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02 de janeiro de 2026 - 17h46
MERCADO AUTOMOTIVO

Tesla perde liderança global em carros elétricos após queda nas vendas em 2025

Montadora chinesa BYD assume o primeiro lugar no ranking mundial de veículos elétricos

2 janeiro 2026 - 15h55Redação O Estado de S. Paulo*
BYD ultrapassou a Tesla e se tornou a maior vendedora de veículos elétricos do mundo
BYD ultrapassou a Tesla e se tornou a maior vendedora de veículos elétricos do mundo - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

A Tesla perdeu a liderança global no mercado de veículos elétricos após registrar, pelo segundo ano consecutivo, queda anual nas entregas. Em 2025, a montadora norte-americana vendeu 1,64 milhão de carros elétricos, número inferior ao da chinesa BYD, que comercializou 2,26 milhões de veículos movidos a bateria no mesmo período, consolidando-se como a maior fabricante do segmento no mundo.

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Segundo os dados divulgados pela própria Tesla, as vendas da empresa caíram 9% no acumulado de 2025. No quarto trimestre, a retração foi ainda mais acentuada, com queda de 16% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava 422.850 entregas no trimestre, enquanto a companhia reportou 418.227 veículos.

O resultado reflete um cenário de mudanças no comportamento de consumo, especialmente nos Estados Unidos, principal mercado da Tesla. O fim de subsídios federais para a compra de veículos elétricos impactou diretamente a demanda. No terceiro trimestre, a empresa chegou a registrar um aumento inesperado nas vendas, impulsionado pela corrida dos consumidores para aproveitar o crédito fiscal de US$ 7.500, que estava prestes a expirar. No quarto trimestre, sem incentivos adicionais, as vendas voltaram a cair.

Enquanto isso, a BYD manteve trajetória de crescimento. A montadora chinesa informou, na noite de quinta-feira (1º), que as vendas de veículos elétricos a bateria avançaram 28% em 2025 na comparação anual. O marco foi celebrado pelo mercado financeiro, com as ações da empresa negociadas em Hong Kong fechando em alta de 3,6%. O resultado simboliza uma virada histórica para a BYD, que há poucos anos enfrentava incertezas sobre sua própria sobrevivência.

Apesar da liderança global, a BYD também enfrenta um ambiente competitivo cada vez mais acirrado na China, especialmente no segmento de veículos elétricos mais acessíveis. Empresas como Geely e Leapmotor ampliaram sua presença no mercado. A Geely aumentou sua produção de elétricos em 39% no último ano, enquanto a Leapmotor atingiu antecipadamente a meta de 500 mil unidades em 2025 e já projeta vender um milhão de carros em 2026.

Para a Tesla, 2025 foi marcado por desafios que vão além do desempenho comercial. No início do ano, o CEO Elon Musk assumiu um papel controverso na Casa Branca, ao supervisionar o Departamento de Eficiência Governamental. A atuação gerou reações negativas e protestos em frente a algumas concessionárias da marca nos Estados Unidos, o que contribuiu para uma retração nas vendas em determinados mercados.

Mesmo diante das dificuldades, Musk manteve discurso otimista, destacando os novos produtos e apostas estratégicas da empresa, como os robotáxis, o Cybercab sem volante e os robôs humanoides Optimus. Ainda assim, a venda de automóveis segue como principal fonte de receita da Tesla, representando cerca de 75% do faturamento total da companhia.

No campo operacional, a Tesla informou crescimento de 49% no seu negócio de energia, segmento que inclui sistemas de armazenamento e geração. Em outubro, a empresa também lançou versões mais baratas e simplificadas do sedã Model 3 e do SUV Model Y, numa tentativa de estimular a demanda. Apesar disso, dados da indústria indicam que as vendas nos Estados Unidos caíram nos dois primeiros meses do quarto trimestre.

No fim do ano, os acionistas da Tesla aprovaram um novo pacote de remuneração para Elon Musk. O plano pode torná-lo o primeiro trilionário do mundo, caso consiga elevar o valor de mercado da empresa para US$ 8,5 trilhões e cumprir uma série de metas financeiras e operacionais.

A perda da liderança global para a BYD marca um novo capítulo no setor de veículos elétricos, evidenciando a força das montadoras chinesas e os desafios enfrentados pelas empresas ocidentais em um mercado cada vez mais competitivo.

(Com informações da Dow Jones Newswires)

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