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POLÍTICA

“Caso o parlamentar tenha interesse, pode conseguir muitas conquistas para o nosso Estado”

O deputado federal Ademar Vieira Júnior, o Coringa (PSD/MS), pretende apresentar 10 projetos de lei na Câmara dos Deputados

19 janeiro 2019 - 07h35Da redação com Assessoria
Para assumir a cadeira, ele foi exonerado do cargo que ocupava na Prefeitura de Campo Grande, de subsecretário de Direitos Humanos
Para assumir a cadeira, ele foi exonerado do cargo que ocupava na Prefeitura de Campo Grande, de subsecretário de Direitos Humanos - Divulgação

O ex-vereador de Campo Grande, Ademar Vieira Junior, o Coringa (PSD/MS), que assumiu no dia 2 de janeiro deste ano, em Brasília (DF), a cadeira de deputado federal deixada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM/MS), falou sobre os desafios à frente do mandato durante entrevista ao Jornal A Crítica. Para assumir a cadeira, ele foi exonerado do cargo que ocupava na Prefeitura de Campo Grande, de subsecretário de Direitos Humanos, e, nesse curto espaço de tempo, pretende apresentar 10 projetos de lei que podem ajudar milhares de pessoas. Coringa era suplente de Mandetta e ficará por um mês como deputado federal, período de recesso da Câmara dos Deputados, sendo que garantiu essa suplência ao obter, nas eleições de 2014, 15.738 votos.

A Crítica - Como o senhor recebeu a notícia de que teria de assumir uma vaga na Câmara dos Deputados?

Ademar Vieira Junior – Na verdade, eu fiquei sabendo em setembro de 2018 que teria de assumir a vaga do deputado federal Mandetta (DEM/MS). Isso porque, na época, o então candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) estava com o pensamento de colocar o parlamentar sul-mato-grossense como ministro da Saúde. Além disso, o também candidato a governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), queria, caso fosse eleito, chamar o Mandetta para ser secretário estadual de Saúde do Estado vizinho, portanto, de uma forma ou de outra eu deveria assumir a vaga de deputado federal, então, não foi uma surpresa. Quando foi confirmado o nome dele para o Ministério da Saúde, eu já me organizei e montei uma equipe para me assessorar na Câmara dos Deputados e me ajudar a elaborar alguns projetos de lei para apresentar nessa minha curta passagem pela Casa de Leis. Também aproveitei para ouvir as reivindicações de algumas comunidades de Campo Grande, pois desde o início eu já tinha estabelecimento como seria a minha missão na Câmara dos Deputados. Quando eu fui candidato a deputado federal tinha como proposta ouvir as demandas das comunidades as quais eu sempre representei, desde a época em que fui vereador. Portanto, queria chegar a Brasília (DF) já com os projetos de lei prontos para serem apresentados, pois o tempo no cargo seria muito curto.

A Crítica - Apesar do tempo curto, quais projetos o senhor apresentou e como pretende conseguir a aprovação deles?

Ademar Vieira Junior – Pretendo apresentar até o fim desse curto mandato na Câmara dos Deputados pelo menos dez projetos de lei, que já estou protocolando na liderança do PSD para que eles não sejam arquivados e possam ser encaminhados às comissões da Casa de Leis. Esses dez projetos de lei são voltados às questões de direitos humanos, às comunidades quilombolas, às pessoas com câncer e para a Polícia Civil, ou seja, todos voltados para as pessoas. O principal deles, o qual sou apaixonado, é o projeto de lei que unifica os cargos existentes hoje na Polícia Civil brasileira. Por isso, pretendo apresentar esse projeto ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, antes de ingressá-lo na Câmara dos Deputados. Hoje, a Polícia Civil tem várias categorias, que vão desde o agente de Polícia até o escrivão de Polícia, e a minha intenção é que, a partir dos próximos concursos públicos, tenhamos apenas um único cargo, mas podendo exercer todas essas funções existentes na categoria. A exceção seria para o cargo de delegado de Polícia. Esse modelo não é novo, pois nos Estados Unidos já acontece algo semelhante.

A Crítica - O senhor acredita que o fato de o Estado ter dois ministros que conhecem bem a realidade local pode ajudar no avanço de ações de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul?

Ademar Vieira Junior – Os ministros Mandetta (Saúde) e Tereza Cristina (Agricultura e Pecuária) já estão desenvolvendo ações nesse sentido, pois são duas pessoas muito competentes nas suas respectivas áreas de atuação. Quando você fala em saúde, o deputado Mandetta conhece muito bem como funciona essa área em Mato Grosso do Sul, afinal, já foi secretário municipal de Saúde de Campo Grande. Ele sabe quais são os nossos principais hospitais e quais deles necessitam de uma atenção especial por parte do Governo Federal. Já no caso da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, que já ocupou uma pasta ligada à agropecuária do Governo do Estado, também sabe muito bem como agir nesse setor, principalmente, na parte da agricultura familiar, que é quem gera emprego e renda para a população mais carente.

A Crítica - Como o senhor lidou com as críticas feitas na mídia em razão do curto mandato e do alto salário pago?

Ademar Vieira Junior – As críticas são importantes para que você possa, cada dia mais, observar onde está errando e como fazer para melhorar. Porém, só devemos levar em consideração as críticas construtivas, pois recebemos muitas que são apenas para nos colocar para baixo e em nada acrescentam no nosso crescimento pessoal. Porém, as pessoas precisam entender que esse curto mandato foi conquistado nas urnas, quando, nas eleições de 2014, recebi 15.738 votos e fiquei como suplente do deputado federal Mandetta. Portanto, estou na Câmara dos Deputados graças aos mais de 15 mil votos que foram me conferidos na eleição de 2014 e me deram o direito de estar lá hoje. A partir do momento que a Casa de Leis convoca o suplente, eu sou obrigado a exercer o meu mandato. Todas essas críticas que recebi só me deram mais força para eu mostrar o contrário do que as pessoas que me criticaram estavam falando, poder fazer um bom trabalho e demonstrar que, apesar de ser um mandato de apenas um mês, será suficiente para apresentar projetos de interesse da população brasileira. Em relação ao pagamento de cerca de R$ 107,9 mil, já somados os R$ 33,7 mil de salário como deputado, R$ 40,5 mil de cota parlamentar e R$ 33,7 mil de auxílio mudança, pretendo doar parte desse montante para o Hospital do Câncer de Campo Grande e para uma entidade da região das Moreninhas. Além disso, não serão cerca de R$ 107,9 mil, pois eu renunciei à verba de auxílio mudança no valor de R$ 33,7 mil, ficando, no total, R$ 74,2 mil, dos quais parte será revertida para o hospital e para a entidade.

A Crítica - Após essa experiência na Câmara dos Deputados, o senhor pretende disputar a eleição para vereador em 2020?

Ademar Vieira Junior – A política está na veia. Sou dirigente estadual do PSD e agora serei dirigente nacional do partido e, portanto, tenho sim uma proposta de tentar voltar para a Câmara dos Deputados daqui a quatro anos, ou seja, 2022. A respeito da eleição para vereador de Campo Grande em 2020, estarei à disposição do partido, se a sigla entender que já devo concorrer no próximo pleito, vou me candidatar. Porém, a minha intenção, caso seja possível, é disputar a eleição de 2022 e conseguir ser eleito deputado federal por Mato Grosso do Sul.

A Crítica - Na avaliação do senhor, quais são os desafios deste ano para o Estado?

Ademar Vieira Junior – Acredito que teremos um bom ano e que Mato Grosso do Sul poderá crescer ainda mais. Percorrendo os ministérios em Brasília, eu percebi que o nosso Estado pode mais, só depende da nossa bancada federal visitar mais essas pastas para mostrar o lado bom de Mato Grosso do Sul e o que precisa ser melhorado. Infelizmente, ainda hoje, muitas vezes você chega ao Brasília e, ao conversar com as lideranças políticas, percebe que fazem confusão entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Na minha opinião, é papel dos deputados federais acabar com essa confusão e mostrar para essas pessoas como o nosso Estado é importante, em todos os sentidos, sem menosprezar o nosso vizinho Mato Grosso, mas lutar pelo reconhecimento que merecemos.

A Crítica - Qual o balanço que o senhor faz a respeito dessa curta experiência na Câmara dos Deputados?

Ademar Vieira Junior – Olha, foi uma experiência muito boa e extremamente positiva. Foi possível entender que, caso o parlamentar tenha interesse, pode conseguir muitas conquistas para o nosso Estado. Por isso, nessa curta oportunidade que estou tendo, foi possível conhecer os bastidores do Planalto e também os bastidores dos ministérios. A partir disso, foi possível abrir portas e, quando essas portas são abertas, é mais fácil obter melhorias para Mato Grosso do Sul. Na próxima vez que eu voltar a Brasília, não mais como deputado federal, sei que serei reconhecido pelo nome. Hoje, já conheço vários ministros e eles sabem da minha história e do meu trabalho. Por isso, eu penso que, no futuro, também conseguirei coisas boas para a minha cidade Campo Grande e para o meu Estado.

A Crítica - O senhor poderia contar como ter trabalhado para o Jornal A Crítica lhe ajudou na sua formação profissional?

Ademar Vieira Junior – Para mim, que sou oriundo de uma comunidade da periferia e sou negro, foi muito importante trabalhar como entregador de jornal para a Crítica. Por ser pobre e negro, tudo na minha vida foi muito difícil e recebi e recebo até hoje muitas críticas. Até porque as pessoas que detêm o poder aqui em Mato Grosso do Sul nunca quiseram que alguém das comunidades carentes, das comunidades quilombolas e das comunidades indígenas assumissem um lugar de destaque na sociedade. Por isso, quando um jovem e negro consegue quebrar essa barreira construída pela classe dominante, provoca um certo susto nos poderosos, que começam a distribuir críticas sem fundamento para tentar desmerecer essa pessoa. Porém, quando conseguimos assumir um cargo de destaque e demonstramos o nosso talento, as críticas diminuem, mas não cessam. Nesse sentido, sou muito grato ao jornal A Crítica, pois, quando cheguei a Campo Grande, sendo o 11º filho da Dona Maria, precisava trabalhar para ajudar em casa e o jornal abriu as portas para mim. Foi uma experiência enorme entregar jornal na Avenida Afonso Pena, sendo, na época, a minha única oportunidade de trabalho. Durante a semana eu era mirim e no fim de semana trabalhar entregando os exemplares do jornal A Crítica. Foi uma baita de uma experiência que eu nunca vou me esquecer.

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