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23 de fevereiro de 2026 - 18h26
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SISTEMA FINANCEIRO

Caixa negocia compra de carteiras do BRB e discute alternativas para socorro ao banco

Federalização é considerada prematura; governo do DF busca empréstimo para viabilizar aporte

23 fevereiro 2026 - 16h55
Caixa negocia compra de carteiras do BRB enquanto governo do DF busca alternativa para capitalizar o banco.
Caixa negocia compra de carteiras do BRB enquanto governo do DF busca alternativa para capitalizar o banco. - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Caixa Econômica Federal negocia a compra de carteiras de crédito do Banco de Brasília (BRB) como alternativa para reforçar a liquidez da instituição distrital, pressionada por perdas bilionárias relacionadas a ativos do Banco Master. A possibilidade de federalização do BRB, embora mencionada nos bastidores, é considerada “prematura” por pessoas envolvidas nas discussões.

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No momento, o que está efetivamente em análise é a aquisição, pela Caixa, de carteiras originadas pelo próprio BRB. O banco do Distrito Federal precisa fortalecer o caixa após a necessidade de provisionar ao menos R$ 5 bilhões diante de perdas esperadas com ativos ligados ao Master.

As informações foram publicadas inicialmente pelo jornal O Globo e confirmadas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Além da compra de carteiras, a cúpula da Caixa não descarta que as conversas avancem para outras soluções. Uma das hipóteses é a participação do banco federal em um consórcio para estruturar um empréstimo ao governo do Distrito Federal, que então utilizaria os recursos para capitalizar o BRB.

Segundo interlocutores, essa alternativa é vista como menos drástica do ponto de vista do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e, neste momento, mais relevante do que apenas resolver a liquidez de curto prazo.

As tratativas sobre o eventual empréstimo ainda estão em fase inicial. O governo do DF negocia com diferentes instituições financeiras e também com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Até agora, porém, nenhuma proposta concreta foi formalmente apresentada ao fundo ou aos bancos que poderiam viabilizar a operação.

Como mostrou o Estadão, o Banco Central pode adotar medidas prudenciais preventivas caso o governo distrital não realize o aporte até 31 de março, prazo para divulgação do balanço do BRB.

O problema teve origem na compra, pelo BRB, de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados falsos do Banco Master. Posteriormente, o banco distrital conseguiu trocar esses papéis por outros ativos da mesma instituição. Ainda assim, devido à qualidade considerada duvidosa dos novos ativos, as perdas estimadas variam entre R$ 5 bilhões e R$ 9 bilhões.

Em setembro de 2025, o patrimônio líquido de referência do BRB era de R$ 4,289 bilhões. Com a necessidade de provisionar ao menos R$ 5 bilhões, o banco passou a operar, na prática, com patrimônio negativo.

Na sexta-feira (20), o governo do Distrito Federal encaminhou à Câmara Legislativa (CLDF) um projeto de lei com medidas para capitalizar o BRB. Entre as propostas está a utilização de 12 imóveis públicos como garantia para a operação de crédito.

Interlocutores avaliam que a aprovação do projeto é passo essencial para avançar nas negociações, mas ressaltam que a etapa mais complexa será a definição das condições financeiras, incluindo precificação e análise de riscos jurídicos.

Enquanto as discussões seguem, a prioridade é evitar medidas mais severas por parte do Banco Central e garantir uma solução que preserve a estabilidade do sistema financeiro e a operação do banco público distrital.

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