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18 de fevereiro de 2026 - 13h57
ECONOMIA RURAL

Exportações do agro caem 2,2% em janeiro, mesmo com recorde de carnes

Vendas do agronegócio somaram US$ 10,8 bilhões; recuo veio de preços mais baixos, apesar de alta de 7% no volume embarcado e recorde nas proteínas animais

18 fevereiro 2026 - 12h05Isadora Duarte
Entre os setores do agro, as carnes tiveram recorde de exportação em janeiro. A carne bovina in natura foi o produto de maior valor exportado, com US$ 1,3 bilhão em vendas externas
Entre os setores do agro, as carnes tiveram recorde de exportação em janeiro. A carne bovina in natura foi o produto de maior valor exportado, com US$ 1,3 bilhão em vendas externas - (Foto: Freepik)

As vendas externas do agronegócio brasileiro começaram 2026 em leve queda. Em janeiro, o setor movimentou US$ 10,8 bilhões, valor 2,2% menor que no mesmo mês do ano passado, quando o resultado foi de US$ 11 bilhões, de acordo com o Ministério da Agricultura.

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Mesmo assim, o desempenho é o terceiro melhor janeiro da série histórica e manteve o campo como motor da balança comercial: os produtos agropecuários responderam por 42,8% de tudo o que o Brasil exportou no período.

Preço menor, carga maior - O recuo em dólares não veio por falta de mercadoria, mas por preços internacionais mais baixos. O ministério aponta que o valor médio dos produtos caiu 8,6%, enquanto o volume exportado aumentou 7%.

Índices globais de alimentos da FAO (braço da ONU para agricultura) e do Banco Mundial também registraram queda nos preços na comparação anual, o que puxou para baixo o faturamento brasileiro.

Carnes lideram e batem recorde - Entre os setores do agro, as carnes tiveram recorde de exportação em janeiro. A carne bovina in natura foi o produto de maior valor exportado, com US$ 1,3 bilhão em vendas externas.

Os seis grandes grupos que puxaram o desempenho do mês foram:

Carnes – US$ 2,58 bilhões

Complexo soja (grão, farelo e óleo) – US$ 1,66 bilhão

Produtos florestais – US$ 1,38 bilhão

Cereais, farinhas e preparações – US$ 1,12 bilhão

Café – US$ 1,10 bilhão

Complexo sucroalcooleiro (açúcar e etanol) – US$ 750 milhões

Somados, esses segmentos responderam por quase 80% de tudo o que o agronegócio brasileiro embarcou em janeiro, movimentando US$ 8,6 bilhões.

No mapa dos destinos, a China continua na liderança das compras do agro brasileiro. Em janeiro, o país asiático importou US$ 2,16 bilhões, o que representa 20% de todas as exportações do setor e um crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior.

Em seguida aparecem:

União Europeia – US$ 1,69 bilhão (15,7% do total, queda de 11%)

Estados Unidos – US$ 705,5 milhões (6,6% do total, recuo de 31%)

Também aumentaram as vendas para Emirados Árabes, Turquia, Filipinas, Irã, Iêmen, Iraque, Chile, Arábia Saudita, Japão e Marrocos. O ministério destaca ainda o avanço de 5,7% nas exportações para os países da Asean, bloco que reúne 11 nações do Sudeste Asiático, como Indonésia, Vietnã, Tailândia e Singapura.

Do outro lado da balança, o Brasil importou US$ 1,63 bilhão em produtos agropecuários em janeiro, uma redução de 11,2% na comparação anual. Entre os itens comprados do exterior estão papel, trigo, salmão, fibras e produtos têxteis, além de insumos usados na produção no campo, como fertilizantes (US$ 940 milhões) e defensivos agrícolas (US$ 301,3 milhões).

A maior contribuição para a queda das importações veio do cacau em amêndoas, que teve redução de US$ 81,3 milhões nas compras. Também houve recuo nas importações de trigo (menos US$ 58,5 milhões) e malte (menos US$ 31,3 milhões).

Mesmo com a pressão de preços mais baixos, o saldo da balança comercial do agronegócio ficou positivo em US$ 9,12 bilhões em janeiro, patamar próximo ao de 2024 (US$ 9,16 bilhões), mostrando que o setor segue sustentando o superávit externo do país.

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