
Faltando poucas semanas para a abertura dos portões do Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande, a 86ª Expogrande já dá sinais claros do momento vivido pelo agronegócio sul-mato-grossense. Marcada para ocorrer de 9 a 19 de abril de 2026, a feira chega com crescimento de 20% no número de leilões em relação ao ano anterior. Para o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul, Guilherme Bumlai, o dado confirma que o Estado vive um ciclo de confiança e expansão no campo.
“Esse crescimento mostra um setor aquecido, com confiança do produtor e forte demanda por genética de qualidade. Os leilões são termômetro do mercado, e esse aumento indica que o Mato Grosso do Sul segue em expansão, com produtores investindo e acreditando no futuro da atividade”, afirma.
A avaliação do dirigente é de que a Expogrande se consolidou como um dos principais momentos de negócios da pecuária brasileira, colocando o Estado entre as cinco maiores feiras do país no segmento.
Uma ponte entre o produtor e a sociedade - Para além dos números, Bumlai destaca o papel institucional da Acrissul na aproximação entre campo e cidade. Segundo ele, a entidade atua de forma permanente para tornar o agro mais compreensível e acessível à população urbana.
“A Acrissul atua como uma ponte entre o produtor rural e a sociedade, promovendo eventos, debates técnicos e ações educativas que mostram, com transparência, como o agro produz com responsabilidade.”
Ele cita como exemplo o Projeto Fazendinha Acrissul, iniciativa que permite a crianças e famílias conhecerem de perto a rotina do campo durante a feira. A proposta é reduzir a distância entre quem produz e quem consome.
Tecnologia e avanço genético - Na visão do presidente, o agronegócio vive uma transformação estrutural impulsionada pela tecnologia. “O avanço tecnológico no agro é irreversível e extremamente positivo. Hoje temos uma pecuária mais eficiente, com uso de genética avançada, manejo de precisão e ferramentas digitais que aumentam a produtividade e a sustentabilidade.”
Mato Grosso do Sul acompanha esse movimento e se consolidou como referência nacional. O Estado abriga três unidades da Embrapa, voltadas à pecuária de corte em Campo Grande, à agricultura em Dourados e ao Pantanal. Bumlai destaca que a Embrapa Gado de Corte foi responsável pela chamada “revolução da braquiária” no Brasil, além de avanços importantes na genética e no cruzamento industrial que impactaram toda a pecuária nacional.
Esse ambiente tecnológico se reflete nas pistas da Expogrande. No setor de corte, a expectativa é de protagonismo das raças zebuínas, especialmente o nelore, base da pecuária brasileira. Também ganham espaço o tabapuã e o angus. No leite, as atenções se voltam para o girolando e o gir leiteiro, com animais de alta produtividade e valor genético.
Leilões como termômetro do mercado - O crescimento de 20% no número de leilões é apontado como sinal concreto de aquecimento econômico. Além da genética, a feira também movimenta o mercado de reposição, segmento no qual Mato Grosso do Sul é considerado referência nacional de valorização de preços a partir da Expogrande.
Para Bumlai, esse cenário reforça a consolidação da feira como um momento estratégico para a pecuária sul-mato-grossense. “Teremos grandes leilões com animais de genética e também para o mercado de reposição”, destaca.
Vitrine econômica e projeção internacional - A Expogrande, segundo o presidente da Acrissul, ultrapassa o conceito de feira agropecuária. “A Expogrande é uma grande vitrine econômica, que movimenta diversos setores da cadeia produtiva do agronegócio, como comércio, serviços e turismo. Ela gera negócios, atrai investimentos e projeta Mato Grosso do Sul no cenário nacional e internacional.”
Ele menciona ainda a construção da Rota Bioceânica como fator que pode ampliar o acesso dos produtos sul-mato-grossenses a novos mercados. A ligação com o Pacífico deve facilitar o escoamento da produção e fortalecer a presença do Estado no comércio exterior.
Público maior e shows nacionais - A organização trabalha com expectativa de público superior ao da edição anterior. “Estamos trabalhando com uma estrutura melhor, programação ampliada e mais atrações, o que naturalmente deve atrair um público ainda maior do que na edição anterior”, afirma.
Entre os artistas já confirmados estão Luan Santana, Gustavo Lima, Thiaguinho, Zezé de Camargo e a dupla Diego & Victor Hugo. A programação completa, com datas definidas, deve ser anunciada em breve.
Um retrato do futuro - Ao falar sobre o significado da edição de 2026, Bumlai resume o momento do Estado. “A Expogrande 2026 reforça que o futuro do agro passa por tecnologia, sustentabilidade e integração. Mato Grosso do Sul está preparado para crescer de forma responsável, agregando valor à produção e se consolidando cada vez mais como protagonista no cenário nacional.”
Com início marcado para 9 de abril, a contagem regressiva já começou. No campo, a expectativa é de negócios aquecidos. Na cidade, de parque cheio. Para o setor, a feira é mais do que tradição. É sinal de que o agro sul-mato-grossense quer, e pretende, continuar crescendo.

