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DIA DO VETERINÁRIO

Nós, médicos veterinários, temos um papel fundamental na sobrevivência da espécie humana

Aqui em Mato Grosso do Sul temos cinco escolas que ao longo dos anos têm mantido a qualidade da formação de profissionais

11 Setembro 2017 - 12h18Alberto Gonçalves
João Vieira de Almeida Neto - Presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul
João Vieira de Almeida Neto - Presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul

Em comemoração ao Dia do Médico Veterinário, celebrado em 9 de setembro, o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul (CRMV/MS) homenageia os médicos veterinários que desempenham sua função de garantir a saúde dos animais, do meio ambiente e da sociedade. Em Mato Grosso do Sul são cerca de 4.500 profissionais atuantes.

Em sua campanha, o CRMV/MS divulga este mês em outdoors, anúncios em jornais, rádios e televisão o trabalho dos profissionais que atuam na produção de grandes animais, nos cuidados com os animais de pequeno porte e na inspeção dos alimentos de origem animal. “A economia do nosso Estado, que é baseada no agronegócio, tem na nossa profissão um de seus maiores parceiros”, comenta o presidente do CRMV-MS, João Vieira de Almeida Neto.

Os médicos veterinários que trabalham no campo têm grande destaque no Mato Grosso do Sul. O Estado, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é o segundo maior em número de abates de bovinos. A produção suína e de aves também têm ganhado cada vez mais força em MS. Estas atividades impulsionam a economia estadual, sendo fundamental a presença do médico veterinário na produção animal para garantir bons resultados no agronegócio.

O profissional que atua na área é responsável por manter os animais saudáveis, controlar e prevenir doenças, preservar o meio ambiente e aumentar a rentabilidade do produtor, garantindo desta maneira maiores lucros.

O trabalho do médico veterinário não está restrito somente às fazendas, nos frigoríficos ou laticínios. O médico veterinário é o único profissional habilitado para avaliar e controlar se a matéria-prima está adequada para consumo humano.

Também cabe ao médico veterinário ser o único profissional capacitado a atender clinicamente e cirurgicamente os animais de pequeno porte, desde seu nascimento até a idade avançada. Por meio de vacinas, medicamentos e cirurgias, os médicos veterinários asseguram o bem-estar dos animais e previnem doenças, garantindo assim a saúde dos bichos de estimação e de sua família.

O presidente do CRMV, João Vieira de Almeida Neto, concedeu entrevista e comentou sobre a profissão do médico veterinário e sua participação, tanto na área de saúde, como também na economia e na sociedade. Acompanhe:

A Crítica – Como o senhor define o papel do médico veterinário nos dias atuais, uma vez que ele tem uma importância para a sociedade e também para saúde animal?

João Vieira de Almeida Neto – A sociedade, em determinado momento, estabelece os profissionais que ela precisa para viver melhor. Todos nós profissionaisestamos a serviço da sociedade. Nós, médicos veterinários, temos um papel fundamental na sobrevivência da espécie humana. Isso porque a história da espécie humana é ligada aos animais, nosso convívio com eles. São os cavalos que transportavam os homens, os bois puxavam as cargas, os cães que auxiliavam nas caças e na guarda das residências. A vida da humanidade está associada aos animais. E quem cuida da saúde desses importantes aliados em nossa evolução são os médicos veterinários. Sem falar da questão da alimentação, pois os produtos de origem animal são a base de proteína do mundo: os ovos, leite, queijos, carnes de boi, frango, suínos, ovinos, peixe. O sistema de produção e proteção de saúde desses animais, o momento do abate, a análise a qualidade dessa carne que vai chegar à mesa do consumidor, passam pela mão do médico veterinário. Não há profissional, no Brasil e no mundo, habilitado a lidar com os produtos de origem animal, a não ser o médico veterinário.

Muitas vezes associamos a figura do veterinário à clinica e cirurgia dos grandes e pequenos animais. Mas vai muito mais além. A OMS – Organização Mundial da Saúde - criou o conceito de saúde única. O conceito é ambiente saudável, saúde animal e saúde humana, formando um tripé indissociável. Esses três fatores têm de estar ligados e cuidados para termos saúde. A partir desse conceito de saúde única foi consolidada a importância da medicina veterinárianas questões de saúde pública.

A Crítica –O médico veterinário diante de sua importância tem influência também na economia mundial?

João Vieira de Almeida Neto – Fundamentalmente na economia. Se considerarmos que quem sustenta o PIB do Brasil, nos últimos anos principalmente, é o agronegócio, através da exportação de carnes de bovinos, suínos e aves,ninguém compraria carne do Brasil se ela não fosse absolutamente saudável. Tiveram até algumas tentativas de denegrir a imagem da qualidade da carne e não conseguiram. Isso porque problemas pontuais que ocorreram e foram prontamente resolvidos pelas autoridades não desqualificaram o produto. O comprador vem ao Brasil visitar as propriedades e todo ano vem uma missão de vários países do mundo que compram do Brasil visitar as propriedades, os frigoríficos. Estão absolutamente seguros da qualidade da carne brasileira, não só no aspecto do paladar, mas também da questão sanitária.

A Crítica – Assim como em outras áreas médicas, o veterinário também tem especialidades?

João Vieira de Almeida Neto – Sim, muitas. Há veterinários trabalhando em várias áreas. Tem, por exemplo, o veterinário de pequenos animais e dentro dessa área de atuação já há uma diversidade de especializações. O médico veterinário, que é clínico e especialista em diagnóstico por imagem; há ainda o especialista em oftalmologia, ortopedia, anestesista veterinário, fisioterapia, até mesmo os profissionais de alternativas de fisioterapia como acupuntura, hidroterapia. Aqueles que trabalham com grandes animais têm especialistas em reprodução, nutrição e uma gama enorme de especialidades. Na verdade quem demanda a evolução é a sociedade. O cão era um animal de quintal, hoje ele convive dentro da casa, fazendo companhia para a família, adotado como um membro familiar. Então, cada vez mais se aplicam cuidados a esse animal. No caso dos grande animais, a produtividade exigida hoje, na questão da produção de carne precoce, por exemplo,exige adaptação e especialização.

A Crítica – Na questão da formação do veterinário, as universidades de Mato Grosso do Sul estão aptas a receber o volume de estudantes que pretendem ingressar na área?

João Vieira de Almeida Neto – Sim. Diria que as universidades hoje estão muito bem estruturadas. Temos boas escolas de veterinária e esperamos que melhorem cada vez mais, sem necessariamente ter de aumentar a quantidade de vagas. O grande desafio de qualquerprofissão hoje é a qualidade dos profissionais. Temos de focar e manter a qualidade do profissional. Houve uma explosão de faculdades no Brasil em todas as profissões e na medicina veterinária passamos de 270 escolas. O Brasil sozinho tem mais escolas de veterinária do que o restante do mundo, para se ter uma ideia. É muita escola e,obviamente, a qualidade dessas que vão surgindo sem estrutura deixam a desejar. Aqui em Mato Grosso do Sul temos cinco escolas que ao longo dos anos têm mantido a qualidade da formação de profissionais.

A Crítica – Quantos profissionais veterinários há hoje em Mato Grosso do Sul?

João Vieira de Almeida Neto – Temos em torno de 6 mil profissionais inscritos no Conselho de Medicina Veterinária. Atuantes, temos em torno de 4,5 mil profissionais, desde que foi criado o Conselho, que fará 40 anos em 2018. É uma moçada trabalhando duro e cada vez abrindo mais mercado de trabalho. As prefeituras têm de ter médico veterinário em seus centros de zoonoses, para tratar da questão da leishmaniose, raiva, e tantas outras doenças zoonóticas que são atribuições do médico veterinário.

A Crítica – Nos últimos anos houve uma considerável explosão do surgimento de Pet Shop. Qual o papel do Conselho nessa questão, já quem nem todas essas lojas têm médico veterinário?

João Vieira de Almeida Neto – Digo o seguinte: quem tem animal e ama esse animal não o levaria em qualquer lugar. Levaria em um local que tivesse um médico veterinário como responsável técnico. E o Conselho fiscaliza todos esses estabelecimentos. Uma das providências que tomei ao assumir o Conselho em 2013, junto com minha diretoria e conselheiros, foi investir na equipe de fiscalização. Adquirimos veículos, fizemos concurso público e contratamos mais fiscais e triplicamos o número de fiscalizações no Estado. Nossos fiscais têm umroteiro de trabalho previamente estabelecido. São alertados sobre algum novo estabelecimento sem médico veterinário, vão o local e dão prazo para que se regularize junto ao Conselho em relação ao responsável técnico.

É importante que isso ocorra, porque a pessoa leva o animal a uma loja de produtos veterinários e precisa ter certeza que os produtos ali comercializados estão corretos, dentro da legislação. O veterinário não consulta e não prescreve dentro de um estabelecimento comercial, é vetado a ele fazer isso. Mas ele é responsável por fiscalizar aquele estabelecimento e garantir que ali dentro só sejam comercializados produtos legais. Ele pode orientaro proprietário e funcionários dos estabelecimentos sobre como devem agir com os animais, como por exemplo não fazendo a vacinação porque é proibido. Essa é uma área privativa do médico veterinário, que tem de examinar o animal em seu consultório ou clínica, antes para saber se o animal pode receber aquela medicação ou vacina. Então, em hipótese alguma. um leigo pode fazer qualquer vacinação ou medicação para um animal.

A Crítica – Em síntese, qual o papel fundamental do Conselho de Medicina Veterinária?

João Vieira de Almeida Neto – Quem criou o Conselho foi a sociedade, ao precisar de um órgão regulador, queregistre os profissionais e que diga o João Vieira é veterinário. Por que ele é veterinário? Temos o diploma dele, está regularmente atuando como profissional, e está identificado. Por que eu pago um Conselho todo ano? Alguns colegas, e principalmente o brasileiro que está cansado de pagar imposto,às vezes reclamam de pagar a anuidade doseu Conselho. Os Conselhos de classe se auto-sustentam. O Conselho de Mato Grosso do Sul não recebe dinheiro, recursode ninguém. O recurso que sustenta os funcionários, a estrutura de atendimento, a fiscalização, é o recurso arrecadado com a anuidade. A diretoria e os conselheiros não são assalariados, são cargos honoríficos e prestam-se contas ao Tribunal de Contas da União de cada valor gasto. Eu, minha diretoria e conselheiros temos tido a grata satisfação de melhorar a imagem da instituição, melhorar as condições de trabalho para os nossos profissionais, ao combater as irregularidades, infrações, fiscalizando frigoríficos, prefeituras, clínicas, lojas que comercializam produtos veterinários, exigindo que ali tenha um profissional médico veterinário.

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