
A Disney anunciou a nomeação de Josh D’Amaro, atual chefe da divisão de parques temáticos, como novo diretor executivo da companhia. Ele sucederá Bob Iger no comando da gigante do entretenimento e assume oficialmente o cargo em um momento de forte desempenho criativo da empresa, mas também de desafios no cenário econômico e turístico dos Estados Unidos.
D’Amaro é presidente da Disney Experiences, área responsável pelos parques temáticos, cruzeiros e resorts do grupo. A escolha ocorre em um contexto de bons resultados de bilheteria, impulsionados por produções como Zootopia 2 e Avatar: Fogo e Cinzas, além do fortalecimento do serviço de streaming da empresa. Por outro lado, a Disney enfrenta queda no número de visitantes estrangeiros em seus parques norte-americanos, reflexo do recuo do turismo internacional e das tensões comerciais e migratórias dos Estados Unidos.
A definição do novo CEO acontece quase quatro anos após a troca turbulenta no comando da empresa. Em 2020, Bob Iger deixou o cargo e indicou Bob Chapek como sucessor, decisão que se mostrou problemática. Após conflitos internos, erros estratégicos e deterioração do desempenho financeiro, Iger retornou ao posto em 2022 para reassumir o controle da companhia.
Segundo o presidente do conselho da Disney, James Gorman, a transição desta vez foi conduzida de forma mais estruturada. “Não teremos o mesmo drama da última vez, disso eu posso garantir”, afirmou em entrevista à CNBC nesta terça-feira (3).
Planejamento de sucessão - A Disney iniciou o planejamento formal da sucessão em 2023, com a criação de um comitê específico para o tema. O processo ganhou força em 2024, quando James Gorman, ex-presidente executivo do Morgan Stanley, foi contratado para liderar a busca pelo novo CEO. A extensão do contrato de Bob Iger deu ao conselho tempo para avaliar os candidatos com mais profundidade.
Embora nomes externos tenham sido analisados, a expectativa sempre foi de que o sucessor viesse de dentro da companhia. Os candidatos internos passaram por um processo de mentoria com Iger, tiveram contato direto com os 15 membros do conselho e receberam treinamento externo.
Com o avanço das avaliações, dois nomes se destacaram: Josh D’Amaro e Dana Walden, copresidente da Disney Entertainment. D’Amaro, que trabalha na Disney desde 1998, ganhou força principalmente pelo papel central que desempenha nos investimentos bilionários da empresa.
À frente da Disney Experiences, D’Amaro lidera um plano de investimentos de US$ 60 bilhões em parques temáticos, resorts e navios de cruzeiro. Ele também supervisiona a Walt Disney Imagineering, responsável pelo design e desenvolvimento das experiências imersivas da empresa ao redor do mundo.
Além disso, D’Amaro comanda os negócios de licenciamento da Disney, incluindo parcerias estratégicas como o acordo com a Epic Games, que ampliou a presença da marca no universo dos games.
Dana Walden, por sua vez, teve papel relevante na expansão do streaming e no comando das divisões de entretenimento, notícias e conteúdo da companhia. Ela entrou na Disney em 2019, após uma carreira de 25 anos na 21st Century Fox, onde chegou a ser CEO do Fox Television Group.
Com a nova estrutura, Dana assumirá o cargo recém-criado de diretora criativa da The Walt Disney Co. Ela se reportará diretamente a D’Amaro, reforçando a integração entre estratégia criativa e gestão executiva.
Havia especulações no mercado de que a Disney poderia adotar um modelo de co-CEOs, prática que vem ganhando espaço em grandes empresas, como Oracle e Spotify. A companhia, no entanto, optou por manter um comando único.
As nomeações de Josh D’Amaro e Dana Walden entram em vigor no dia 18 de março. Após o anúncio, as ações da Disney registraram alta superior a 1% no início do pregão, refletindo a reação positiva do mercado à definição da sucessão.

