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Heitor Freire

LIVRE PENSAR

HOMO: SAPIENS E/OU RELIGIOSUS?

27 outubro 2024 - 08h00Por Heitor Freire

Os estudos antropológicos que registram a história do homem desde os tempos mais remotos foram nomeando cada etapa do nosso desenvolvimento com uma palavra que representasse o nosso estágio evolutivo.

A evolução da espécie humana foi iniciada há pelo menos 6 milhões de anos. Nesse período, uma população de primatas do noroeste da África se dividiu em duas linhagens que passaram a evoluir de forma independente uma da outra.

O primeiro grupo permaneceu no ambiente da floresta tropical e deu origem aos chimpanzés. O segundo grupo se adaptou a ambientes mais abertos, como as savanas africanas, dando origem ao Homo sapiens. Por isso, o continente africano é considerado o berço da humanidade.

O gênero Homo se destaca pelo desenvolvimento do sistema nervoso e da inteligência. Além disso, apresentava adaptações evolutivas, como o bipedalismo, ou seja, caminhamos sobre dois membros, e não sobre quatro patas, como a maioria dos animais (exceto as aves). Assim tivemos, ao longo da história, sucessivamente, os grupos +Homo habilis, Homo erectus, Homo ergaster, Homo neanderthalensis* e finalmente, o Homo sapiens.

O homem moderno, o Homo sapiens, ou Cro-Magnon, descende diretamente do homem de Neandertal e começou aparecer cerca de 40 mil anos atrás. Há evidências de sua presença nesse período na Malásia e na Europa.

O homem de Cro-Magnon, no início, era semelhante ao de Neanderthal quanto ao uso de artefatos de caça, os métodos de coleta de alimentos e o uso das roupas primitivas. Havia, contudo, diferenças físicas importantes entre as duas espécies.

Mais evoluído, o homem de Cro-Magnon andava totalmente na vertical, possuía um cérebro maior, nariz mais fino, queixo mais pronunciado e a estrutura esquelética muito parecida com a do homem atual. Com maior capacidade física e mental, deslocou-se por todo o mundo e passou a constituir os primeiros assentamentos.

Segundo historiadores, os Cro-Magnons formaram a espécie humana tal qual ela é hoje.

O historiador e professor israelense Yuval Noah Harari, em sua obra Sapiens, uma breve história da humanidade, um alentado volume com mais de 400 páginas, traça o seguinte panorama: “O planeta Terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos. Numa fração ínfima desse tempo, uma espécie entre incontáveis outras o dominou: nós, humanos. Somos os animais mais evoluídos e mais destrutivos que jamais viveram, os únicos que podem acreditar em coisas que existem apenas em sua imaginação, como deuses, Estados e direitos humanos. O fogo nos deu poder, a agricultura nos deixou famintos por mais, o dinheiro nos trouxe propósito; e a ciência nos tornou letais”. Assim, Harari perpassa por toda a história da humanidade, abrangendo a trajetória humana ao longo do tempo.

Há registros de que o homem pré-histórico já acreditava em coisas que existem fora da nossa percepção física, tendo como exemplo uma descoberta no interior da Espanha, em um local por onde passou um grupo de hominídeos, que já demonstravam uma relação com o sagrado. Foram descobertos restos de pedras que não seriam destinados à caça, à coleta ou algo parecido, mas provavelmente eram fragmentos de um pequeno altar para a realização de cerimônias. Tratava-se de um hominídeo precursor do Homo sapiens com poucos recursos materiais e cognitivos. Isso de alguma forma simbolizava a presença do sagrado. Harari fala sobretudo da nossa capacidade de criar a ficção, a imaginação, e daí advém toda a mitologia religiosa e o discurso político. 

No meu entendimento, o sagrado decorre de um sentimento imanente ao ser humano e não fruto da imaginação ou da capacidade de criar a ficção.
Já a escritora Lúcia Helena Galvão, na obra Para entender o Caibalion, conclui que a partir de suas observações, “o filósofo e mitólogo Mircea Eliade (1907-1986), costumava dizer que o homem não se diferencia dos demais animais como Homo sapiens, mas sim como Homo religiosus”. 

O próprio Eliade repetidamente identifica o sagrado como o real, estabelecendo claramente que "o sagrado é uma estrutura da consciência humana".
Eu aprendi que o homem, desde que ficou em pé, e olhando para tudo, suscitou em sua mente uma reverência em relação à majestosa natureza, e teve despertado em seu interior a consciência de algo que lhe era desconhecido, e assim produziu um questionamento íntimo que o levou a buscar o sagrado. Não há registro de nenhum povo que não tenha praticado a religiosidade.

Concluo que o homo sempre foi religiosus e depois virou sapiens.

Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

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