Continuando minha navegação pelos oceanos da gramática, recebi um presente da amiga Vera Tylde de Castro Pinto, a Condessa do Rio Apa, que me presenteou com um livro escrito pela professora Jacira Chamorro Rocha, formada em letras pela UFMS, que atuou no magistério por 40 anos. O título da obra, “Gramática lúdica e personificada”, demonstra que “a gramática não é apenas um conjunto de regras, mas, sim, uma ferramenta para expressar ideias e sentimentos de forma clara, objetiva e precisa”, de acordo com o autor do prefácio, o professor Ademir Barbosa dos Santos.
Como estudioso da língua portuguesa e de seu uso, posso atestar que o livro da professora Jacira nos proporciona a oportunidade de um aprendizado lúdico e atraente.
Escrevo este artigo provocado também pelo professor Cezar Mafus Maksoud, que escreveu: “O caminhar da língua portuguesa no tempo e no espaço é interessantíssimo e nos proporciona muitas surpresas. Um dos estudos mais espetaculares, para mim, é o da ‘semântica’”.
E a semântica, concordo plenamente com o professor Cezar, é um campo magnífico para exercitarmos nossa criatividade e aperfeiçoamento vocabular, já que ela estuda o significado das palavras, frases e expressões que influenciam a interpretação e a transmissão de ideias, sendo crucial para a compreensão textual e uma comunicação eficaz.
A semântica, segundo o Aurélio, “é a arte da significação. Estudo das mudanças ou translações sofridas no tempo e no espaço pela significação das palavras”.
Além disso, a semântica também analisa de que forma as palavras transmitem sentido dentro de um determinado contexto, e investiga as relações entre os termos, como sinônimos e antônimos, e como tudo pode mudar dependendo do modo como é utilizado.
Expandindo a conversa, a semântica não estuda só o que as palavras são, mas o que elas fazem e significam na comunicação, ajudando a desvendar por que uma frase pode ser entendida de várias formas e como o uso da linguagem molda nosso pensamento e interação.
Uma "questão de semântica" refere-se a um problema ou discussão sobre o significado das palavras, frases ou textos, investigando como o contexto, as intenções e as diferentes interpretações (como conotação e denotação) afetam a comunicação, envolvendo conceitos como polissemia e ambiguidade para entender o sentido por trás das formas (significantes) da linguagem.
A semântica vai além da estrutura gramatical (sintaxe) pura e simples. Como já dissemos, ela estuda como o contexto influencia o sentido. Uma mesma palavra pode ter significados diferentes dependendo de onde e como é usada (ex: "manga" fruta, "manga" de camisa), e se constitui essencial para a interpretação de textos, redação, concursos e para o entendimento das nuances da linguagem, incluindo vieses ideológicos (ex: "manifestação" versus "ocupação").
Além disso, temos a metáfora, que é uma parte fundamental da semântica, pois estuda as mudanças de significado das palavras, e a metáfora é um processo semântico que transfere o sentido de uma palavra para outra, criando uma comparação implícita sem conectivos, sendo classificada como uma figura de linguagem que enriquece a própria linguagem. A metáfora é um fenômeno semântico essencial que explora a capacidade das palavras de assumirem novos significados, sendo estudada tanto na retórica quanto na cognição para entender como construímos sentido.
O uso da semântica nos proporciona a oportunidade de estar presente ao que estamos fazendo, saindo da frase feita, do discurso pronto, do automático.
Enfim, viva a semântica.
Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.
