
Manoel Carlos, um dos autores mais influentes da televisão brasileira, morreu neste sábado (10), aos 92 anos. A informação foi confirmada pela produtora da família, a Boa Palavra. Considerado um dos pilares da teledramaturgia nacional, ele construiu uma carreira que atravessou décadas e ajudou a moldar o formato das novelas exibidas até hoje.
Em comunicado, a família informou que o velório será fechado, restrito a familiares e amigos próximos. “A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado”, diz a nota.
Conhecido entre amigos e familiares como Maneco, Manoel Carlos esteve presente em momentos decisivos da história da televisão brasileira. Sua trajetória começou ainda nos anos 1950, período em que a TV engatinhava no país e os formatos eram experimentais.
Antes de se tornar autor, Manoel Carlos iniciou a carreira como ator no Grande Teatro Tupi, da extinta TV Tupi. Naquele período, contracenou com nomes que se tornariam referências da dramaturgia brasileira, como Fernanda Montenegro, Nathália Timberg, Sérgio Britto, Fernando Torres e Flávio Rangel.
Ao longo da carreira, Manoel Carlos criou uma identidade própria ao repetir, em diferentes novelas, a figura feminina batizada de Helena, vista de Baila Comigo, exibida em 1981, até Em Família, de 2014. Segundo o próprio autor, a escolha do nome não estava ligada a uma pessoa específica, mas à admiração pela figura mitológica de Helena de Troia, símbolo de força e independência.
Maneco também adaptava textos teatrais para a televisão, nos chamados teleteatros, um formato muito comum na época. Em entrevista ao apresentador Jô Soares, o autor comentou com franqueza sobre sua atuação. Disse que não se considerava um ator brilhante, mas também não se via como ruim. “Como eu que adaptava as obras, sempre escrevia um papel para mim”, contou na ocasião.

