Quarta, 22 de Maio de 2013 - Editado desde: 01 de agosto de 1980
 
 
 
 
O consumo do brasileiro caiu em março, em relação a 2012. Você fez algum corte no orçamento e porquê?
Não, ainda.
Fiz, por conta da inflação sobre preços em geral.
Não tive tempo para pensar nisso.
Sim, por conta da instabilidade no emprego.
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Corrupção é loucura?
 
Segunda, 27 de Agosto de 2012
Autor: Psicanalista - Valfrido M. Chaves*
vmcpantaneiro@terra.com.br

 

Sabe-se que todo ladrão mente e que quase todo mentiroso rouba. A mentira, para o ladrão, é como a borda recheada de sua prazerosa pizza e através das quais, o roubo e a mentira, ele concretiza os devaneios de poder, onipotência, graças  aos quais supera os sentimentos de insignificância e intimidação que atormentam sua alma.  Como navegamos em tempos de Mensalão e Cachoeira, não dá para, dentro da temática do roubo e da mentira, deixar de lado o universal flagelo da corrupção, uma forma sofisticada de roubo. Ou seja,  apropriação de recursos públicos para uso particular  ou manutenção e apropriação do poder, o inebriante poder.

Inebriante, leitor, porque o poder, em si, com suas pompas, ritos e puxa-sacos,  já satisfazem o narcisismo, a vaidade e  as necessidades mais moderadas de compensação àquelas já citadas dores da alma.  Mas, com a apropriação de recursos públicos, geralmente fortunas, “o buraco é mais embaixo” , pois, através da corrupção, alimenta-se o sentimento de que “eu posso tudo”, sobretudo, quando esfrego na cara da sociedade, a minha impunidade! E roubar, apropriar-se,  não é nada diante do sentimento de poder e onipotência que provem, justamente, da impunidade, a borda mais recheada da  já alucinante pizza da corrupção.

Neste ponto, leitor, ouso trazer outro lado da questão, levantado pela Psicanalista Marion Minerbo, em seu artigo “Corrupção, poder e loucura: um campo transferencial”. Após apontar a corrupção como um tipo de loucura do sujeito que nada teme e relacionar tal “loucura” com a “criança-no –adulto” do corrupto, ou seja, seus aspectos infantis, aquela estudiosa  nos apresenta a idéia de “poderoso”/”intimidado”, sentimentos que podemos trazer na alma. Entende-se então que, antes de atuar como o que “a tudo pode”, o infeliz sentiu-se como “o que nada podia”,  o insignificante. Do ponto de vista coletivo, entretanto, para que um possa atuar como “O poderoso”, é necessário que outro, na sociedade, atue como vitima, “intimidado, subserviente e impotente, que não se autoriza a sinalizar ao primeiro os limites de sua onipotência”. Só haveria, então, corrupção de uns, com a subserviência da maioria ao corrupto.

No caso do “Mensalão”, expressão que recentemente quase foi  proibida de ser usada pela imprensa, suas incômodas verdades se descortinam desde a “CPI dos Correios”, graças aos testemunhos, investigação, relatórios e, sobretudo, ao eloqüente, acobertador e delubiano silêncio de alguns inquiridos naquela CPI. Parece saber-se claramente, hoje, onde estão os novos poderosos, os onipotentes, os acima do bem e do mal,  da verdade. Tanto falaram dos coronéis, mas  seguiram seus piores exemplos. Vemos bem, ainda, aqueles que nos olham como se fossemos imbecis, quando nos dizem angelicalmente: “mas nada foi comprovado!”, como se o corrupto deixasse recibo e impressão digital.  Resta-nos, entretanto, uma incômoda indagação: onde estão os intimidados que não sinalizam aos corruptos os limites para sua onipotência? Veríamos algum, no espelho, quando escovamos os dentes? Poderia o leitor ajudar chegar os membros do STF, esta indagação?

 
 
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