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PRISÃO

Lava Jato prende perito por propinas de R$ 4,9 mi de empresas de ônibus do Rio

Os pagamentos teriam ocorrido entre maio de 2012 e maio de 2015. Os procuradores dizem ainda que o dinheiro foi entregue no escritório do perito em Niterói sob o codinome "Charles"

5 dezembro 2019 - 09h48
Os agentes realizam ainda buscas contra Charles, por determinação do Juízo da 7ª Vara Federal
Os agentes realizam ainda buscas contra Charles, por determinação do Juízo da 7ª Vara Federal - Foto: Reprodução/TV Globo

A força-tarefa da Lava Jato deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 5, a Operação Expertus para prender preventivamente o perito judicial Charles Fonseca William, que teria recebido ao menos R$ 4,9 milhões em propinas de empresas de ônibus do Rio de Janeiro para produzir laudos favoráveis às companhias e interceder em benefício do setor, em casos em que era assistente técnico.

Os agentes realizam ainda buscas contra Charles, por determinação do Juízo da 7ª Vara Federal. A ação é realizada pela Procuradoria, pela Polícia Federal e pela Receita. As informações foram divulgadas pelo Ministério Público Federal do Rio.

A investigação é baseada nos relatos de delatores da ligados à Rio Ônibus e à Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio de Janeiro (Fetranspor). Segundo a Procuradoria, os R$ 4,9 milhões em propinas estão registrados nas planilhas do doleiro Álvaro Novis, operador financeiro da Fetranspor.

Os pagamentos teriam ocorrido entre maio de 2012 e maio de 2015. Os procuradores dizem ainda que o dinheiro foi entregue no escritório do perito em Niterói sob o codinome "Charles".

Os investigadores encontraram, em um depósito de documentos contratado pela transportadora de valores Transexpert, registros de pagamentos realizados nos mesmos endereços indicados na planilha de Novis.

Além disso, a Procuradora identificou ligações telefônicas entre Charles William e o empresário de ônibus José Carlos Lavouras, que vive em Portugal, foragido da Justiça desde a Operação Ponto Final.

Segundo a Procuradoria, Charles teria atuado favoravelmente às empresas de ônibus em processos da Justiça Estadual relativos aos decretos de 1999 que rebaixaram as tarifas das empresas intermunicipais em 15%.

O Tribunal de Justiça do Rio entendeu que a redução das tarifas eram nulas, o que levou as empresas a apresentarem mais de 100 ações judiciais para reaver seus prejuízos, aponta o Ministério Público Federal.

"Nessas ações, inevitavelmente foram realizadas perícias contábeis para definir o montante que cada empresa teve de prejuízo com essa redução declarada ilegal", dizem os procuradores.

A investigação também destacou as operações financeiras milionárias identificadas nas contas do perito. Segundo o MPF, algumas delas foram realizadas por empresas com sócios "laranjas" ou offshores no Panamá.

Análise da Receita Federal sobre o patrimônio de Charles, que inclui imóveis de luxo de acordo com o MPF, indicou "possível omissão de rendimentos". No pedido de prisão, os procuradores ressaltaram indícios de "práticas insistentes e sistemáticas de corrupção e lavagem de dinheiro" e apontaram que Charles seria "um agente que deveria estar a serviço do Estado e da Justiça, mas que na verdade pautava sua atuação em favor das empresas de ônibus em troca de vertiginosas quantias, utilizadas para custear uma vida de luxo e ostentação".

Defesa

A reportagem busca contato com o perito Charles Fonseca William. O espaço está aberto para manifestações.

Maestro João Carlos
PMCG