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FAKE NEWS

É falso que 94% dos brasileiros defendam reeleição de Bolsonaro

Pesquisas recentes apontam que mais de 40% da população desaprova o governo, com queda em série da popularidade do presidente

10 julho 2020 - 21h15
Postagens falsas alegam que 94% dos brasileiros votariam em Bolsonaro em 2022
Postagens falsas alegam que 94% dos brasileiros votariam em Bolsonaro em 2022 - (Foto: Reprodução / Arte Estadão)
FAMASUL - SENAR

Uma postagem falsa em circulação no Facebook alega que o presidente Jair Bolsonaro teria “disparado nas pesquisas” e que “94% dos brasileiros querem que ele seja reeleito em 2022”. O Estadão Verifica analisou resultados de pesquisas publicadas recentemente, mas não encontrou nenhum resultado parecido. Institutos com nome mais reconhecido no mercado, como Datafolha, DataPoder360 e XP/Ipespe, pesquisaram apenas avaliação de governo, e não mediram intenção de voto. Em todos estes levantamentos, a rejeição a Bolsonaro era superior a 40%.

Os resultados diferem entre si pela variação do período de coleta de informações e em razão de metodologias de pesquisa distintas. Outras instituições menos conhecidas divulgaram pesquisas eleitorais, mas em nenhum desses casos os resultados se aproximam dos citados na imagem que viralizou no Facebook.

A pesquisa mais recente do Instituto Datafolha, divulgada em 25 de junho, indica que Bolsonaro enfrenta rejeição de 44% da população, que considera o governo ruim ou péssimo. Outros 32% aprovam o governo, dizendo que o consideram ótimo ou bom, e 23% o avaliam como regular. O Datafolha ouviu 2.016 pessoas por telefone, entre os dias 23 e 24 do mês passado. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A popularidade do presidente não “disparou” nos índices em nenhum momento, de acordo com a série de pesquisas do Datafolha. Desde abril do ano passado, o índice de aprovação do governo está entre 29% e 32%, com pouca variação. Por outro lado, houve aumento na insatisfação com o governo — a rejeição subiu de 30% para os atuais 44%. As informações são do jornal Folha de S. Paulo. A comparação entre índices levantados pelo Datafolha deve levar em conta que, em função da crise do novo coronavírus, as entrevistas deixaram de ser presenciais e passaram a ser feitas por telefone.

Pesquisa recente do DataPoder360, publicada em 9 de julho, aponta que 40% dos brasileiros aprovam e 47% desaprovam o governo de Jair Bolsonaro, ao oferecer apenas essas duas possibilidades de resposta. Foram 2.500 entrevistados, também por telefone, entre 6 e 8 de julho. A margem de erro é novamente de dois pontos percentuais para mais ou para menos. 

A gestão é avaliada como ruim ou péssima por 46% das pessoas, ótima ou boa por 29% e regular por 20%, de acordo com o DataPoder360. Mais uma vez, o comparativo da evolução dos índices mostra que a popularidade de Bolsonaro não tem tendência de crescimento. No início de abril, a avaliação ótima ou boa era de 36%, depois caiu para 29% e variou dentro da margem de erro desde então, em gráfico que pode ser acessado no site do Poder 360. A rejeição passou de 33% para os atuais 46% no mesmo período.

A pesquisa XP/Ipespe, feita com 1.000 pessoas, entre 9 e 11 de junho, por contato telefônico, também indica que a maioria dos brasileiros desaprova o governo. De acordo com o relatório, 48% da população considera a gestão federal ruim ou péssima, 28% a avaliam como ótima ou boa e 22% responderam que era regular. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos. A análise histórica também indica decréscimo na popularidade e aumento na taxa de rejeição desde o início do mandato.

Pesquisa feita pela consultoria Atlas Político com 2.000 pessoas, por meio de recrutamento digital e divulgada em 1º de julho, concluiu que 24,8% dos brasileiros consideram o governo de Jair Bolsonaro ótimo ou bom, contra 56,2% que o avaliam como ruim ou péssimo, além de 18,3% que responderam que era regular. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Desconfie de boatos sobre pesquisas de opinião

Mesmo fora do período de campanha eleitoral, postagens falsas sobre supostas pesquisas de intenção de voto e rejeição aparecem com frequência nas redes. Geralmente, os boatos não apontam fonte alguma, impossibilitando a investigação dos internautas, e têm o objetivo de inflar o apoio a determinadas personalidades ou o sentimento de desaprovação a “adversários” políticos.

Ainda em 2019, o projeto Comprova desmentiu artigos que manipulavam pesquisas de opinião para sugerir que a aprovação de Bolsonaro teria aumentado. Em janeiro deste ano, o Estadão Verifica mostrou que eram falsas as postagens alegando que a rejeição ao presidente chegaria a 85%. 

Outro alvo recente de desinformação nas redes foi o Supremo Tribunal Federal (STF). Como mostrou o núcleo de fact-checking do Estadão, não é verdade que 96% dos brasileiros avaliam o STF como “corrupto, imoral e inútil”. Outra publicação de grande circulação em maio alegava que o governador de São Paulo, João Doria, teria avaliação negativa de 98%, o que também é falso.

Este boato foi checado por aparecer entre os principais conteúdos suspeitos que circulam no Facebook. O Estadão Verifica tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e a dados sobre sua viralização em razão de uma parceria com a rede social. Quando nossas verificações constatam que uma informação é enganosa, o Facebook reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Um pré-requisito para participar da parceria com o Facebook  é obter certificação da International Fact Checking Network (IFCN), o que, no caso do Estadão Verifica, ocorreu em janeiro de 2019. A associação internacional de verificadores de fatos exige das entidades certificadas que assinem um código de princípios e assumam compromissos em cinco áreas:  apartidarismo e imparcialidade; transparência das fontes; transparência do financiamento e organização; transparência da metodologia; e política de correções aberta e honesta. O comprometimento com essas práticas promove mais equilíbrio e precisão no trabalho.

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