
A diretora e roteirista chinesa Lai Yuqing, considerada uma das jovens promessas do cinema asiático, morreu aos 23 anos. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (7) pelas produtoras Nimbus Films e Inwave Films, responsáveis pelo longa Whisperings of the Moon, filme de estreia da cineasta. A morte ocorreu em Phnom Penh, no Camboja, onde a obra foi ambientada e filmada.
Em comunicado oficial, as produtoras informaram que Lai morreu em decorrência de um incidente ocorrido em 30 de dezembro de 2025. O caso segue sob investigação pelas autoridades locais, e até o momento não foram divulgados detalhes sobre as circunstâncias da morte.
“É com profunda tristeza que compartilhamos a notícia trágica de que a diretora Lai Yuqing, roteirista e diretora de Whisperings of the Moon, com quem tivemos o privilégio de trabalhar, morreu aos 23 anos, em 2 de janeiro de 2026, no horário do Camboja”, diz a nota. As empresas também afirmaram que irão preservar e apoiar o legado da cineasta para que seus filmes continuem a ser exibidos e lembrados.
A morte precoce de Lai causou comoção no meio cinematográfico independente, especialmente entre profissionais ligados a produções asiáticas e coproduções internacionais, onde a diretora começava a ganhar destaque.
Trajetória interrompida - Natural de Tianjin, na China, Lai Yuqing construiu uma formação internacional. Estudou e desenvolveu sua linguagem cinematográfica em cidades como Nova York, Los Angeles e Toronto, antes de se dedicar ao seu primeiro longa-metragem.
Whisperings of the Moon acompanha a história de uma atriz de teatro que retorna à cidade natal após a morte do pai e se reencontra com uma antiga amante. A narrativa é marcada por memórias fragmentadas, silêncios e tensões provocadas por normas sociais restritivas, elementos que já indicavam a assinatura sensível e intimista da diretora.
Antes do longa, Lai havia dirigido os curtas Two Suns (2024) e Love Is a Book (2024). Este último serviu como ponto de partida para o desenvolvimento de Whisperings of the Moon, ampliado posteriormente para o formato de longa-metragem.
O filme foi produzido por Esther Li, Siddartha Jatla e Lily Yang, em uma coprodução internacional envolvendo o Camboja e outros territórios asiáticos. Em 2025, a obra foi selecionada para a 30ª edição do Festival Internacional de Cinema de Busan, um dos mais importantes da Ásia, o que consolidou o nome de Lai Yuqing como uma diretora em ascensão.
Mesmo com uma carreira ainda em início, Lai deixou um conjunto de trabalhos que despertaram atenção pela delicadeza temática e pela abordagem visual. A expectativa em torno de seus próximos projetos foi interrompida de forma abrupta, mas seu trabalho segue como registro de um talento que começava a se firmar no cinema contemporâneo.

