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MS concentra 31% dos casos de ferrugem asiática e tem 2ª maior alta do país

Estado registra 54 casos em 18 municípios e concentra 31% das ocorrências de ferrugem asiática do país na safra 2025/2026

14 janeiro 2026 - 09h20Iury de Oliveira
Planta infectada com ferrugem asiática
Planta infectada com ferrugem asiática - (Foto: Divulgação/Acrissul)

Com 54 ocorrências registradas em menos de 24 horas, Mato Grosso do Sul passou a responder por cerca de 31% de todos os casos de ferrugem asiática da soja no Brasil na safra 2025/2026, ocupando a segunda posição no ranking nacional da doença.

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A atualização mais recente do Consórcio Antiferrugem mostra que os registros em MS subiram de 46 para 54 entre segunda e terça-feira, num período que vai de junho de 2025 a janeiro de 2026. A escalada é rápida: foi um caso em novembro, 21 em dezembro e 24 apenas em janeiro. Na prática, o primeiro mês de 2026 já superou sozinho todo o número de ocorrências da safra anterior no Estado.

Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul havia contabilizado 12 casos e ocupava a terceira posição nacional, atrás de Paraná (66) e Rio Grande do Sul (26). Agora, com 54 ocorrências – cerca de 3,8 vezes mais – o Estado se consolida como um dos principais focos da doença no país.

18 municípios já registraram a doença - Os 54 casos de ferrugem asiática estão distribuídos por 18 municípios sul-mato-grossenses. Naviraí concentra a maior parte das ocorrências, com 13 registros. Em seguida aparecem Sete Quedas (8), Laguna Carapã (3), Maracaju (3) e Ponta Porã (3).

Também há registros em Amambai (2), Antônio João (2), Aral Moreira (4), Bonito (2), Caarapó (2), Coronel Sapucaia (2), Dourados (2), Itaquiraí (2), Ivinhema (2), além de Guia Lopes da Laguna (1), Itaporã (1), Juti (1) e Sidrolândia (1).

Segundo o monitoramento do consórcio, mantido pela Embrapa em parceria com outras instituições, os focos estão concentrados em áreas comerciais em estágios avançados da cultura. Essa condição aumenta o risco de perdas diretas de produtividade e de queda na rentabilidade das lavouras.

Como age a ferrugem asiática - A ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. No início, a doença se manifesta por pequenas lesões marrom-avermelhadas na parte inferior das folhas. Com o avanço, aparecem pontos escuros espalhados por toda a superfície foliar, prejudicando a fotossíntese, provocando necrose e antecipando a desfolha.

Sem controle adequado, as perdas podem chegar a até 90% da produção, o que faz da ferrugem uma das doenças mais severas da soja. Para o coordenador técnico da Aprosoja-MS, Gabriel Balta, o clima atual tem favorecido o avanço do fungo.

“Calor excessivo aliado à alta umidade cria condições ideais para o aumento da população do fungo e para a disseminação dos esporos, que ocorre principalmente pelo vento, favorecendo o surgimento de novos focos”, explica.

MS tem 2ª maior alta do país - No cenário nacional, o consórcio contabiliza 174 notificações de ferrugem asiática na safra 2025/2026. O Paraná concentra a maior incidência, com 99 casos. Em seguida vem Mato Grosso do Sul, com 54 registros, seguido por Rio Grande do Sul (14), São Paulo (4), Santa Catarina (2) e Minas Gerais (1).

O crescimento em MS chama atenção pela velocidade da curva. Em pouco tempo, o Estado passou de um patamar relativamente baixo na safra passada para um volume de registros que o coloca à frente de regiões tradicionais da soja, como Rio Grande do Sul e São Paulo, e reforça o alerta para o manejo nas áreas produtoras.

A primeira ocorrência oficial de ferrugem asiática em Mato Grosso do Sul foi registrada apenas na safra 2023/2024, em uma lavoura de soja em Laguna Carapã, na região sudoeste. A área havia sido plantada na segunda quinzena de setembro e estava no estádio fenológico R5 quando a doença foi identificada.

Manejo integrado é essencial - Diante da combinação entre clima favorável, avanço da safra e aumento dos focos, especialistas reforçam que o controle da ferrugem asiática depende de um conjunto de ações, e não apenas do uso de fungicidas.

O manejo integrado recomendado inclui o cumprimento rigoroso do vazio sanitário, rotação de culturas, semeadura dentro da janela indicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, uso de cultivares com maior tolerância, monitoramento constante das lavouras e aplicação técnica e criteriosa de fungicidas, apenas quando indicada.

A ideia é reduzir a pressão de inóculo, evitar a seleção de fungos resistentes e proteger as áreas mais vulneráveis em momentos críticos do ciclo da soja.

Vazio sanitário e fiscalização - Uma das principais estratégias de combate à ferrugem é o vazio sanitário da soja, que em Mato Grosso do Sul foi aplicado entre junho e setembro de 2025. Nesse período, fica proibido plantar soja ou manter plantas vivas no campo.

A medida tem como objetivo cortar o “ciclo de sobrevivência” do fungo ao eliminar plantas hospedeiras, como a soja voluntária (também chamada de guaxa ou tiguera). Durante o vazio sanitário, os produtores são obrigados a monitorar suas áreas com frequência, eliminar qualquer planta de soja encontrada – por controle mecânico ou químico – e respeitar o calendário oficial de plantio.

O descumprimento das regras pode resultar em multas e demais penalidades previstas em lei. Mais do que uma obrigação legal, o vazio sanitário é apontado por técnicos como uma das principais barreiras para evitar que o número de casos siga crescendo nas próximas safras.

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