
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que invalidou as tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump foi classificada como positiva para o Brasil pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, nesta sexta-feira, dia 20. Segundo ele, a medida pode ampliar as exportações brasileiras ao mercado norte-americano, especialmente de produtos industrializados.
Os Estados Unidos são o terceiro maior comprador do Brasil e o principal destino de manufaturados nacionais, produtos com maior valor agregado. Para Alckmin, a derrubada da taxação cria oportunidade para aumentar a parceria comercial entre os dois países.
O vice-presidente lembrou que parte das tarifas já vinha sendo reduzida após conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump, além de negociações com o setor privado. Em novembro do ano passado, o governo norte-americano divulgou uma lista de produtos brasileiros que ficaram de fora da cobrança, mas ainda restava parcela das exportações sujeita à alíquota.
Segundo Alckmin, o chamado tarifaço, que incluía cobrança adicional de 10% mais 40% e atingia 37% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, foi reduzido gradualmente até alcançar 22%. Mesmo assim, parte das vendas continuava onerada. Com a decisão da Suprema Corte, ele avalia que surge uma nova possibilidade de ampliar o comércio bilateral, com impacto em emprego e renda.
Alckmin afirmou que o diálogo entre os dois países continua e que o Brasil acompanhará os desdobramentos da decisão judicial. Ele destacou que a tarifa média brasileira é de 2,7% e que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial com o Brasil.
Além das questões tarifárias, o presidente em exercício citou temas que podem avançar nas negociações, como o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, que está na pauta da Câmara dos Deputados, além de minerais estratégicos e terras raras. Ele também mencionou tratativas anteriores envolvendo o etanol e a certificação do RenovaBio.
Alckmin ocupa a Presidência interinamente durante viagem internacional de Lula à Índia e à Coreia do Sul, prevista até a próxima terça-feira, dia 24.

