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Brasil articula missão à Europa para pressionar aprovação do acordo MercosulUE

Apex e Congresso planejam ofensiva política até março após entrave no Parlamento Europeu

22 janeiro 2026 - 19h15Agência Brasil
Apex e Congresso planejam ofensiva política até março após entrave no Parlamento Europeu.
Apex e Congresso planejam ofensiva política até março após entrave no Parlamento Europeu. - (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), articulam uma missão oficial à Europa até março com o objetivo de ampliar a pressão política pela ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A iniciativa foi confirmada nesta quinta-feira (22) pelo presidente da Apex, Jorge Viana, durante entrevista coletiva.

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Segundo Viana, Alcolumbre indicou que a aprovação do acordo será tratada como prioridade pelo Congresso Nacional na retomada dos trabalhos legislativos após o recesso. A estratégia definida passa por acelerar a ratificação do tratado no Brasil e nos demais países do Mercosul para, em seguida, concentrar esforços diplomáticos e políticos diretamente junto às instituições europeias.

A proposta inclui a organização de uma missão conjunta de parlamentares sul-americanos ao Parlamento Europeu, em um movimento coordenado de articulação política. “Vamos aprovar tudo pelo lado do Mercosul e, juntos, organizar uma missão ao Parlamento Europeu. É um diálogo de presidente de parlamento para presidente de parlamento, no nível político adequado”, afirmou Jorge Viana.

A iniciativa ocorre em um momento de sensibilidade para o acordo, após o Parlamento Europeu aprovar, por margem apertada, um pedido de revisão jurídica adicional do texto firmado no último sábado (17), encerrando um processo de negociação que se estendeu por 26 anos. Embora a decisão não inviabilize o tratado, ela cria um novo obstáculo político e pode prolongar sua tramitação no bloco europeu por até dois anos.

Para o governo brasileiro, a revisão atende à pressão de grupos que defendem salvaguardas ambientais mais rígidas e novos mecanismos de verificação. Segundo Viana, essas exigências podem comprometer o equilíbrio do texto negociado. Ele atribuiu o resultado da votação à baixa mobilização de defensores do acordo e à atuação de lobbies agrícolas europeus contrários à ampliação da entrada de produtos brasileiros.

Paralelamente à articulação política, a Apex prepara uma ofensiva de comunicação voltada a eurodeputados e à opinião pública europeia. O objetivo é enfrentar resistências históricas ao acordo e atualizar a percepção sobre o Brasil, especialmente no que diz respeito ao agronegócio e às agendas ambiental e social.

Dados apresentados pela Apex mostram que a União Europeia é atualmente o segundo maior destino das exportações brasileiras, com US$ 49,8 bilhões registrados em 2025, atrás apenas da China. O agronegócio responde por cerca de 23% do comércio bilateral, percentual inferior à percepção predominante na Europa de que o acordo teria foco quase exclusivo em produtos agrícolas.

De acordo com Jorge Viana, parte da oposição ao tratado ainda se apoia em uma imagem defasada do Brasil. “A imagem do Brasil mudou e precisa ser trabalhada lá fora. Argumentos usados há quatro ou cinco anos não cabem mais no cenário atual”, afirmou.

A Apex também divulgou um estudo que aponta o potencial de ampliação das exportações brasileiras em 543 produtos com retirada imediata de tarifas, em um mercado que movimenta US$ 43,9 bilhões por ano em importações da União Europeia. O levantamento indica que a Europa Ocidental concentra o maior número de oportunidades, com 266 produtos. Entre 2020 e 2024, as exportações brasileiras para a região somaram, em média, US$ 831 milhões por ano.

A Europa Meridional aparece na sequência, com 123 produtos, seguida pela Europa Oriental, com 101 itens. Já a Europa Setentrional reúne 53 tipos de mercadorias com potencial de crescimento a partir da implementação do acordo.

Com a mobilização política prevista para os próximos meses, o governo brasileiro tenta evitar que o tratado fique paralisado no cenário europeu e aposta no avanço interno como forma de aumentar o peso das negociações. A avaliação é de que uma ratificação rápida no Mercosul pode servir como sinal político e econômico para destravar resistências no outro lado do Atlântico.

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