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ELEIÇÕES NA OAB

A OAB tem de debater o excesso de vagas e a qualidade técnica do ensino jurídico atual

Advogada Rachel de Paula Magrini Sanches, pré-candidata à disputa da presidência da OAB-MS, defende um procurador ou ouvidor nos Fóruns, onde o advogado vai narrar seus problemas

28 setembro 2018 - 23h01Alberto Gonçalves
Advogada Rachel de Paula Magrini Sanches, pré-candidata à disputa da presidência da OAB-MS
Advogada Rachel de Paula Magrini Sanches, pré-candidata à disputa da presidência da OAB-MS - Divulgação

A douradense Rachel de Paula Magrini Sanches atua há 18 anos na advocacia. Reside em Campo Grande desde 2001 e é pré-candidata à disputa da presidência da Ordem dos Advogados Brasil, seccional Mato Grosso do Sul. As eleições estão previstas para acontecer durante o mês de novembro.

Em entrevista ao Jornal A Crítica, Rachel Magrini defendeu uma renovação na Ordem dos Advogados e afirmou que acredita ter havido um distanciamento do órgão com a classe. A pré-candidata também defendeu a criação de um procurador, ouvidor para atender os advogados diretamente nos fóruns na busca de solução de problemas.

Acompanhe a entrevista:

A Crítica - Por que a senhora quer ser eleita presidente da OAB/MS?

Rachel Magrini – Porque acredito que temos de mudar a maneira de conduzir a instituição. A OAB/MS está sendo conduzida de uma maneira, no meu modo de entender, que não é para o advogado. Temos nos sentido muito distante da entidade e tenho a vontade de presidir para mudar a maneira desta condução. É preciso renovar. Faz muito tempo que a OAB não tem essa renovação que precisamos. É muito saudável que consigamos trazer novas ideias e mudar de tempos em tempos. Porque o continuísmo não é bom para ninguém, principalmente para uma instituição, onde a sociedade, os advogados evoluem rapidamente e temos muito a debater. Para a OAB voltar a ser protagonista, ela tem que participar de todos os debates relevantes da sociedade, sem exclusão de nenhum. Levando lá para dentro da nossa instituição, as dificuldades que a sociedade e os advogados têm sentido no dia a dia. Temos de voltar a fazer isso para ser protagonista. 

A Crítica - Qual a avaliação que a senhora faz hoje da Ordem em Mato Grosso do Sul?

Rachel Magrini – A OAB se distanciou completamente do advogado. Temos caminhado no Estado com o movimento ‘OAB que eu quero’, para ouvir e saber o que o advogado tem visto. Percebemos esse distanciamento, quando a OAB não participa das condições de trabalho do advogado, não está mais no nosso dia a dia, não tem mais aqueles debates do passado. Ela se fechou em um pequeno grupo e se distanciou de todo o restante da categoria.

A Crítica - Na sua avaliação, qual é o grande gargalo da Ordem no estado atualmente e como a senhora pretende solucioná-lo?

Rachel Magrini – Um dos nossos maiores problemas hoje é construir um canal de comunicação com as outras instituições, porque não temos mais essa comunicação. Por exemplo, falamos muito sobre a morosidade dos processos, só que não é dizer que é culpa de uma parte ou de outra. Temos de ter uma comissão para identificar qual é o problema da morosidade, porque pode ser um problema dentro do cartório, pode ser com o magistrado, uma Vara que já teve no passado muitos processos. Então, há várias situações que podem levar à demora de um processo. Temos de identificar esse problema para construir esse canal e saber qual é a solução. Não acredito em colocar uma parte contra a outra, advogado contra o juiz e vice-versa. Acredito que temos de encontrar o ponto comum, que é o jurisdicionar. Essa busca é construída através de uma comunicação, identificando qual é o problema para tentar resolver.

A Crítica – Como a senhora avalia a relação OAB com o Judiciário?

Rachel Magrini – Falta a comunicação. Temos de aproximar os caminhos através de um diálogo saudável, pegando os pontos de convergência para fortalecer. E onde houver divergência tentar encontrar solução.

A Crítica – A informatização do Tribunal não facilita o trabalho do advogado?

Rachel Magrini – Facilita, sem dúvida. Mas vejo que nós da OAB temos de resolver nossos problemas internos. Falamos da morosidade do Judiciário, mas temos morosidade nos processos disciplinares da OAB. Precisamos que sejam digitalizados para serem mais céleres. Temos o problema da transparência, queremos saber tudo sobre os órgãos públicos, mas a Ordem também tem de ser mais transparente nas suas contas, publicar as contas, dizer como gasta. Não é apenas olhar os problemas das outras instituições, mas olhar para os nossos próprios problemas, ver o que tem acontecido dentro da OAB.

A Crítica - A Ordem tem cumprido seu papel principal na defesa do profissional da advocacia e da sociedade?

Rachel Magrini – São duas situações distintas. Sinto que o advogado não anda se sentindo protegido. Tanto que demoramos anos para ter um desagravo e quando teve foi feito de maneira coletiva e na sede da OAB. Acredito que a defesa dessas prerrogativas tem de ser feita logo depois da ofensa e no local onde houve a ofensa, e não na OAB, coletivamente, sem se saber qual foi propriamente a ofensa. E mais ainda: precisamos ter alguém dentro do Fórum para essa defesa. Alguém como um procurador ou ouvidor, para quem o advogado vai narrar seus problemas, de maneira presencial dentro dos fóruns, para de imediato buscar o caminho para solução, ou seja, ter essa proximidade com o advogado.

Em relação à sociedade, veja o momento de crise que estamos agora. Todas as instituições perderam a credibilidade. Penso que a instituição que mais se voltar para esses problemas sairá mais forte. A OAB já foi protagonista na época da Ditadura, quando na vanguarda puxou a sociedade e depois fomos para o Diretas Já. Novamente, estamos num momento de crise política. Acredito que a OAB tem de se renovar, se reestruturar para conseguir de novo protagonizar a sociedade e puxar o Brasil para fora da crise política.

A Crítica - Qual a sua opinião a respeito dos cursos de Direito em Mato Grosso do Sul?

Rachel Magrini – A OAB tem aqui no Mato Grosso do Sul e no Conselho Federal a Comissão do Ensino Jurídico, que é responsável por fiscalizar como andam os cursos. Como não estou acompanhando, não sei como está agora. Sei que hoje temos muitos cursos e muitas vagas, número inclusive do que a própria procura. Temos de avaliar se há de fato a necessidade de tantas vagas e qual é a qualidade do ensino. A Comissão tem de debater a situação do ensino jurídico atual, analisando a situação das universidades, enfrentando o problema do excesso de vagas e da qualidade técnica do ensino.

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