
O presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, está entre os alvos da Operação Barco de Papel, deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira (23). A investigação apura suspeitas de irregularidades em aportes realizados pelo fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro em títulos emitidos pelo Banco Master.
De acordo com a apuração, a PF investiga uma possível gestão temerária por parte de dirigentes do Rioprevidência ao autorizarem investimentos que somam cerca de R$ 1 bilhão. Há indícios de que as aplicações tenham sido aprovadas de forma incompatível com a finalidade do instituto, o que pode ter exposto os recursos dos servidores públicos a elevado risco financeiro.
As defesas de Antunes e dos demais citados não foram localizadas até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
Segundo informações obtidas pelo Estadão, Deivis Antunes já tinha conhecimento da possibilidade de ser alvo de uma operação policial. Diante disso, ele teria evitado permanecer em sua residência no Rio de Janeiro por receio de ser surpreendido por agentes federais. No dia 15 de janeiro, Antunes deixou o Brasil com destino aos Estados Unidos e, desde então, seu paradeiro não foi confirmado.
Em nota, o Rioprevidência informou que Antunes “encontra-se oficialmente em período de férias, previamente programadas desde novembro de 2025, nos termos das normas internas vigentes”.
Investigação sobre investimentos - A Polícia Federal apura crimes como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução de repartição pública a erro, fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva, além de infrações contra o sistema financeiro nacional.
Os investigadores analisam aportes feitos em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, entre outubro de 2023 e agosto de 2024. Esses títulos, com vencimentos previstos para 2033 e 2034, são tradicionalmente direcionados a investidores profissionais e não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Diante do avanço das apurações, o Rioprevidência tenta reverter as aplicações por meio da troca dos papéis por precatórios federais, em uma tentativa de mitigar eventuais prejuízos ao fundo previdenciário.
Mandados e outros alvos - A operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, incluindo diligências na sede do Rioprevidência e contra gestores ligados às decisões de investimento. Além de Antunes, também foram alvos o ex-diretor de investimentos Euchério Rodrigues e o ex-gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal, que deixaram seus cargos após o surgimento das suspeitas envolvendo o Banco Master.
Como a operação se limitou ao cumprimento de mandados de busca e apreensão, Deivis Antunes não é considerado foragido pelas autoridades.
Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Antunes é mestre em Direitos Fundamentais e Novos Direitos pela Universidade Estácio de Sá (Unesa) e possui ao menos seis especializações na área jurídica.
Antes de assumir a presidência do Rioprevidência, em 5 de julho de 2023, ele construiu carreira no Banco do Brasil e na Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). Na Previ, onde atuou por mais de 15 anos, começou como advogado júnior e chegou ao cargo de consultor jurídico.
A investigação segue em andamento e novas fases da operação não estão descartadas.

