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CINEMA BRASILEIRO

Wagner Moura exalta cinema brasileiro em talk show nos EUA

Ator divulga 'O Agente Secreto' no Late Night with Seth Meyers, fala de política, ditadura e lembra prêmio de melhor ator em Cannes

6 janeiro 2026 - 12h55Redação
Wagner Moura durante entrevista no Late Night with Seth Meyers, onde falou de política, cinema brasileiro e relembrou prêmio de melhor ator em Cannes.
Wagner Moura durante entrevista no Late Night with Seth Meyers, onde falou de política, cinema brasileiro e relembrou prêmio de melhor ator em Cannes. - (Foto: Reprodução)

Wagner Moura foi o entrevistado da madrugada desta terça-feira, 6, no talk show americano Late Night with Seth Meyers, exibido pela NBC. A participação faz parte da intensa campanha de divulgação de O Agente Secreto e abriu espaço para o ator falar sobre política, o momento do cinema brasileiro e até contar a situação inusitada em que estava quando soube que havia vencido o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes.

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Logo no início da conversa, Seth Meyers lembrou que Moura tinha acabado de sair de uma noite dupla de derrotas no Critics' Choice Awards, onde concorria como Melhor Ator em Filme e Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada por Ladrões de Drogas. O apresentador destacou, porém, a vitória de O Agente Secreto como Melhor Filme de Língua Estrangeira.

“Você ganhou um e perdeu dois. Nada mal, porque eu tinha uma única indicação e perdi. Eu daria qualquer coisa para ter a sua vida, irmão”, brincou o americano, arrancando risos da plateia.

Meyers também aproveitou para lembrar ao público a trajetória internacional de Wagner Moura, citando a série Narcos e o filme Guerra Civil. O ator comentou que sente forte ligação com essas obras justamente pelo componente político presente em ambas.

Segundo ele, O Agente Secreto nasceu de uma inquietação dividida com o diretor Kleber Mendonça Filho sobre o rumo do país. “O Agente Secreto resultou de uma perplexidade compartilhada entre mim e o diretor Kleber Mendonça Filho sobre o que estava acontecendo no Brasil do século 21, quando um presidente estava resgatando valores da ditadura”, disse.

Questionado por Meyers se tinha lembranças da ditadura militar, já que o regime chegou ao fim quando ele ainda era criança, Moura respondeu de forma mais ampla, falando sobre contradições históricas e políticas do país.

“A ditadura acabou em 1985, mas os ecos do regime ainda estão lá. O Brasil é muito complexo/é provavelmente o país com a Constituição mais moderna do mundo, mas, por outro lado, foi o último do Ocidente a abolir a escravidão. Colonialismo, imperialismo, violência e golpes de Estado ainda estão presentes na vida do País”, avaliou o ator.

O apresentador também o parabenizou pela indicação ao Globo de Ouro e ressaltou o peso de ver um filme tão pessoal ter boa recepção nos Estados Unidos. “Deve ser muito especial fazer esse filme tão pessoal, e ter essa recepção nos Estados Unidos”, afirmou Meyers.

Wagner Moura respondeu destacando o impacto desse reconhecimento para o público brasileiro, especialmente diante do cenário político recente. “Sim, é muito importante para nós brasileiros. Porque, naquele período, entre 2018 e 2022, quando o Brasil passou por um momento fascista, eles atacaram universidades, jornalistas e artistas - transformados em inimigos do povo”, disse.

Na sequência, ele ligou o sucesso recente de produções brasileiras à sensação de representatividade do público. “É lindo ver os brasileiros torcendo para um filme brasileiro - desde o ano passado, quando Ainda Estou Aqui ganhou um Oscar - e se sentindo representados por esses artistas. Estou feliz pela nossa cultura”, completou.

Já perto do fim da entrevista, Moura compartilhou o motivo de não ter ido pessoalmente a Cannes receber o prêmio de Melhor Ator no ano passado. Ele contou que estava na Inglaterra, em dia de folga das gravações de cenas extras de um filme, quando recebeu a notícia.

O momento, segundo ele, não tinha nada de glamouroso. Wagner revelou que, na hora em que soube da vitória, estava gravando uma cena em que recolhia fezes de cachorro. “Eu estava com um saco plástico na minha mão, recolhendo um cocô de cachorro, e pensando: ‘Eu acabei de vencer Melhor Ator em Cannes!’”, relembrou, arrancando risos do público e do apresentador.

A participação de Wagner Moura no Late Night reforçou a combinação de carreira internacional, engajamento político e orgulho do cinema brasileiro que tem marcado sua trajetória recente, em um momento em que produções nacionais ganham destaque em premiações e programas de grande audiência nos Estados Unidos.

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