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11 de fevereiro de 2026 - 23h41
ECONOMIA

Lucro do Banco do Brasil cai 45,4% em 2025 e fecha ano em R$ 20,6 bilhões

Inadimplência maior e novas regras contábeis pressionam resultado; banco projeta recuperação em 2026

11 fevereiro 2026 - 21h45Agência Brasil
Banco do Brasil registrou lucro de R$ 20,6 bilhões em 2025, queda de 45,4% em relação ao ano anterior.
Banco do Brasil registrou lucro de R$ 20,6 bilhões em 2025, queda de 45,4% em relação ao ano anterior. - (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Banco do Brasil registrou lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões em 2025, uma queda de 45,4% em relação ao ano anterior. O resultado foi divulgado na noite desta quarta-feira (11) e reflete o impacto das novas regras contábeis e do aumento da inadimplência ao longo do ano.

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No quarto trimestre, de outubro a dezembro, o lucro foi de R$ 5,742 bilhões, recuo de 47,2% na comparação com o mesmo período de 2024. Em relação ao terceiro trimestre de 2025, porém, houve alta de 51,7%, sinalizando uma recuperação na reta final do ano.

Em nota, o banco destacou que a geração de receitas segue em crescimento, apesar das pressões. Segundo a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, as operações com pessoas físicas e o Programa Crédito do Trabalhador têm impulsionado o desempenho.

“Foram desembolsados R$ 13 bilhões no crédito do trabalhador, uma demonstração que reafirma nossa expectativa declarada de que iríamos crescer em linhas com melhor retorno ajustado ao risco”, afirmou.

Impacto das novas regras contábeis

Em janeiro do ano passado entrou em vigor uma resolução do Conselho Monetário Nacional que alterou a forma de contabilização das provisões para perdas. A regra, aprovada em 2021, passou a exigir modelo baseado em perda esperada, calculada por estimativas.

A mudança afetou o reconhecimento de receitas e despesas. O banco deixou de reconhecer R$ 1 bilhão em receitas de crédito por causa da nova metodologia.

Inadimplência sobe e pressiona resultado

O índice de inadimplência, que considera atrasos superiores a 90 dias, passou de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% ao fim de 2025.

O avanço foi influenciado principalmente pelo agronegócio e pelo crédito para pessoas físicas, incluindo cartões.

No agronegócio, a inadimplência encerrou o ano em 6,09%, alta de 1,25 ponto percentual no último trimestre. Na carteira de pessoas físicas, o índice chegou a 6,56%, aumento de 0,55 ponto percentual.

Carteira de crédito cresce

Mesmo com juros elevados, o Banco do Brasil ampliou sua carteira de crédito em 2025. O total alcançou R$ 1,296 trilhão, alta de 1,4% no último trimestre e de 2,5% no acumulado do ano.

Por segmento:

Pessoa física: R$ 356,96 bilhões, crescimento de 7,6% em 12 meses. Destaque para o crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, que somou R$ 14,3 bilhões.
Pessoa jurídica: R$ 455,15 bilhões, alta de 0,6% em um ano. A carteira para grandes empresas cresceu 4,3%, enquanto a destinada a micro, pequenas e médias recuou 7,9%.
Agronegócio: R$ 406,13 bilhões, crescimento de 2,1% no ano. Nos seis primeiros meses do Plano Safra 2025/2026, foram liberados R$ 103,9 bilhões.
Crédito sustentável: R$ 415,1 bilhões, alta de 7,3% em 12 meses, representando 32% da carteira total.

Receitas e despesas

As receitas de prestação de serviços somaram R$ 34,813 bilhões em 2025, queda de 1,9% na comparação anual. O banco apontou crescimento em administração de fundos, consórcios e mercado de capitais como fatores que amenizaram o recuo.

As despesas administrativas também totalizaram R$ 34,813 bilhões, alta de 5,1% em relação a 2024. O banco atribuiu o aumento ao reajuste salarial e a investimentos em tecnologia e cibersegurança.

Projeções para 2026

Para 2026, o Banco do Brasil projeta retomada da rentabilidade. A estimativa de lucro líquido ajustado varia entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.

O banco prevê crescimento da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, com expansão de 6% a 10% em pessoas físicas. Para o agronegócio, a projeção vai de queda de 2% a alta de 2%, e para empresas, de retração de 3% a crescimento de 1%.

As receitas de serviços devem crescer de 2% a 6%, enquanto as despesas administrativas podem subir entre 5% e 9%. O custo do crédito está estimado entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões.

“Conseguimos nos adaptar ao cenário com transparência e muita dedicação de nossos funcionários para que tenhamos um 2026 com retomada de patamares de rentabilidade do tamanho do BB. Nosso guidance mostra isso e nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão”, afirmou Tarciana Medeiros.

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