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TRIBUTAÇÃO

CNI vai ao STF contra regra que limita benefícios fiscais na nova lei tributária

Entidade questiona trecho que restringe proteção a incentivos aprovados pelo Executivo até 2025

14 janeiro 2026 - 17h35Lavínia Kaucz
Confederação Nacional da Indústria questiona no STF trecho da lei que altera regras sobre benefícios fiscais
Confederação Nacional da Indústria questiona no STF trecho da lei que altera regras sobre benefícios fiscais - (Fabio Rodrigues/Agência Brasil)

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (14) contra a lei que reduz benefícios fiscais em 10% e amplia a tributação sobre bets, fintechs e Juros sobre Capital Próprio (JCP) a partir de 2026. A norma foi sancionada no fim do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integra o pacote do governo para elevar a arrecadação em R$ 22,45 bilhões.

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No pedido apresentado ao STF, a CNI não solicita a derrubada integral da lei. O questionamento é direcionado a um ponto específico do texto legal, que trata da chamada “condição onerosa” para manutenção de benefícios fiscais. A entidade contesta o trecho que limita essa condição exclusivamente a investimentos previstos em projetos aprovados pelo Poder Executivo federal até 31 de dezembro de 2025.

A “condição onerosa” é um mecanismo jurídico que impede a revogação antecipada de benefícios fiscais concedidos por prazo determinado. Pela nova lei, no entanto, essa proteção passa a valer apenas para projetos que tenham recebido aprovação formal do Executivo até a data estabelecida, o que, na avaliação da CNI, cria uma restrição indevida.

Segundo a confederação, a mudança afeta diretamente empresas e setores que usufruem de incentivos fiscais concedidos por prazo certo, mas que não dependem de autorização prévia do governo federal ou que não estejam vinculados, de forma direta, a projetos de investimento.

Na ação, a CNI sustenta que a regra fere garantias constitucionais. “Não respeitar os benefícios e incentivos fiscais sujeitos a prazo e condições que não dependam de ‘deferimento’ prévio do Poder Executivo ou cuja condição não corresponda a investimento viola a garantia constitucional do direito adquirido”, argumenta a entidade na petição encaminhada ao Supremo.

Para a confederação, ao restringir a aplicação da condição onerosa, a lei cria insegurança jurídica e prejudica o planejamento das empresas, especialmente da indústria, que costuma operar com investimentos de longo prazo e previsibilidade tributária.

A lei questionada faz parte do esforço do governo federal para recompor receitas a partir de 2026. Além do corte linear de 10% em benefícios fiscais, o texto amplia a tributação sobre setores específicos, como apostas on-line, empresas de tecnologia financeira e operações envolvendo JCP.

O processo será distribuído a um ministro do STF, que deverá analisar o pedido da CNI. Ainda não há prazo para decisão. O julgamento pode ter impacto relevante sobre a aplicação das novas regras fiscais e sobre a relação entre o governo e setores beneficiados por incentivos tributários.

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