocupação fiscal, cenário político e agenda de indicadores.
Dólar recua no mercado à vista enquanto juros futuros sobem em meio a preocupação fiscal, cenário político e agenda de indicadores. - (Foto:Arte/Jc)

O mercado brasileiro opera em sentidos opostos na manhã desta quarta-feira, 4. No câmbio, o dólar recua no mercado à vista, acompanhando a fraqueza da moeda americana frente a divisas emergentes ligadas a commodities e a possível entrada de fluxo de exportadores, impulsionados pela alta do petróleo. Já na renda fixa, os juros futuros avançam, em sintonia com a alta dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos e com a leitura de maior risco fiscal após novas medidas de aumento de gastos aprovadas pelo Congresso.

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No radar dos investidores também está a informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria inclinado a nomear os economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para cargos de diretores do Banco Central, segundo a agência Reuters. A possibilidade de mudança na composição da diretoria da autoridade monetária entra na conta ao lado do quadro fiscal e do cenário político, influenciando as curvas de juros.

Congresso amplia gastos e pressiona percepção fiscal

Na véspera, o Congresso aprovou o programa Gás do Povo e um pacote de propostas que aumenta remunerações e bônus de servidores do Legislativo e cria cargos no Executivo. O impacto orçamentário estimado dessas medidas é de R$ 5,3 bilhões em 2026.

Além disso, as gratificações para servidores do Legislativo, que permitem remunerações acima do teto constitucional, de até cerca de R$ 77 mil, têm custo adicional estimado em cerca de R$ 800 milhões. O conjunto reforça a percepção de maior pressão sobre as contas públicas, um dos fatores por trás da alta dos juros futuros.

Pesquisa mostra Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados

O ambiente político também entra no cálculo dos mercados. Pesquisa Meio/Ideia indica que o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece tecnicamente empatado com o presidente Lula em um eventual segundo turno. Segundo o levantamento, Flávio tem 45,8% das intenções de voto, contra 41,1% de Lula, dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

Na avaliação de governo, o presidente é desaprovado por 51,4% dos entrevistados, enquanto 46,6% aprovam sua gestão. Esses números ajudam a compor o quadro de incerteza política que os agentes econômicos acompanham ao lado das discussões fiscais e das possíveis mudanças no Banco Central.

Santander fala em crédito pressionado, mas lucro melhora

No setor financeiro, o presidente do Santander Brasil, Mario Leão, avaliou que a qualidade do crédito continua pressionada pelo cenário macroeconômico e pelos juros elevados. Segundo ele, o banco mantém uma postura prudente, com crescimento seletivo da carteira, gestão ativa de riscos e controle de custos.

Apesar do quadro ainda desafiador, o Santander registrou lucro de R$ 4,1 bilhões no quarto trimestre, o maior em quatro anos, e mostrou evolução do retorno sobre o patrimônio (ROAE). Os resultados são observados pelo mercado como termômetro do comportamento de crédito em meio a juros altos e atividade moderada.

Fazenda melhora avaliação; Banco Central recua levemente

Do lado da política econômica, a percepção sobre o Ministério da Fazenda melhorou em janeiro de 2026, segundo o Termômetro Broadcast. A nota média atribuída à pasta subiu de 4,4 para 5,4, alcançando o melhor nível em mais de um ano. Já a avaliação do Banco Central recuou de 7,4 para 7,1, ainda em patamar superior, mas com leve perda em relação ao mês anterior.

Os movimentos refletem como o mercado enxerga a atuação das duas frentes: de um lado, a condução fiscal e as negociações com o Congresso; de outro, a política monetária e a comunicação do BC em um momento em que se discutem indicações para a diretoria.

Petróleo sobe, minério cai e cenário externo segue misto

No exterior, o petróleo avança, apoiado por prêmio de risco geopolítico. Investidores acompanham negociações envolvendo Estados Unidos e Irã e também tratativas entre EUA, Rússia e Ucrânia, o que mantém o mercado atento a possíveis impactos sobre a oferta da commodity. A alta do petróleo favorece moedas de países exportadores e pode estimular fluxo de recursos para emergentes.

Já o minério de ferro recuou na bolsa de Dalian, na China, apesar da leitura melhor do que o esperado do índice de gerentes de compras (PMI) de serviços do país. Mesmo com o dado acima da previsão, o mercado da matéria-prima reagiu com queda, sinalizando cautela com a demanda chinesa.

Nos Estados Unidos, o diretor do Federal Reserve Stephen Miran renunciou ao cargo de principal assessor econômico da Casa Branca, encerrando a função dupla que exercia desde setembro. Ele pode permanecer no conselho do Fed até a confirmação de um sucessor, o que mantém a composição da autoridade monetária estável no curto prazo, mas adiciona mais um ponto de atenção na transição de cargos-chave na economia americana.

Inflação baixa na zona do euro reforça alívio de preços

Na zona do euro, a inflação medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI) desacelerou para 1,7% em janeiro na comparação anual, abaixo da previsão de 1,8% e da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE), segundo a Eurostat. Na comparação mensal, o CPI caiu 0,5%.

O núcleo do índice, que exclui itens mais voláteis, recuou de 2,3% para 2,2%. A Eurostat também anunciou que realizará mudanças metodológicas no índice harmonizado de preços ao consumidor (IHPC) a partir de fevereiro de 2026, o que pode alterar a forma como o mercado interpreta os próximos dados de inflação na região.

Agenda econômica do dia concentra indicadores nos EUA e no Brasil

A quarta-feira é marcada por uma agenda relevante de indicadores. Nos Estados Unidos, o destaque é o relatório de empregos da ADP, previsto para as 10h15. Em seguida, saem os PMIs de serviços da S&P às 11h45 e do ISM às 12h, oferecendo um retrato atualizado da atividade no setor de serviços americano.

No Brasil, estão programados para as 10h os PMIs composto e de serviços, que ajudam a medir o ritmo da economia. Ainda na agenda doméstica, o Índice de Commodities Brasil (IC-BR) de janeiro e o fluxo cambial semanal serão divulgados às 14h30. Os dados podem influenciar as expectativas para crescimento, inflação e comportamento do câmbio nas próximas semanas.

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