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Manutenção do emprego ou reajuste salarial: Impasse marca negociação entre supermercadistas e trabalhadores

O impasse nas negociações salariais entre trabalhadores e empresários do setor supermercadista na Capital poderá vir a ser solucionado pela Justiça do Trabalho

21 Abril 2017 - 07h30Da Redação
Com a crise na economia, o faturamento caiu de maneira significativa
Com a crise na economia, o faturamento caiu de maneira significativa - William Silva

O impasse nas negociações salariais entre trabalhadores e empresários do setor supermercadista na Capital poderá vir a ser solucionado pela Justiça do Trabalho. Pelo menos essa é a pré-disposição demonstrada por dirigentes do Sindicato dos Empregados no Comércio (SECCG), anunciada por meio de nota à imprensa na última quarta-feira. Por sua vez, entidades que representam os empregadores defendem a união dos dois lados no atual momento de crise econômica para que postos de trabalho não sejam extintos.

Nos últimos 20 anos as negociações salariais resultaram em ganhos para a classe laboral supermercadista que com certeza fazem inveja às demais categorias similares no âmbito do comércio local. Enquanto que a inflação no período medida com base no INPC somou 250,63%, os reajustes salariais somaram 421,05%, o que resultou em ganho real salarial de 171%. Isso sem levar em consideração outras conquistas estabelecidas por meio das convenções coletivas formalizadas.

Para este ano, o sindicato dos trabalhadores reivindica reajuste de 4,45%, que é o acumulado da inflação calculado pelo INPC com base nos últimos 12 meses. Por sua vez, os empresários apresentaram como contraproposta índice de 2,35% de reposição salarial, bem como a manutenção das demais cláusulas do acordo coletivo firmado no ano passado. Mais do que a correção dos salários, o que está em jogo na atual conjuntura é a manutenção dos postos de trabalho.

“Com a crise na economia, o faturamento caiu de maneira significativa, o que vem afetando a rentabilidade do negócio”, destacou Edmilson Veratti, diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Campo Grande (Sindsuper) e também presidente da Associação Sul-Matogrossense de Supermercados (AMAS), ao defender que tanto empresários quanto trabalhadores devem se unir para juntos superarem esse período de turbulência econômica.

“O momento não é para o embate e os trabalhadores devem observar que nos últimos 20 anos os reajustes salariais sempre foram concedidos bem acima dos índices inflacionários. Infelizmente, não temo como manter essa condição e estamos preocupados não apenas com a dificuldade para a concessão do reajuste, mas sobretudo com a possibilidade real de postos de trabalho serem extintos em função da crise”, acrescentou o empresário.


Crise econômica já fechou seis lojas e ampliou o desemprego

A crise econômica que vem prejudicando o setor produtivo nos últimos meses já ceifou milhares de postos de trabalho em todo o País. Na Capital a situação não é diferente. Na área central da cidade, de acordo com dados da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), 200 lojas estão fechadas no quadrilátero que compreende as ruas Rui Barbosa, Calógeras, e as avenidas Fernando Corrêa da Costa e Mato Grosso. Isso sem contar as salas existentes em prédios comerciais, o que pode ampliar esse número.

Segundo a Jucems (Junta Comercial de Mato Grosso do Sul ), o número de empresas fechadas em MS em 2016, cresceu 21% em relação ao ano anterior, quando 2.191 empresários tiveram que encerrar suas atividades. Em 2016 o número passou para 2.670, sendo 245 empresas falidas somente em dezembro.

No caso dos supermercados, em Campo Grande a crise pode ser medida por meio das unidades fechadas nos últimos dois anos. Tiveram as atividades encerradas, com a conseqüente dispensa de centenas de trabalhadores, a unidade do Makro Atacadista na saída para Cuiabá, uma das filiais do Walmart no Shopping Center Bosque dos Ipês, duas unidades da Rede Comper e duas da Rede Maxxi atacado.

De acordo com Edmilson Veratti, em função de o ramo supermercadista se constituir em uma cadeia que envolve dezenas de segmentos, como indústrias, transportadoras, pequenos e grandes produtores rurais, dentre outros, o prejuízo provocado pelo fechamento de qualquer loja é significativo. “Não só os nossos colaboradores, mas muitos outros trabalhadores dependem do funcionamento dessas unidades para manterem seus empregos, a sua sobrevivência e a dos seus familiares”, disse Veratti.

Para ele, conceder aumento salarial acima da inflação seria o ideal. “O crescimento real dos salários é excelente para o setor supermercadista, pois o dinheiro dos trabalhadores volta para o comércio por meio da aquisição dos produtos que comercializamos. Infelizmente, neste ano não será possível conceder aumento acima dos índices inflacionários”, finalizou.

Sindicato dos empregados anuncia fim das negociações

Em nota distribuída à imprensa na última quarta-feira (19), a diretoria do Sindicato dos Empregados no Comércio (SECCG) manifestou indignação com o que classificou como “ganância dos empresários que não querem abrir mão de seus elevados lucros para dividir uma pequena parte com os empregados”.

O impasse na negociação, segundo Idelmar da Mota Lima, presidente da entidade, foi a proposta considerada “absurda” feita pela classe patronal, em desrespeito não só aos empregados em supermercados como também com suas famílias.

Os empresários, segundo Idelmar oferecem de “reajuste salarial” apenas metade do que os salários dos trabalhadores perderam para a inflação nesses últimos 12 meses. Ou seja, pouco mais de 2% de reajuste se considerar o INPC do período, que foi de 4,45%.

Nelson Benitez, vice-presidente do sindicato, que também participou das negociações, disse que as propostas são “indecentes” e “inconcebíveis”. Segundo ele, “uma afronta aos trabalhadores que dão significativa parcela de trabalho para o sucesso dos negócios das empresas”.

Para o advogado André Pagnoncelli, que representa o setor patronal, as negociações ainda não estão encerradas. “Isso só vai acontecer quando uma das partes provocar o Tribunal Regional do Trabalho, por meio do dissídio coletivo, o que ainda não aconteceu”, destacou. Até o fechamento desta edição, nenhuma ação havia sido ajuizada.Diante dessas propostas, prossegue a nota, “o sindicato resolveu suspender as negociações”, anunciando que deverá reunir a categoria em assembleia geral para decidir os rumos que empreenderá daqui pra frente.

Além disso, pontuou o advogado, “mesmo com o dissídio a primeira audiência se constitui em tentativa de conciliação. Dessa forma, não podemos afirmar que as negociações estão encerradas. Estamos trabalhando firmes no sentido de se obter um resultado consensual”.

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