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COMÉRCIO

Confiança do comércio recua em agosto e volta à zona negativa com juros altos e inflação

ICEC caiu para 98,1 pontos, afetado por crédito restrito e baixo crescimento; empresários demonstram cautela para investir e contratar

31 agosto 2025 - 10h15Iury de Oliveira
Movimento no comércio varejista de Campo Grande
Movimento no comércio varejista de Campo Grande - (Foto: Divulgação)
ENERGISA

O clima entre os empresários do comércio voltou a esfriar. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Índice de Confiança dos Empresários do Comércio (ICEC) registrou 98,1 pontos em agosto, voltando à zona negativa, após marcar 100,3 pontos em julho.

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O recuo reflete a preocupação do setor com os juros elevados, a dificuldade de acesso ao crédito e a pressão inflacionária sobre os custos operacionais e o poder de compra da população. A avaliação é da economista Regiane Dedé de Oliveira, do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS (IPF-MS).

“Juros altos, dificuldade de acesso ao crédito – tanto de empresários quanto de consumidores –, inflação pressionando custos e reduzindo o poder de compra da população, aliado a um crescimento econômico abaixo das expectativas, reforçam o cenário de incerteza para quem investe no comércio neste início de semestre”, pontua a economista.

A taxa básica de juros, a Selic, atualmente está em 15% ao ano, o que tem limitado investimentos e consumo em diversos setores.

Condições atuais e expectativas divididas - Na análise sobre as condições atuais do comércio, 31,9% dos empresários afirmaram que a situação do setor piorou muito, enquanto apenas 6,1% enxergaram uma melhora significativa. Já sobre a própria empresa, 20,8% consideram que houve piora relevante, e 14,1% disseram que o cenário melhorou.

Apesar da retração no índice geral, parte dos entrevistados ainda demonstra otimismo com o futuro. Para 35,8% dos empresários, a expectativa para a empresa é muito boa, e 27,7% acreditam em melhora no comércio em geral. Em contrapartida, 8,7% e 16,3%, respectivamente, consideram que a expectativa piorou muito.

O indicador de intenção de contratação também reflete essa divisão: 12,2% pretendem contratar mais e 7,5% reduzir o quadro de funcionários. No quesito investimentos, 14% dos empresários aumentaram seus aportes, enquanto 15,1% reduziram drasticamente os valores destinados à empresa.

Metodologia da pesquisa - A coleta dos dados foi feita nos últimos dez dias do mês anterior à divulgação, com pelo menos 185 empresas entrevistadas. O ICEC é considerado um termômetro importante para acompanhar o comportamento e a percepção dos empresários em relação à economia e ao desempenho do setor de comércio.

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