O Mato Grosso do Sul saiu bem na foto. Está entre os melhores Estados do País, e, sobretudo, foi o que teve maior avanço. Há várias maneiras de olhar os resultados da Prova Brasil. O Ministério, neste ano, preferiu usar os indicadores do IDEB, pois as metas para 2011 já haviam sido atingidas em 2009 e foi fácil cantar vitória.
Em 2005, o Estado, junto com Mato Grosso e Goiás, estava abaixo da média nacional. Hoje, seu desempenho está à frente dos outros dois e é o dobro do de Brasília. Em uma mesma região, difere o nível de qualidade do ensino. Isso significa que, para além de fatores gerais, deve haver algo específico nas políticas educacionais locais que contribuíram para a melhoria.
Os números absolutos - 198 e 245 pontos em Língua Portuguesa e 219 e 253 em Matemática, nos 5º e 9º ano, respectivamente - ainda estão longe do desejável e do necessário. Mas os progressos são significativos e estáveis. Os dados do conjunto dos municípios não estão disponíveis, mas a comparação entre os melhores deles é esclarecedora.
Na capital, as duas redes continuam evoluindo e convergindo. No interior, há alguns destaques interessantes, que permitem identificar diferenças marcantes no avanço da rede estadual em comparação às municipais. Dentre as 11 cidades de maior porte no interior, 45% das escolas tiveram notas superiores a 200 pontos no 5º ano, contra 25% das escolas municipais. Se considerarmos apenas os municípios de Aquidauana, Corumbá, Dourados, Pontaporã e Três Lagoas, a diferença torna-se ainda maior a favor da rede estadual 42,6% versus 17,4%.
Não há espaço para euforia, mas para reflexão. O Mato Grosso do Sul, assim como Santa Catarina, vem conseguindo evoluir de forma estável, e, dentro do Estado, a rede estadual como um todo começa a colher frutos das políticas implementadas. Onde são melhor sistematizadas, os resultados aparecem mais depressa. O que já se conseguiu aponta para o acerto das opções, mas essas políticas ainda não foram universalizadas nas séries iniciais, e ainda não chegaram às finais. O desafio é, portanto, consolidar, avançar e universalizar os avanços obtidos nas séries iniciais.
Ao mesmo tempo, é necessário estimular a municipalização e a melhoria das redes municipais, pois a ninguém interessa que apenas uma rede seja boa. Para isso, a articulação com os novos prefeitos será essencial. Reformar a educação é difícil, e o pouco que se pode fazer e colher dentro de um mandato requer enorme prudência, competência, foco e pontaria.
*Presidente do Instituto Alfa e Beto