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ELEIÇÕES

'Nossa intenção é limitar o carreirismo político, pois entendemos que a política não é uma profissão'

O NOVO não usa o Fundo Partidário. O partido vive sim da contribuição de seus filiados

8 junho 2018 - 23h04Da Redação
Carlos Nasser - Presidente regional do Partido NOVO em MS
Carlos Nasser - Presidente regional do Partido NOVO em MS - Divulgação

Criado em 2011, e homologado em setembro 2015, o partido NOVO marcará a estreia neste ano em uma corrida eleitoral no MS. E chega com ideias liberais e projetos voltados ao interesse da população. E quem vai conversar com a gente sobre a ideologia do NOVO será o líder do partido em Mato Grosso do Sul, Carlos Nasser.

Nasser explica que o partido não se utiliza de recursos públicos e sua arrecadação vem da contribuição de seus filiados e da realização de eventos. Outro diferencial é que para ser um candidato pelo partido o postulante deve passar por quatro etapas, que vai desde a sua inscrição, por meio de um processo seletivo por edital, até entrevista.
Outro diferencial do Partido Novo é que o mandatário pode se reeleger para um mesmo cargo apenas uma vez, evitando assim que ocupe um cargo político por vários anos e dê oportunidade para renovação.
 

Acompanhe a entrevista:

A Crítica- Quais são os diferenciais do partido Novo?

Carlos Nasser – Os nossos diferenciais, aquilo que só o NOVO tem, começam pelo fato de que o partido exige que não só o candidato, mas o filiado seja Ficha Limpa. O NOVO não usa o Fundo Partidário. Ele recebe o fundo, porque tem de receber por lei, senão vai para outro partido. Esse dinheiro é aplicado em uma conta que gera rendimentos. Estamos tentando devolver para a União, mas ainda não conseguimos. Mas esse dinheiro do Fundo Partidário, que é destinado aos partidos, o NOVO não toca nele. Nem no fundo eleitoral. O partido vive sim da contribuição de cerca de R$ 30 de cada um de seus filiados. Há também a arrecadação de eventos, da venda de produtos da loja do partido e outras arrecadações. Ao contrário de outros partidos, não há cobrança de percentual de salário de mandatários. Cobramos que os mandatários reduzam seus privilégios e economizem.
Queremos também a vinculação dos candidatos às suas propostas, ou seja, no NOVO, a gestão partidária e a política são independentes. Então, os líderes do partido pelo Brasil não podem se candidatar. A nossa função dentro do partido é estimular, fiscalizar, incentivar e cobrar os candidatos. Então, eles têm de fazer as propostas de campanha, assinar um termo de compromisso, e terão de honrar depois de eleito. Nossa intenção é limitar o carreirismo político, pois entendemos que a política não é uma profissão. Esses são nossos diferenciais, que não encontra em outro partido.

A Crítica - O partido tem um curioso método para escolher seus candidatos. Como funciona?

Carlos Nasser – Nosso processo seletivo é feito em quatro etapas. O edital é publicado, o filiado paga uma quantia para participar, como em qualquer processo seletivo. Ele tem de anexar um currículo, gravar um vídeo de 2 minutos respondendo três perguntas objetivas e responder um questionário online. Uma vez realizado esse procedimento, ele aguarda o resultado dessa etapa. Passou, ele vai para a segunda fase, onde participa de uma entrevista por skype, com líderes de outros estados. Se passar nessa entrevista, segue para a terceira etapa, que é uma fase mais de trabalho, onde terá de fazer eventos, apresentar o partido, falando com as pessoas e converter filiados.
Na quarta etapa é feita uma análise mais aprofundada da atuação do parlamentar, com vídeoaulas do filiado com um consultor do Senado, que vai falar sobre princípio de separação de poderes, ética e decoro parlamentar, a função fiscalizatória do parlamentar, a legislação. Então, ele será preparado para uma candidatura e, se for eleito, vai saber o que terá de fazer. Assim, ao passar nessa quarta etapa estará pronto para a convenção e receber os votos para se candidatar.

A Crítica - Por que criar mais um partido entre os 34 existentes. Qual a estratégia para ganhar espaço?

Carlos Nasser – Essa é uma pergunta que sempre me fazem: Para quê mais um partido político? Se olharmos apenas para os números, realmente não faz sentido, mas a ideia é de enxergar a representatividade, afinal esse é um partido que representa um grupo de pessoas. Não utilizamos recurso público. E o fato de não utilizar esse recurso gera a pergunta: como vamos nos sustentar? Nossa sustentação é com a contribuição daqueles que acreditam no projeto, é essa nossa intenção e vem dando certo. Essa contribuição financeira já acontece, era um pensamento que as pessoas não acreditavam, mas já passamos de 20 mil filiados e eles colaboram com cerca de R$ 30 mensais, por acreditar no projeto. Eles têm um partido onde se sentem representados. Não faz sentido o Estado gastar R$ 2,5 bilhões este ano com partidos políticos. Entre Fundo Eleitoral e Partidário, somam quase 3 bilhões de reais de subsídio, sendo que não tem dinheiro para a saúde, para educação. Nunca tem dinheiro para nada, mas para os políticos aparece rápido. Assim, fica fácil pensar que abrir um partido político é um bom negócio mesmo, o governo dá o dinheiro aos partidos. Mas a nossa proposta não é estar nesse meio, ao contrário, criamos uma identidade para sair fora dessa visão. Somos representados por um time de primeira qualidade, são todos voluntários. Não há relação financeira e esses voluntários, que estão à frente do partido no País inteiro, contam com o apoio financeiro desses 20 mil filiados. E o número continua crescendo.  

A Crítica - Com quantos candidatos e para quais cargos o partido entrará na disputa este ano?

Carlos Nasser – Para essas eleições de 2018, vamos pontuar primeiro Mato Grosso do Sul. Aqui só vamos lançar candidatos a deputado federal e vamos ter a opção para Presidente da República, com nosso pré-candidato João Amoêdo. Os candidatos a deputado federal devem ser entre seis e sete postulantes no Estado, dependendo da convenção em julho. No restante do Brasil, há estados que terão candidato ao governo, deputado estadual, ou seja, chapa completa. Depende de cada região do Brasil, mas estamos bem distribuídos. Vale dizer que fizemos um processo seletivo no Brasil e tivemos 475 pessoas aprovadas, agora vêm as convenções para definir quem serão os candidatos.  

A Crítica - O Novo fará aliança com algum outro partido?

Carlos Nasser – Nosso estatuto permite coligação, mas nessas eleições não faremos. Vamos sair com chapa pura. Podemos até fazer alianças, mas como fazer se os outros partidos não têm alinhamento com o nosso partido? Só o fato de eles utilizarem o dinheiro do pagador de impostos para suas campanhas, a conta já não fecha conosco. Então vamos com chapa pura.

A Crítica - Com o Lula fora da disputa, pesquisas mostram o deputado Jair Bolsonaro na frente. O senhor acredita que o candidato à presidência pelo Novo, João Amoêdo, pode se eleger?

Carlos Nasser – Acredito que sim. Sei que não será fácil, mas estamos confiantes. Entramos para ganhar e temos bons candidatos, embora seja suspeito para falar, são pessoas honestas, dispostas a transformar o Brasil, acostumados a fazer, entregar resultado, ou seja, boas práticas de gestão estão no DNA dessas pessoas. São exemplos na vida privada e não entraram por dinheiro. Somos 20 mil pessoas no Brasil e não estamos acomodados, pode ter certeza que a partir do memento que tiver liberada a campanha, os resultados vão aparecer.

A Crítica - Se o Novo estivesse na Presidência, o que seria feito para resolver a situação atual de crise?

Carlos Nasser – Acredito que a crise maior é a crise de confiança nas instituições. Mas na Presidência da República, vamos acabar com um monte de privilégios, afinal essa Presidência custa aos cofres públicos cerca de meio bilhão de reais por ano. Então, nosso pré-candidato, Amoêdo, já pontuou que vai abrir mão de aposentadoria, de mansão, vai morar em lugar comum. Não quer privilégio de carro oficial e outras situações que for possível abrir mão para economizar vai fazer. Agora, a crise maior que percebemos é que as instituições estão sem credibilidade, então se, por exemplo, for eleito o Amoêdo, é sinal que a população está dando crédito para a mudança que deve ocorrer na política nacional. Neste caso seria eleito um Presidente com propostas liberais, a favor do livre mercado, privatização. Nosso partido defende a privatização das estatais, porque o Estado como empresário já mostrou que não dá bons resultados. Veja o exemplo dos caminhoneiros, onde o ministro fala que vai sair do Tesouro Nacional o subsídio, significa que está nos chamando de Tesouro Nacional, porque nós vamos pagar a conta.
A redução de ministérios é um ponto fundamental. O NOVO acredita que no máximo 12 ministérios sejam precisos para tocar o Brasil, o que vai diminuir o desperdício de dinheiro público. Vamos bater na eficiência. A visão da gestão é fazer mais com menos.    

A Crítica – Muitas correntes defendem a diminuição do número de partidos no Brasil. O senhor acredita que o resultado dessa eleição poderá ser fundamental para a sobrevivência de muitos partidos?

Carlos Nasser – Essa questão da cláusula de barreira foi criada para diminuir o número de partidos no Brasil, mas a questão fundamental não é atacada, que é o quanto se gasta com dinheiro público com todos os partidos. Então, se você tem menos partidos na disputa, mas o valor gasto é o mesmo, numa conta rápida mostra que isso só interessa para os partidos estruturados, que vão receber mais do bolo. Assim, é meio dúbia a criação da cláusula de barreira. Ao contrário, o NOVO acredita nas liberdades individuais com responsabilidade, acreditamos que possa até haver candidaturas independentes, para que tenha mais diversidade de representação. O que acontece hoje no Brasil é uma confusão geral que não tem representatividade dos partidos. Tudo se mistura por interesse de se manter o Status Quo.

A Crítica – Atualmente quem faz parte da sigla em MS? Políticos de carreira ou outras pessoas?

Carlos Nasser – O partido hoje em Mato Grosso do Sul é composto de pouco mais de 350 filiados e somos pessoas comuns, não tem nenhuma figura conhecida da política. Todos têm suas atividades, trabalham para ganhar seu dinheiro. Provavelmente se eu citar o nome de dez filiados, você nunca ouviu falar. Essa é a característica própria do NOVO, até porque é a nossa essência, precisamos dessas pessoas para usar a ferramenta que criamos, para mudar todo esse contexto político no Brasil. Estamos tentando mudar esse modelo de Estado e vamos conseguir através da atuação de pessoas da sociedade, que perceberam que ficar em casa reclamando, ou compartilhar em rede social não dá resultado. Com muito orgulho digo que temos pessoas especiais como filiados. Nosso diretório é feito por apenas quatro componentes, e são pessoas que dão uma contribuição excessiva e extraordinária, dentro de uma agenda complicada. As contas não param de chegar, mas temos de trabalhar voluntariamente para que o sonho se concretize. Não há mudança sem esforço. Utilizamos uma frase: “é uma insanidade querer resultado diferente praticando algo sempre da mesma forma”, então o NOVO veio para fazer diferente mesmo.

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ALMS CORTESIA