
A colheita da soja 2025/2026 avança mais devagar em Mato Grosso do Sul e já reflete no início do plantio do milho segunda safra. Dados do Projeto SIGA-MS, da Aprosoja/MS, mostram que, até 6 de fevereiro, apenas 6,2% da área estimada havia sido colhida, cerca de 297 mil hectares. O índice está 11,1 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período da safra passada.
O avanço da colheita não é igual em todo o Estado. A região sul lidera os trabalhos, com 8,9% da área colhida. Na região centro, o índice é de 2,9%, enquanto a região norte praticamente não andou, com 0,3% da área.
O atraso na saída da soja se reflete diretamente no milho. O plantio do milho segunda safra 2025/2026 chegou a 5,8% da área prevista, cerca de 128 mil hectares. A região sul novamente puxa a média, com 7,6% da área semeada. A região centro registra 2,9% e a norte, 0,4%. Mesmo assim, o ritmo está 7 pontos percentuais abaixo do observado no mesmo período do ciclo anterior.
Em 2024/2025, a soja sofreu com veranicos e calor excessivo, o que fez a planta acelerar o ciclo e antecipar a maturação, liberando as áreas mais cedo para o milho. Já na safra atual, o clima foi mais favorável durante boa parte do desenvolvimento da cultura, especialmente até dezembro de 2025, permitindo que a soja seguisse o ciclo normal e, por isso, entrando mais tarde em colheita e atrasando o milho.
No campo, a maior parte das lavouras de soja é classificada como em boas condições, mas há diferenças entre as regiões. No oeste e no norte, entre 70,9% e 86,9% das áreas estão em situação considerada boa. No sul, sul-fronteira e sudeste, o percentual de lavouras boas varia de 41,2% a 59,1%, com aumento de áreas em condição regular.
Em janeiro, veranicos severos – períodos mais longos sem chuva – atingiram principalmente a região sul do Estado. Levantamentos de campo apontam que mais de 640 mil hectares foram afetados, com estiagens superiores a 20 dias em alguns pontos. Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai estão entre os municípios mais atingidos.
Para os próximos meses, o acompanhamento climático indica que o trimestre fevereiro–março–abril deve ter chuvas irregulares em Mato Grosso do Sul, com possibilidade de volumes abaixo da média histórica e temperaturas próximas ou ligeiramente acima do normal.
Mesmo com esse cenário, a estimativa da Aprosoja/MS é de aumento de área plantada. A soja deve ocupar 4,794 milhões de hectares na safra 2025/2026, alta de 5,9% em relação ao ciclo anterior. A produtividade média esperada é de 52,82 sacas por hectare, o que levaria a uma produção de 15,195 milhões de toneladas.
No milho segunda safra, a projeção é de 2,206 milhões de hectares, crescimento de 3% frente à safra passada. A produtividade média estimada é de 84,2 sacas por hectare e a produção prevista, de 11,139 milhões de toneladas. Apesar da ampliação de área, a produção pode ficar 20,1% abaixo do volume colhido em 2024/2025, que teve desempenho considerado excepcional.

