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Homenagem

Escritos: Professor Castro é homenageado pelo Instituto Histórico e Geográfico de MS

31 dezembro 1969 - 21h00

A publicação reúne suas contribuições para periódicos da cidade, assim como a maneira de conduzir a vida ao lado da família, do trabalho, sem esquecer dos fieis amigos conquistados ao longo da vida.

A história de Mato Grosso do Sul certamente recebeu e recebe inúmeras contribuições, mas uma em especial merece nossa atenção: a do professor Arassuay Gomes de Castro. Nascido em Cuiabá, em 16 de abril de 1926, professor Castro, como era mais conhecido, veio para Campo Grande após formar-se em Línguas Neolatinas, em Lorena (SP), e fez breve passagem por Corumbá.

E foi em Campo Grande que pôde dedicar-se com entusiasmo à educação. Lecionou Latim e Português em várias instituições de ensino da cidade. Ao longo de seus 79 anos, exerceu várias profissões: de vendedor a diretor de escola, passando por corretor de imóveis, assessor parlamentar da Assembleia Legislativa e fiscal de rendas. No entanto, independentemente da profissão que ocupava, jamais deixou de dedicar-se à leitura e à escrita. “Meu pai dedicou sua vida inteira em prol da educação”, relata o filho Jary Castro, engenheiro civil e empresário do setor da construção, presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS).

Conforme ele mesmo afirmava, sua paixão pela leitura e escrita e a crença de que a educação é a melhor forma de mudar a realidade social, o fizeram colaborar por anos com periódicos da cidade, como os jornais Correio do Estado, Jornal do Brasil Central, A Crítica, Folha de Campo Grande e Edição Extra, e ainda na Revista Destaque. Os artigos publicados, que discorriam sobre variados assuntos, agora compõem o livro Escritos, que será lançado em 16 de abril, dia em que completaria 85 anos.

Além dessas publicações, o professor ainda escreveu livros sobre  legislação previdenciária no Brasil, impostos, concursos públicos e língua portuguesa. Sua contribuição para a literatura sul-mato-grossense, além de lhe possibilitar integrar a União Brasileira de Escritores (UBE/MS), lhe rendeu um assento como membro efetivo da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, onde chegou a exercer a presidência.

Faleceu em agosto de 2005 deixando um legado para a história de Mato Grosso do Sul. Agora, a publicação de seus escritos vai perpetuar sua contribuição para a cultura do Estado que adotou. O reconhecimento do poder público e de toda a sociedade lhe rendeu uma grande homenagem: uma escola municipal de ensino fundamental e médio, no Bairro Miguel Couto, em Campo Grande, leva seu nome. Ensinar era certamente sua maior paixão.

Castro chegou a Campo Grande, vindo de Corumbá. Casou-se com Maria José Carvalho, em 1956, com quem teve três filhos: Jair, Jary e Flávio.
O Castro era um sujeito muito tradicional.

BIOGRAFIA DO PROFESSOR CASTRO - Arassuay Gomes de Castro

Nascido em Cuiabá, em 16 de abril de 1926, Arassuay Gomes de Castro estudou na Escola São Pedro e no Ginásio São Gonçalo. Graduou-se em línguas neolatinas na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da cidade de Lorena (SP).

Castro chegou a Campo Grande, vindo de Corumbá. Casou-se com Maria José Carvalho, em 1956, com quem teve três filhos: Jair, Jary e Flávio. Os três se graduaram no Rio de Janeiro: Jair, médico otorrinolaringologista (reside no Rio de Janeiro); Jary, engenheiro civil, empresário no ramo da construção civil, é presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato Grosso do Sul (CREA-MS); Flávio, administrador e bacharelando em Direito, é servidor público federal, atualmente lotado no Tribunal Regional do Trabalho (24.ª Região).

Arassuay Gomes de Castro lecionou no Colégio Estadual de Campo Grande, no Colégio Osvaldo Cruz e no Ginásio Barão do Rio Branco, colégio onde foi diretor por muitos anos e onde também conheceu sua esposa, Maria José. Foi professor de latim e de português no Ginásio Barão do Rio Branco, que funcionava no período noturno no prédio do Colégio Joaquim Murtinho, na Avenida Afonso Pena. Foi lá que o conheci quando fiz o ginásio naquele histórico colégio. Isso nos idos de 1953.

Castro, como era conhecido, trabalhou muito tempo como funcionário do antigo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários (IAPC) e foi obreiro da Augusta e Respeitável Loja Maçônica do Estado de Mato Grosso do Sul, exercendo também o cargo de Venerável Mestre.

Quando voltei para Campo Grande, em 1970, oriundo de São Paulo, representando a Univest Fundo de Investimentos, encontrei na rua a Mariazinha, sua mulher, irmã do meu grande amigo Flaviano Carvalho. Conversando sobre vários assuntos, ela me perguntou em que eu estava trabalhando; expliquei qual era a minha atividade e que precisava contratar homens de venda. Ela me disse de imediato e com entusiasmo: “Procure o Castro. Ele sabe vender”.

Quando me despedi dela, fui imediatamente procurar o professor Castro. Ela me havia dado o seu endereço comercial: na Avenida Afonso Pena, onde funciona o Cartório Santos Pereira, do 2.° Ofício.

Lá chegando, fui encontrar o meu amigo sentado a uma mesa, no canto esquerdo do salão, com fisionomia de abatimento e prostração, o olhar perdido ao longe.

Quando me apresentei e falei do meu propósito de contratá-lo, seus olhos se acenderam, ele pulou e me disse: “Era isso que eu estava esperando”. Dei-lhe as primeiras instruções; no dia seguinte, já estava logo cedo no meu escritório, pronto para o seu credenciamento e para receber a pasta com o material de venda. Foi um dos melhores profissionais na área de venda de papéis. E, como sempre, muito metódico e econômico, soube aplicar bem o dinheiro ganho.

Depois trabalhamos também no Banco Finasa de Investimentos, onde sempre esteve na linha de frente de produção.  Quando em 1980 fui eleito presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis, profissão que ele também abraçou, Castro foi o diretor-secretário da primeira gestão. Logo depois, resolveu prestar concurso para fiscal de rendas do estado e, sendo aprovado, começou assim um novo ciclo em sua vida.

O Castro era um sujeito muito tradicional. No Dia de Reis (6 de janeiro), nos reuníamos na casa do Borba (José Camargo Borba), para tomar vinho e participar da cerimônia ritualística de degustação de romã (que ele encenava com muita compenetração e seriedade), relatando o seu significado e o que representam os Reis Magos. Lembro-me até hoje de como as minhas filhas acompanhavam magnetizadas, com um olhar de reverência, a forma como ele conduzia essa cerimônia.

Depois demos continuidade a essa tradição em minha casa. A presença do Castro era indispensável.

Após passar no concurso para fiscal de renda, ele escreveu o seu primeiro livro, A PREVIDÊNCIA SOCIAL POR PERGUNTAS E RESPOSTAS; a seguir, publicou MANUAL DOS CONCURSOS PÚBLICOS, compartilhando a sua experiência e orientando futuros candidatos a cargos públicos. E lançou, ainda, INFRAÇÕES E PENALIDADES DO ICM. Castro ainda tinha prontos para publicação: LIÇÕES DA LÍNGUA VERNÁCULA, HISTÓRIA DOS IMPOSTOS, PANORAMA DA LITERATURA NACIONAL E UMA JANELA SOBRE O TEMPO.

Como fiscal de rendas, Castro trabalhou nas cidades de Bataguaçu, Ivinhema, Nova Andradina, Amambai, Fátima do Sul, Corumbá e Coxim, onde se aposentou.

A par de suas atividades profissionais começou a colaborar com os jornais Correio do Estado, Jornal do Brasil Central, A Crítica, Folha de Campo Grande e Edição Extra e na Revista Destaque, com artigos que selecionamos para apresentação neste livro. Castro foi admitido como membro efetivo da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, tendo inclusive exercido a sua presidência. Foi também assessor de gabinete de Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul por cinco anos, prestando assessoria nas áreas de direito tributário e previdenciário.

Arassuay Gomes de Castro sempre foi muito voltado para a família. Quando seus filhos terminaram o segundo grau, tratou de imediato de proporcionar-lhes condições de estudos no Rio de Janeiro, onde eles se graduaram, correspondendo aos seus esforços.

O Castro teve na Mariazinha uma companheira leal, dedicada e que encarnou com muita propriedade a esposa ideal, que o Rei Salomão exalta no Livro dos Provérbios (cap.30, vv.10 a 28): “Ela vale muito mais do que pérolas. Seu marido confia nela e não deixa de encontrar vantagens. Ela traz para ele a felicidade e não a desgraça, em todos os dias de sua vida. (...). Ela se veste de força e dignidade e sorri para o futuro. Ela abre o andamento da casa, e seu alimento e fruto do seu trabalho. Seus filhos se levantam para cumprimentá-la e seu marido a elogia: ‘Muitas mulheres são fortes, mas você superou a todas elas!’”. Não era por acaso que só se referia a ela como “Santa Maria”.

Este é um breve relato da sua profícua vida.
 

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