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Lições do Vale do Silício para a inovação tecnológica do Brasil

Romulo Cioffi, Vice-Presidente de Operações da Squadra Tecnologia

1 junho 2020 - 08h51
Romulo Cioffi - Vice Presidente de Operações da Squadra Tecnologia
Romulo Cioffi - Vice Presidente de Operações da Squadra Tecnologia - Divulgação

Reconhecido como o principal polo de inovação do mundo, o Vale do Silício (Califórnia -Estados Unidos) é o ambiente dos sonhos para qualquer novo empreendedor. Afinal de contas, estamos falando de uma região que abriga os headquarters de algumas das maiores empresas da atualidade, como Amazon, Google e Uber, e outras centenas de startups que nem conhecemos, mas que estão movimentando bilhões de dólares por todo o mundo.

Sendo assim, a dúvida é: o que o Vale do Silício faz de diferente e que pode ser replicado para o nosso ecossistema empresarial? Responder essa pergunta, evidentemente, está longe de ser uma tarefa simples. Ainda assim, é possível dizer que sem a junção de tecnologia, investimento e visão aberta à inovação nenhuma empresa do Silicon Valey teria sucesso.

Replicar o Vale do Silício no Brasil – ou em qualquer parte do mundo – depende de uma soma de fatores, tais como a mudança de mindset e orientação à tecnologia, que permitam a transformação e o avanço. O próprio pólo norte-americano nos ensina isso, ao mostrar que qualquer empresa independente do setor ou área de atuação, hoje, é uma companhia de tecnologia. Quer exemplos? A Netflix e o Uber podem não ser fornecedores de TI, mas elas precisam pensar a transformação digital e a evolução de seus sistemas como parte vital para o desenvolvimento de seus negócios.

Não por acaso, pesquisas do Gartner indicam que a aplicação de programas de digitalização dos processos e serviços está nos planos de quase 80% dos Chief Executive Officers (CEO) globais, com a tecnologia sendo o ingrediente principal ou uma condição básica em todas as 10 maiores prioridades para os próximos anos. Em outras palavras, a tecnologia deve ser vista como o impulsionador que simplificará ou guiará os esforços das operações para o futuro, permitindo que a real inovação aconteça.

Para alcançar esse resultado, no entanto, as lideranças executivas dessas novas companhias devem ter acesso a um contexto que busque replicar as condições a que as companhias do Vale estão expostas, ou seja, um ambiente aberto à inovação, com condições atraentes para a aplicação de novos investimentos, políticas públicas alinhadas às demandas do mercado e um ecossistema capaz de estimular a concorrência interna e o crescimento de novas empresas.

A principal lição do Vale do Silício para as startups do Brasil é justamente a formação desse ecossistema de colaboração e desenvolvimento contínuo. É preciso pensar em como podemos aplicar esse modelo de pensamento aqui, criando condições mais favoráveis para os empreendedores e usando as inovações disponíveis (da tecnologia e do mercado) a nosso favor.

Essa é uma necessidade que fica clara, principalmente, quando avaliamos os números do Vale do Silício de forma mais atenta. Hoje, dos mais de 390 unicórnios (startups com valor estimado acima de 1 bilhão de dólares) existentes em todo o mundo, 109 são da região da Baía de São Francisco (sendo que 30 destes negócios alcançaram esse nível em 2019). O que mostra bem a capacidade de atração dos investidores e a existência de um ambiente propício à geração de valor.

Portanto, outra lição recorrente do Vale do Silício é que quem teve sucesso em uma startup (ou empresa) reinveste em outras startups. A evolução do ecossistema é precisa ser encarada como uma iniciativa de mão dupla, em que todos têm seu papel: o investimento em uma nova ideia melhora a sociedade e, ao mesmo tempo, abre a chance da companhia encontrar novas possibilidades de negócios e pessoas.

Neste ponto, outra lição da região que abriga o Google e a Amazon é a ampla presença de Universidades, com jovens de mente aberta e visões de mundo diferente. A formação de novos profissionais é um ponto essencialmente importante para entendermos como aplicar a tecnologia para a transformação do mundo. Principalmente agora, em uma era na qual as empresas precisam estabelecer um propósito claro para a orientação de seu rumo estratégico, buscando e contando com colaboradores que realmente agregarão expertise, pensamento inovador e visão social à empresa. Por isso, saber contratar as pessoas certas e alinhadas ao propósito é uma competência chave para o sucesso dos negócios no mundo atual e algo que as empresas do Vale do Silício acentuam a cada dia.

Entre os principais aprendizados dos grandes nomes do Silicon Valley, portanto, está a necessidade de transmitir os aprendizados com o mundo. A colaboração e o compartilhamento são pontos muito importantes no mundo atual, e as companhias devem garantir que suas grandes conquistas e experiências de seus negócios retornarão à sociedade, impactando a vida das pessoas. A vida dos empreendedores é cercada por desafios. Crescer e inovar, contudo, são duas demandas que precisam fazer parte, sempre, das missões diárias. É necessário continuar aprendendo.

A disponibilidade de sistemas e modelos de computação estão à disposição para serem usados e apoiarem essa jornada. São esses recursos, afinal, que podem ajudar os empreendedores a garantirem mais inteligência e eficiência às ofertas e ao próprio modo de operação de seus negócios. É preciso avançar nesse estágio o quanto antes, pois empresas do mundo inteiro estão disputando o mesmo espaço. A inovação não está restrita ao Vale do Silício, e é hora de nosso ecossistema corporativo local também avançar nesse processo. As organizações que querem sobreviver ao futuro com bons resultados não têm tempo a perder. Suas estratégias e ações devem começar agora.