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SAÚDE

Distúrbios do sono incomodam entre 40% e 90% dos pacientes com Doença de Parkinson

Distúrbios do sono incomodam entre 40% e 90% dos pacientes com Doença de Parkinson

15 maio 2018 - 10h15Da Redação
Já faz algum tempo que as manifestações não motoras estão sendo cada vez mais valorizadas pelos médicos no tratamento da Doença de Parkinson.
Já faz algum tempo que as manifestações não motoras estão sendo cada vez mais valorizadas pelos médicos no tratamento da Doença de Parkinson. - Divulgação

Já faz algum tempo que as manifestações não motoras estão sendo cada vez mais valorizadas pelos médicos no tratamento da Doença de Parkinson. Normalmente relacionada a tremores, a enfermidade provoca outros sintomas, como depressão e alteração de humor, redução do olfato, constipação. Um artigo científico[i] disponível na biblioteca do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos apontou que de 40% a 90% da população com a doença apresentam distúrbios do sono, como insônia, noctúria (aumento da urina noturna), cãibras musculares e pesadelos.

Por essa razão, o paciente deve ser avaliado em 360 graus pelo médico, ou seja, de forma ampla e completa. “Precisamos olhar cada pessoa diagnosticada com Doença de Parkinson de maneira personalizada, analisando todos os aspectos. Os sintomas motores são mais visíveis e por isso recebem atenção imediata, mas existem outros que incomodam tanto quanto eles”, esclarece Renata Ramina, neurologista e diretora clínica da Associação Paranaense dos Portadores de Parkinsonismo.

Segundo a especialista, essas características também são incapacitantes e devem ser tratadas com o mesmo foco dado aos tremores, à rigidez muscular e à lentidão dos movimentos (bradicinesia). “A depressão, por exemplo, pode ser um dos sinais da Doença de Parkinson. Ela é capaz de provocar insônia, piorar a cognição e levar a outros sintomas. Por essa razão não se deve tratar só os motores, está tudo interligado”, afirma.

Nelson José, morador de Curitiba, tem 57 anos e foi diagnosticado aos 50. Atualmente aposentado por causa da doença, explica que acordava de duas em duas horas, ficava inquieto e o volume da urina era alto durante o período noturno. “Recentemente mudei o tratamento e a qualidade do meu sono melhorou. Mas passei anos com insônia, dores por causa da rigidez muscular e muita ansiedade”, garante.

De acordo com um estudo[ii], os sintomas não motores da Doença de Parkinson não são identificados pelos neurologistas em mais de 50% das consultas. Em especial os distúrbios do sono, que não são reconhecidos em mais de 40% dos casos. A publicação afirma que, em geral, os pacientes relataram que depressão, apatia, dores, problemas de memória e transtornos noturnos estão entre as principais complicações da doença que mais afetam suas vidas.

Para José, todas as consequências da enfermidade incomodam. “Os sintomas não motores perturbam bastante. Para mim, Parkinson significa uma perda total de controle sobre o próprio corpo”, elucida.  Renata lembra que a evolução da doença é crucial nesse sentido. “Infelizmente, quanto mais progride mais aumenta a frequência das manifestações não motoras. Por isso é importante olhar para todos os sinais, mesmo os mínimos, desde o início do tratamento”, conclui.

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