
Aos 42 anos, o artista plástico Daniel Freitas apresenta sua série de xilogravuras no 69º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Curitiba, trazendo sua experiência pessoal como pessoa com deficiência visual para o mundo da arte. Suas obras, parte da série Cordel Urbano, mostram o cotidiano das grandes metrópoles brasileiras, com foco em transeuntes, pessoas invisibilizadas e povos originários. Usando predominantemente o amarelo, Daniel expressa sua condição de fotobia, além de ressignificar materiais reciclados, como pedaços de MDF e cenários descartados.

Freitas, diagnosticado com baixa visão desde o nascimento, trabalha com cerca de 20% de capacidade visual e é também portador de nistagmo, que causa movimentos rápidos e involuntários dos olhos. No entanto, o artista conta que o cérebro corrige esses movimentos, permitindo que sua percepção visual não seja comprometida.
A trajetória de Daniel inclui a participação em centros de reabilitação para deficientes visuais e a realização de oficinas de arte para pessoas com limitações visuais, especialmente para ajudar na sua própria aceitação e compreensão de suas limitações. Para ele, a arte nunca foi um obstáculo, mas uma forma de expressão e superação.

Em suas gravuras, Daniel utiliza materiais recicláveis que encontra nas ruas e em caçambas, como pedaços de MDF. Para a produção dos detalhes, ele se utiliza de lupas e óculos adaptados para ourives, permitindo maior precisão no trabalho.
Durante sua exposição, Daniel compartilhou a importância de sensibilizar profissionais da saúde ocular sobre as capacidades artísticas de pessoas com deficiência visual, destacando a importância dos centros de reabilitação e da conscientização sobre a diversidade de habilidades.
