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Entrevistas

Thales de Souza Campos- presidente do Conselho Regional de Economia de Mato Grosso do Sul - CORECON MS
Thales de Souza Campos- presidente do Conselho Regional de Economia de Mato Grosso do Sul - CORECON MSA Crítica
DIA DO ECONOMISTA

O Conselho é um órgão de fiscalização da categoria economista e, concluída essa missão, tem a obrigação de apoiar a sociedade

Corecon comemorou o Dia do Economista com atividades e homenagens a profissionais que se destacaram no desenvolvimento do Estado

O Conselho Regional de Economia de MS (CORECON MS) promoveu a Semana de Economia 2017 entre os dias 9, 10 e 11 de agosto, como parte das homenagens ao Dia do Economista, comemorado neste domingo, 13 de agosto. "Esse profissional tem um papel importante na valorização da imagem do País, pois ele trabalha com dados e outros subsídios de análise de acontecimentos e de repercussão de fatos que movem o mundo, com estratégias que auxiliam no desenvolvimento de ferramentas que realmente impulsionam instituições e o próprio País", defende o presidente do CORECON MS, Thales de Souza Campos.

Durante os três dias, várias atividades foram programadas.  Entrega a economistas que atuam no setor privado e público receberam o Diploma de Mérito Econômico, concedido pela Câmara Municipal de Campo Grande. Profissionais e acadêmicos participaram de visita técnica à cervejaria Campo Grande. A fábrica da cerveja Bamboa iniciou as atividades este ano, com investimentos de R$ 50 milhões, gerando 162 empregos diretos e uma capacidade instalada para produzir 10 milhões de latas/mês ou 3,5 milhões de litros de cerveja.

Teve ainda a entrega de Comendas para profissionais que têm destaque no cenário sul-mato-grossense pela atuação em prol do desenvolvimento econômico e também pela valorização profissional. Um dos homenageados foi o economista Cid Isidoro Demarco Martins, falecido em novembro do ano passado, que teve a homenagem póstuma, além do presidente do Sistema Fecomércio MS Edison Araújo, que recebeuComenda Guaycurus de Economia. 

Para o presidente do Corecon, além de fiscalizar a categoria profissional, o Conselho tem de valorizar a profissão e promover o desenvolvimento econômico. Thales destaca aindao projeto de responsabilidade social implantado em Mato Grosso do Sul pelo Corecon, que serviu de espelho para outros estados do País.

Na comemoração da Semana do Economista, teve também a publicação da revista da entidade, que traz reportagens de interesse da categoria e matéria sobre o cenário econômico com os economistas LuisIglecias (primeiro presidente do Conselho em MS), o economista e senador Pedro Chaves e o economista recém-formado Daniel Vasconcelos.  "É a contribuição profissional de cada um mostrando como foi o contexto no passado, presente e projeção para o futuro", conta Thales.

Acompanhe a entrevista:

A Crítica – Neste domingo é comemorado o Dia do Economista, o que o Conselho preparou para a categoria?

Thales de Souza Campos – A categoria dos economistas, costumo dizer que não é numerosa, como outras com mais de 15 mil profissionais, tem em torno de 1.100 profissionais registrados. Preparamos uma semana de Economia diferente, mais prática do que com palestras. No dia 9, na Câmara Municipal teve a entrega da homenagem aos economistas que prestaram algum trabalho para o desenvolvimentode Campo Grande. Na quinta-feira, 10, visitamos um projeto implantado em um empreendimento em Campo Grande que teve resultado. O economista também participa na construção desses projetos, pois ao se fazer um empreendimento, várias categorias são envolvidas, desde o engenheiro que checa a parte física, etc., passando pelo economista que fará o estudo de viabilidade econômica daquele empreendimento, daquela região e localidade. Logo depois o administrador vaiadministrar, ocontador fará a contabilidade e assim por diante. É tudo um processo e visitamos um projeto desse tipo, algo prático para economistas e também para acadêmicos de economia, que é a fábrica da cerveja Bamboa, a Cervejaria Campo Grande.

Na sexta-feira, 11, fizemos a entrega das duas grandes comendas que temos em Mato Grosso do Sul. Uma é a comenda Adam Smith, que é o economista que fez o processo de capitalismo de desenvolvimento do mundo, que será entregue ao economista Ricardo Senna,  secretário-adjunto da Semagro. A outra comenda é a Guaycurus de economia. Mas quem é Guaycurus: Foi um índio que fazia escambo – troca de mercadorias. Ele saía para caçar e trocava sua caça por algum produto agrícola. Essa comenda é oferecida a um empresário que tenha provocado o desenvolvimento no Estado de Mato Grosso do Sul. Este ano o homenageado foi o presidente do Sistema Fecomércio MS e do Conselho Deliberativo do Sebrae, Edison Ferreira Araújo, e a homenagem foi entregue em cerimônia no Asilo São João Bosco.

Nesse processo todo, lançamos a quarta revista anual do Corecon, com entrevistas especiais. Uma entrevista com o economista LuisIgleciasfala sobre o aspecto monetário. A outra é com o economista e também político, o senador Pedro Chaves, que vai passar um cenário atual da economia brasileira. Por fim, a entrevista com um jovem economista, Daniel Vasconcelos,sobre o que ele pensa do futuro. Então, teremos três visões da economia, o passado, presente e o futuro. Além de tudo isso, temos parcerias com vários órgãos como a prefeitura para dar apoio às incubadoras de Campo Grande na orientação nesse processo de gestão.

A Crítica – Por que a entrega da Comenda no Asilo São João Bosco? Qual a relação desse local com a economia ou com o evento dos economistas?

Thales de Souza Campos – Fizemos no Asilo São João Bosco porque lá tem um centro de eventos e o Corecon, em um projeto social apadrinhou o asilo para construir um planejamento na entidade. É um planejamento de curto, médio e longo prazo, visando o centenário da instituição, que será em 2023. O Asilo São João Bosco passou por uma crise em 2015 e quase fechou as portas. O Corecon fez uma pareceria com a atual diretoria da instituição e auxiliamos na elaboração desse planejamento. Na primeira parte, que é de curto prazo até 2018, vamos fazer o saneamento financeiro, organizar as finanças do asilo, verificar a dívida e reorganizar. No segundo momento, de médio prazo até 2020, será a parte econômica, como uma possível ampliação, reorganização total do asilo no aspecto econômico. E, por último, visando 2023, refere-se à sustentabilidade econômica do asilo. Depender o menos possível do poder público no aspecto financeiro. Atualmente o asilo depende entre 20 a 27% do poder público. O restante são receitas próprias. Queremos reorganizar essa situação para que o asilo possa ter vida própria.

A Crítica – Por tudo isso, verifica-se que o Conselho não é apenas um órgão de fiscalização de uma classe profissional, mas também de apoio?

Thales de Souza Campos – O Conselho é um órgão de fiscalizaçãoda categoria economista. Essa é a missão básica. Concluída essa missão, tem a obrigação de apoiar a sociedade, principalmente em seus projetos sociais. Então, porque não unir o útil ao agradável? De economia todos falam, só o fato de se pôr a mão no bolso para pagar algo é economia. Nossa obrigação então é de apoiar projetos sociais, dentro de um projeto que chamamos de responsabilidade social, que incluímos no Conselho de Economia. Um projeto que nasceu em Mato Grosso do Sul em 2015 e hoje já existe em vários estados brasileiros. Isso porque o Conselho Federal de Economia nos fez como um ‘case’de sucesso e outros estados desenvolveram esse projeto de responsabilidade social.

A Crítica – Como o senhor disse, a economia está na vida de todos. Porém há muito tempo se fala em economia e o fato de se ter poucos economistas no Estado não se torna um contrassenso por ser um tema tão importante mas com poucos profissionais?

Thales de Souza Campos – É algo muito sério. Chegamos a ter cinco cursos de economia em Mato Grosso do Sul e hoje temos três: na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, na UFGD – Grande Dourados e na UEMS em Ponta Porã. Porém, essa necessidade da economia é muito mais séria, pois todos nós fazemos economia. A grande questão da economia é utilizar aquilo que você pode, ou seja, se a pessoa ganha R$ 100, de preferência gaste R$ 95 e poupe os outros R$ 5. Infelizmente não é isso que acontece pela falta de orientação dos técnicos em economia. E por falta também da educação financeira, que é outro projeto que o Conselho tem, com uma cartilha para isso. Os órgãos públicos, principalmente, têm essa dificuldade, tanto que está se prevendo um déficit de quase R$ 173 bilhões nas contas do Brasil. Deveria ser ao contrário, com previsãode superávit. Não se pode gastar mais do que se recebe e isso vai desde a família, passando por uma pequena empresa até chegar aos grandes conglomerados.

A Crítica – Com toda essa crise econômica, recessão, que o País passa, o economista tem de exercer um papel diferenciado na sociedade?

Thales de Souza Campos – O economista, com todo respeito aos sociólogos, psicólogos, acaba também fazendo esse papel de orientação. Temos no Corecon um atendimento que é a economia doméstica com educação financeira. Costumo dizer que ter dívida não é defeito, pois aquele que compra parcelado é porque tem crédito e capacidade.

A Crítica – O senhor é defensor de que a educação financeira deva ter início no ensino fundamental das crianças?

Thales de Souza Campos – É importantíssimo. Hoje em dia tentamos incluir a educação financeira em escolas, mas há dificuldades, por ter uma grade curricular e outras barreiras. Nosso entendimento é que desde a mesada da criança tem que ser organizada, para que ela no futuro não venha gastar mais do que realmente pode.

A Crítica – Como o Conselho pode contribuir com a sociedade para compreender essa educação financeira?

Thales de Souza Campos – Recentemente, o Conselho lançou uma cartilha financeira que está disponível no Corecon e quem se interessar basta ligar (67 - 3356-4796 / 67 - 3356-7405) e pedir para receber. Estamos também em fase de finalização da editoração eletrônica para viabilizar o site do Conselho (http://www.coreconms.org.br/).Essa cartilha tem todo o passo a passo para se construir uma educação financeira saudável para a vida das pessoas, organizações, empresas. Tem um programa simples, onde se colocam receita e despesa e, ao final de período determinado, são demonstrados os respectivos balanços para poder conduzir a vida adequadamente.

A Crítica – Além da cartilha, se uma pessoa necessitar de algum tipo de informação e orientação econômica, o Conselho presta esse serviço?

Thales de Souza Campos – Temos como orientar com os profissionais no Conselho. O economista tem várias funções, pode ser de uma grande empresa, que cuida de um planejamento, cuida da educação financeira, pode ser alguém que cuida da finança familiar e, em qualquer um dos casos, estaremos indicando quem possa oferecer uma orientação. Nossa intenção é principalmente decifrar esse ‘economês’. Índices como déficit, superávit, em vez de “quanto você ganha “e “quanto você gasta”. Então, essa contribuição também é muito importante.

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