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Projeto realizado com recursos e mão de obra prisional já beneficiou mais de 10 mil estudantes e 275 detentos

Com a 11ª escola pública reformada, além da mão de obra de detentos, a iniciativa utiliza também o próprio dinheiro dos presos para custear as obras

14 fevereiro 2020 - 16h44
Com 2,4 mil metros quadrados, a Escola Estadual Lino Villachá, no bairro Nova Lima, em Campo Grande, atende a um total de 1200 alunos
Com 2,4 mil metros quadrados, a Escola Estadual Lino Villachá, no bairro Nova Lima, em Campo Grande, atende a um total de 1200 alunos - Foto: Divulgação

O programa que já gerou economia de R$ 8,5 milhões e levou benefícios a mais de 10 mil alunos, também é sinônimo de recomeço para custodiados da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), com a participação de 275 reeducandos ao longo de sete anos de existência do “Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade”.

Com a 11ª escola pública reformada, além da mão de obra de detentos, a iniciativa utiliza também o próprio dinheiro dos presos para custear as obras, a partir do desconto de 10% no salário de todos os internos do sistema prisional que trabalham remunerados em Campo Grande. O projeto é executado pelo Governo do Estado, por meio da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e da Secretaria de Estado de Educação (SED), em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

Com 2,4 mil metros quadrados, a Escola Estadual Lino Villachá, no bairro Nova Lima, em Campo Grande, atende a um total de 1200 alunos e foi totalmente revitalizada com o trabalho de 25 internos. O investimento total foi de R$ 398.500,00.

Entre as melhorias executadas está a repaginação da fachada da instituição, além de toda a parte estrutural de captação e escoamento da água pluvial, a fim de resolver um problema grave de inundação que a escola vinha sofrendo.

De acordo com o diretor do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, Adiel Barbosa, que coordenou a obra juntamente com o agente Sandro Roberto dos Santos, a reestruturação contemplou também a reestruturação completa da instituição, desde a parte hidráulica, elétrica, calçamento, revestimento, colocação de pias, forro de PVC, serviços de serralheria, pintura e paisagismo.

Em liberdade condicional há dois anos, Roberto Faiçal foi responsável pela reforma da parte elétrica da escola no Nova Lima, a quarta em que ele trabalha através do projeto. Para Faiçal, a satisfação maior está no sorriso de gratidão dos alunos e dos professores que poderão praticar a educação com um ambiente mais adequado.

“Realiza o sonho deles, mas realiza o nosso também de vermos o fruto do nosso trabalho, graças a esse projeto voltei a acreditar nos meus sonhos e hoje tenho a minha empresa, que presto serviços em diversos lugares, que eu posso sustentar a minha família. E toda vez que passo em frente a uma escola que reformei, mostro aos meus filhos, que ficam muito orgulhosos de mim e isso é muito bom”, destacou o eletricista.

Presente na solenidade de inauguração, nesta sexta-feira (14.2), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ministro Dias Toffoli, classificou o projeto como extraordinário, uma vez que une a educação com o sistema penitenciário. “Colocar o interno dentro da escola é muito simbólico, para que ocorra exatamente essa ressocialização tão importante”, reforçou.

Segundo o idealizador do projeto, o juiz Albino Coimbra Neto, com esta entrega representa mais de 10% das escolas públicas estaduais de Campo Grande já reformadas pela iniciativa. Além disso, os próprios presos já contribuíram em mais de R$ 2,2 milhões, com o desconto de 10% dos salários pagos a todos internos, e em torno de 20 mil metros quadrados já foram reformados nessas escolas.

“Chegamos à 11ª escola, o que demonstra a qualidade de trabalho desses reeducandos, o trabalho sério e profissional desenvolvido por eles, e tudo é fiscalizado por servidores penitenciários”, informou destacando o trabalho integrado dos órgãos parceiros.

Em discurso, a senadora Simone Tebet parabenizou a iniciativa, que busca encontrar naqueles que um dia erraram, a realização de sonhos de professores e alunos. “Hoje estão prontos para uma nova vida e hoje já estão fazendo a diferença para Mato Grosso do Sul”, agradeceu.

Já o presidente do Tribunal de Justiça de MS, desembargador Paschoal Carmello Leandro, frisou a melhoria do aprendizado que já pôde ser constatada nas outras dez unidades escolares anteriormente reformadas. “Isso prova que aqui em Mato Grosso do Sul estamos em transformação, como afirmou o ministro Dias Toffoli”, afirmou.

Mais ações

O governador Reinaldo Azambuja salientou que o “Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade” gera economia para o Estado ao mesmo tempo em que trabalha ressocialização dos presos e melhora a estrutura das escolas, contribuindo para a educação.

“Esse trabalho é inédito e prova que é possível gerar economia para o Estado, levando trabalho a esses homens que estão em recuperação”, declarou. “O mais importante é a consciência de vocês reeducandos, que vem para o trabalho de melhorar a unidade escolar e devolve para a sociedade algo bom e tenho certeza que é um princípio que vai nortear a vida de cada um de vocês”, completou, agradecendo os reeducandos participantes do projeto.

O governador reforçou, ainda, que a utilização do trabalho prisional não se limita a reforma de escolas, envolvendo ainda obras em delegacias e nos próprios presídios. “Buscaremos também que essa iniciativa atenda o governo como um todo”, garantiu.

Para o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, iniciativas como essa beneficiam a sociedade e contribuem na recuperação de quem está cumprindo pena. “A Agepen trabalha para a sociedade e para reintegração dos custodiados. Projetos como este atendem às duas propostas, unindo melhor qualidade estrutural para o ensino das crianças e oportunidade de profissionalização e ocupação produtiva para quem está cumprindo pena”, declarou.

 

PMCG
Maestro João Carlos