
Faleceu nesta sexta-feira (9) a pintora colombiana Beatriz González, uma das artistas mais influentes da arte contemporânea na América Latina e uma das fundadoras do Museu de Arte Moderna de Medellín (MAMM). A causa da morte não foi divulgada. Ela tinha 93 anos.
Reconhecida por transformar o contexto histórico, político e social da Colômbia em matéria-prima artística, González construiu uma trajetória marcada pela fusão entre arte, poesia e crítica social. Ao longo de décadas, seu trabalho questionou a cultura popular e a estética de massa, tornando-se referência dentro e fora de seu país.
As obras da artista se destacam pelo uso de cores vibrantes, traços inconfundíveis e pela escolha de suportes pouco convencionais. Cortinas, cômodas, mesas de centro e outros objetos do cotidiano passaram a integrar seu repertório, ampliando os limites tradicionais da pintura e aproximando a arte do espaço doméstico.
Em nota publicada na rede social X, o Museu de Arte Moderna de Medellín lamentou a morte da artista e ressaltou sua importância institucional e simbólica. “Lamentamos profundamente o falecimento da mestra Beatriz González (1932-2026), uma das fundadoras do MAMM e figura central na construção da modernidade crítica na América Latina”, afirmou o museu.
Segundo a instituição, González integrou o grupo de intelectuais, artistas e empresários que, na década de 1970, impulsionou a criação do MAMM. A proposta, à época, era oferecer à cidade um espaço dedicado a um pensamento artístico disruptivo e alinhado às transformações culturais do continente.
“Sua trajetória tem sido uma bússola para a nossa instituição. Sua abordagem, definida por ela mesma como um ‘Pop de província’, desafiou as hierarquias da arte acadêmica ao integrar a estética popular”, destacou o museu, ao relembrar a contribuição da artista para a identidade do MAMM.
O falecimento de Beatriz González também repercutiu no Brasil. A Pinacoteca de São Paulo publicou uma homenagem em seu perfil no Instagram, relembrando a primeira vez que a artista teve obras exibidas no País, durante a 11ª Bienal de São Paulo, em 1971.
Após aquela participação, González permaneceu cerca de quatro décadas sem retornar ao circuito artístico brasileiro. O reencontro com o público ocorreu recentemente, com a abertura da exposição “Beatriz González: a imagem em trânsito”, atualmente em cartaz na Pinacoteca de São Paulo.
A mostra reúne mais de 100 obras produzidas desde a década de 1960 e ocupa sete salas do edifício Pina Luz. O conjunto oferece um panorama amplo da carreira da artista e evidencia como sua produção dialogou, ao longo do tempo, com temas como política, violência, memória coletiva e cultura popular.
Em nota, a Pinacoteca destacou a relevância histórica da artista. “A Pinacoteca se solidariza com familiares, amigos e admiradores da artista, certa de que sua obra deixa um legado fundamental para a História da Arte”, afirmou a instituição.
Com uma produção que atravessou gerações e fronteiras, Beatriz González deixa uma contribuição decisiva para a arte latino-americana, marcada pela capacidade de traduzir tensões sociais em imagens acessíveis, provocativas e profundamente ligadas à realidade de seu tempo.

