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ECONOMIA

Desvalorização cambial contribuiu para não crescimento do setor, diz Abinee

5 dezembro 2019 - 12h07

O câmbio desvalorizado, sem sombra de dúvidas, é uma das principais variáveis macroeconômicas que contribuiu para o não crescimento do faturamento da indústria do setor eletrônico em 2019 em relação a 2018, disse nesta quinta-feira, 5, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato.

A história contada pelos números é a de que o faturamento do setor este ano deve crescer 5% em relação a 2018, mas anulado pela inflação do segmento também deve registrar igual taxa de 5%. Ao mesmo tempo uma sondagem feita pela Abinee mostra que 76% dos consultados esperam crescimento para 2020.

Questionado se o câmbio em processo de desvalorização não seria um risco para o otimismo do setor, Barbato disse que sim e que parte do não crescimento este ano, além da inflação, teve a participação do câmbio.

"Sem sombra de dúvidas uma das justificativas é o aumento dos produtos por conta dos preços mais altos dos insumos", disse Barbato.

Em seguida ele emendou que os economistas da entidade têm afirmado que a tendência é a de o dólar se manter no patamar atual, oscilando entre R$ 4,00 e R$ 4,10.

Contudo, de acordo com o presidente da Abinee, as empresas brasileiras trabalham com um nível elevado de componentes importados, mas elas também utilizam uma quantidade significativa de componentes nacionais, o que acaba, de certa forma, por minimizar o impacto da desvalorização cambial nos preços dos produtos acabados.

Outro ponto citado por Barbato para justificar sua expectativa de que não haverá em 2020 um repasse integral da desvalorização cambial é a luta acirrada das empresas por market share.

"Tendência é de as empresas segurarem o repasse do dólar. Se ocorrer algum repasse será apenas na extremidade da necessidade", disse Barbato. Ele participa da coletiva almoço de imprensa de fim de ano da entidade.

Faturamento

Faltando 26 dias para o encerramento do ano, a Abinee já dá como definitivos os números disponíveis. Partindo deles, a indústria eletroeletrônica faturou R$ 154 bilhões neste ano. O valor, em termos nominais, superou em 5% a receita de R$ 146,1 bilhões anotada em 2018.

Em termos reais, porém, não deve haver incremento porque a inflação do setor no ano, medida pelo Índice de Preços ao Produtor (IPP) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deve fechar em 5%, estima a Abinee.

"A atividade produtiva este ano ficou aquém das expectativas, em função, principalmente, da demora na aprovação das reformas, que só tiveram encaminhamento positivo no segundo semestre", disse Barbato. Ele acrescentou que, no caso específico do setor, contribuiu para o desempenho aquém do esperado a demora da Lei de Informática, que só foi aprovada no segundo semestre.

Capacidade instalada

A produção de bens da indústria eletroeletrônica em 2019 deverá permanecer no mesmo nível do ano passado. Mas a utilização da capacidade instalada mostrou pequeno acréscimo, devendo passar de 74% no final do ano 2018 para 75% no final de 2019, segundo a Abinee.

O número de empregados no setor, segundo o presidente da Abinee aumentará de 232,2 mil em 2018 para 235 mil no final de 2019, o que representa elevação de 1,2%. Isso representa um crescimento de 2,8 mil novos trabalhadores no quadro de funcionários do setor.

Exportações

As exportações pouco contribuíram para a atividade da indústria eletroeletrônica uma vez que deverão cair 5% neste ano em relação a 2018, passando de US$ 5,9 bilhões para US$ 5,6 bilhões.

Essa queda está ocorrendo especialmente para os países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), destino para o qual as vendas brasileiras recuaram 15%, com destaque para a retração das exportações para a Argentina, em 24%, e também para a União Europeia, com recuo de 27%.

"Em conjunto, estes blocos absorveram 63% das exportações de bens do setor em 2018. Já em 2019 deverão diminuir para 54% do total. Por outro lado, observou-se elevação de 29% nas exportações para os Estados Unidos, que passarão de US$ 1,3 bilhão para US$ 1,7 bilhão no período citado, representando 31% do total", explicou o presidente da Abinee. Estão contribuindo para este crescimento, principalmente, as exportações de equipamentos industriais, componentes para equipamentos industriais e bens para automação industrial.

Quanto às importações, o acréscimo será de 1% no ano de 2019 na comparação com 2018, passando de US$ 31,8 bilhões para US$ 31,9 bilhões. Nessas aquisições, os destaques são as importações de itens de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica - GTD, com 47% e de equipamentos industriais, com elevação de 13%.

No caso de GTD, as importações de módulos fotovoltaicos deverão atingir US$ 950 milhões, 64% acima das verificadas no ano de 2018. Essas importações são decorrentes da expansão na geração de energia solar no País, uma vez que o Brasil possui pouca produção local de equipamentos de geração deste tipo de energia.

Com isso, o déficit da balança comercial atingirá US$ 26,4 bilhões, resultado 2% superior ao apresentado no ano passado, de US$ 25,9 bilhões.

Sondagem para 2020

Os empresários do segmento da indústria eletroeletrônica trabalham com expectativas mais favoráveis para 2020. Segundo a mais recente sondagem feita pela Abinee, 76% das empresas projetam crescimento nas vendas ou nas encomendas no próximo ano; 21%, estabilidade e apenas 3%, queda.

Também o último Índice de Confiança do Setor Eletroeletrônico (ICEI) divulgado pela Abinee, em novembro, atingiu 61 pontos. Acima de 50 pontos, o ICEI indica confiança do empresário.

"Estamos encerrando 2019 com um Índice de Confiança positivo, porém, menor do que o do ano passado", observa o presidente da Abinee. Em novembro de 2018, logo depois das eleições, o otimismo era maior e o ICEI havia alcançado 65,2 pontos.

PIB

Considerando a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,2% e inflação em torno de 3,6% ao ano em 2020, o setor eletroeletrônico espera um crescimento de 8% nominais no seu faturamento, para R$ 166 bilhões, e de 4%, descontada a inflação.

A Abinee também projeta elevação de 3% na produção e aumento no nível de emprego, que deve passar de 235 mil para 239 mil trabalhadores.

As exportações devem crescer 4% e as importações, 11%. "Aos poucos a economia vai se reativando e o ambiente parece demonstrar uma maior confiança dos empresários", afirmou o presidente do Conselho da Abinee, Irineu Govêa.

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