
O dólar opera em baixa no mercado à vista na manhã desta segunda-feira (9), acompanhando a desvalorização da moeda americana frente a divisas de países desenvolvidos e a várias moedas emergentes. O movimento ocorre em meio à alta do petróleo e do iene, após a vitória do partido da primeira-ministra Sanae Takaichi nas eleições legislativas do Japão, realizadas no domingo (8).
O resultado do pleito abre espaço para que o governo japonês avance com uma agenda voltada à retomada do crescimento econômico. A reação positiva foi imediata nos mercados asiáticos: a Bolsa de Tóquio liderou os ganhos da região, com alta de 3,9%, renovando máximas históricas.
No Brasil, os juros futuros apresentam oscilações próximas aos ajustes anteriores. O comportamento reflete, de um lado, o recuo do dólar e, de outro, a alta dos rendimentos dos títulos soberanos no Japão, no Reino Unido e dos Treasuries nos Estados Unidos.
No radar dos investidores está a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em palestra marcada para as 9h30. Ele participa do evento Estabilidade Financeira e Perspectivas para 2026 e 2027, promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo.
Inflação segue em trajetória mais benigna
O boletim Focus trouxe revisões pontuais para baixo nas expectativas de inflação. A mediana do índice suavizado em 12 meses recuou de 3,99% para 3,97%, abaixo dos 4,04% estimados há um mês.
A projeção para o IPCA de 2026 também caiu de 3,99% para 3,97%, ante 4,05% projetados há um mês, ficando 0,53 ponto porcentual abaixo do teto da meta. Para 2027, a expectativa permaneceu em 3,80% pela 14ª semana consecutiva.
Já o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da Fundação Getulio Vargas, registrou variação de 0,59% na primeira quadrissemana de fevereiro, repetindo o resultado observado no encerramento de janeiro.
No noticiário político interno, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que já comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o partido não pretende caminhar com ele nas próximas eleições.
No cenário internacional, dados mostraram que a inflação ao consumidor nos países da OCDE desacelerou para 3,7% em dezembro, ante 3,8% em novembro. Houve queda em 13 países, alta em nove e estabilidade em 16. No grupo das sete maiores economias (G7), a taxa anual recuou de 2,5% para 2,4%.
No Reino Unido, as taxas dos títulos públicos avançam em meio à instabilidade política. Após novas renúncias no gabinete do primeiro-ministro Keir Starmer, o rendimento do gilt de 10 anos subiu 3,8 pontos-base, alcançando 4,552%.
Repercussão da eleição no Japão
A eleição japonesa também repercutiu na China. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, afirmou nesta segunda-feira que, embora eleições sejam assuntos internos, o pleito no Japão refletiu “questões estruturais profundas”, além de tendências e desdobramentos emergentes que, segundo Pequim, merecem análise cuidadosa.
