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QUEBRA DE PRAXE

Tentativa de forçar embaixador goela abaixo gera revolta entre diplomatas

Dani Dayan é responsável por assentamentos considerados ilegais

8 janeiro 2016 - 18h40Da redação, com informações de Claúdio Humberto
Dani Dayan é responsável por assentamentos considerados ilegais
Dani Dayan é responsável por assentamentos considerados ilegais - Divulgação
HVM

O anúncio da indicação do novo embaixador de Israel no Brasil, feito pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, antes de submeter o nome ao governo brasileiro, provocou manifestações contundentes de embaixadores brasileiros aposentados. Em carta aberta, dezenas de diplomatas criticam a atitude "inaceitável" de Netanyahu de quebrar a "praxe diplomática" de maneira que "parece proposital" para constranger o Brasil a aceitar a indicação de Dani Dayan, responsável pelos assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais pela comunidade internacional.

Como Dayan já se declarou contra a criação do Estado Palestino, apoiado pelo Brasil e cerca de 70% dos países membros da ONU, a antecipação da divulgação do nome por Netanyahu foi considerada uma afronta à diplomacia brasileira. A carta lembra também o papel desempenhado pelo Brasil durante a criação do estado de Israel na Assembleia Geral das Nações Unidas, presidida à época pelo saudoso Osvaldo Aranha, e a atuação do embaixador Luís Martins de Sousa Dantas, que salvou centenas de judeus do Holocausto. Confira abaixo a íntegra da carta aberta e os signatários.

Nós, os diplomatas aposentados abaixo assinados, lembrando a memória do Embaixador Luís Martins de Sousa Dantas, que salvou centenas de judeus do Holocausto; orgulhosos do papel desempenhado pelo Brasil nas Nações Unidas quando, sendo Osvaldo Aranha Presidente da Assembleia Geral, foi sancionada a criação do estado de Israel, consideramos inaceitável que o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, haja anunciado publicamente o nome de quem pretendia indicar como novo embaixador de seu país no Brasil antes de submetê-lo, como é norma, a nosso governo.

Essa quebra da praxe diplomática parece proposital, numa tentativa de criar fato consumado, uma vez que o indicado, Dani Dayan, ocupou entre 2007 e 2013 a presidência do Conselho Yesha, responsável pelos assentamentos na Cisjordânia considerados ilegais pela comunidade internacional, e já se declarou contrário à criação do Estado Palestino, que conta com o apoio do governo brasileiro e que já foi reconhecido por mais de 70% dos países membros das Nações Unidas.

Nessas condições, apoiamos a postura do governo brasileiro na matéria e fazemos votos de que o presente episódio seja superado prontamente a fim de podermos, em conjunto, reforçar os vínculos entre os dois países num momento histórico em que o espírito de conciliação se torna imperativo. 

Adhemar Bahadian
Amaury Porto de Oliveira
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