Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
18 de fevereiro de 2026 - 15h34
SISTEMA FINANCEIRO

Registros do BC mostram Augusto Lima em 8 reuniões como CEO do Master após saída anunciada

Defesa disse em 2024 que banqueiro deixou funções executivas; Banco Pleno, sob seu comando, foi liquidado

18 fevereiro 2026 - 14h45Marianna Gualter
Agenda oficial do Banco Central registra reuniões de Augusto Lima como CEO do Master após data em que defesa alegou saída.
Agenda oficial do Banco Central registra reuniões de Augusto Lima como CEO do Master após data em que defesa alegou saída. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Registros oficiais da agenda do Banco Central indicam que o banqueiro Augusto Lima participou de ao menos oito reuniões com membros do board da autoridade monetária ao longo do último ano. Em praticamente todos os encontros, ele foi identificado como CEO do Banco Master — informação que contrasta com nota divulgada por sua defesa em novembro de 2024, na qual afirmava que ele havia se desligado “definitivamente de todas as funções executivas no Banco Master em maio de 2024”.

Canal WhatsApp

A única exceção ocorreu em setembro, quando Lima foi listado como diretor-presidente do Banco Pleno, instituição que teve a liquidação extrajudicial decretada nesta Quarta-feira de Cinzas (18) pelo Banco Central. O Pleno é o antigo Banco Voiter, cujo controle foi transferido para o banqueiro em agosto do ano passado, com aprovação da própria autarquia.

O Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, tentou contato com a defesa de Augusto Lima, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O Banco Central e o Banco Master também não se manifestaram.

A nota divulgada em novembro foi assinada pelos advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso e Sebastián Borges de Albuquerque Mello. O posicionamento veio após Lima ser preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

No texto, a defesa afirmou que o banqueiro foi surpreendido pela operação, pois as investigações tratariam de fatos posteriores à sua saída da instituição.

Os registros de agenda do BC, no entanto, mostram Lima participando de reuniões como CEO do Master meses depois da data citada na nota.

Em agosto do ano passado, o Banco Central aprovou a transferência do controle societário do Banco Voiter, que integrava o conglomerado do Master até julho daquele ano, para Augusto Lima. Após a operação, o banco passou a se chamar Banco Pleno.

Dois encontros listados na agenda oficial ocorreram às vésperas da formalização dessa transferência.

Em 6 de agosto, Lima e o presidente do Master, Daniel Vorcaro, se reuniram com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino. No dia 14 do mesmo mês, voltaram a se encontrar com Aquino, desta vez com a participação do então diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Gomes, e do procurador-geral do BC, Cristiano Cozer.

No mês seguinte à transação, Lima aparece novamente como CEO do Master em videoconferência com Aquino, realizada um dia antes de o Banco Central rejeitar a compra do banco pelo Banco de Brasília (BRB). Vorcaro também consta na agenda dessa reunião.

Levantamento do Broadcast aponta que Lima também participou de encontros com o Banco Central como CEO do Master nos dias 11 de abril, 8 de maio, 2 de julho e 19 de julho de 2025. Nessas reuniões, além de diretores da autarquia, estava presente o presidente do BC, Gabriel Galípolo.

A primeira — e única — reunião em que Lima foi identificado como diretor-presidente do Banco Pleno ocorreu em 11 de setembro, cerca de um mês após a aprovação da transferência de controle. O encontro foi realizado por videoconferência com Ailton de Aquino e Renato Gomes.

A reportagem considerou exclusivamente reuniões registradas na agenda oficial das autoridades monetárias.

Nesta quarta-feira (18), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, ex-Voiter, que estava sob o comando de Lima. A decisão ocorre em meio às investigações da Operação Compliance Zero.

A relação de Augusto Lima com o Banco Master começou em 2019, após a instituição incorporar a Credcesta. Segundo informações já divulgadas, ele teria deixado a sociedade em 2024.

Os registros de agenda agora revelados colocam em foco a cronologia da atuação do banqueiro junto ao Banco Central e levantam questionamentos sobre o período em que ele efetivamente exerceu funções executivas no Master.

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop