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Leishmaniose tem tratamento que evita eutanásia de cães

Medicamento desenvolvido pelo laboratório francês Virbac também impede que o animal seja transmissor da doença

14 março 2018 - 09h45Da Redação
Até a aprovação do medicamento, a recomendação para cães diagnosticados com leishmaniose era a eutanásia.
Até a aprovação do medicamento, a recomendação para cães diagnosticados com leishmaniose era a eutanásia. - Divulgação

Diante do surto de leishmaniose constatado em diversas regiões do país, principalmente no Sul e Sudeste, o laboratório francês Virbac, especialista em saúde animal, alerta a população para a possibilidade real de tratamento da doença, sem que o cão precise ser sacrificado – termo popular para eutanásia.

Ainda pouco difundido no Brasil, o tratamento é feito com a administração do único medicamento capaz de conter o avanço da doença. O produto, desenvolvido pela Virbac, teve a comercialização aprovada pelos ministérios da Saúde e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em 2016.

A falta de informação leva a resultados catastróficos. "Muitos animais são levados à eutanásia sem que o tutor do cão sequer seja informado da possibilidade de tratamento", avalia Ricardo Cabral, veterinário da Virbac. A questão se torna ainda mais dramática na medida em que, sem o devido tratamento, o animal infectado pode transmitir leishmaniose a humanos, uma doença que pode levar à morte em até 90% dos casos.

Outro grave problema do país é a ausência de dados oficiais sobre a leishmaniose na maioria dos municípios. Os animais são levados à eutanásia, sem que o poder público seja informado. "Assim, um bairro, uma cidade, ou toda uma região pode estar sendo gravemente impactada pelo avanço da doença, sem que a população saiba dos riscos a que está exposta", afirma o veterinário da Virbac.

O medicamento só pode ser adquirido mediante a prescrição de um veterinário e deve administrado em uma dose diária única de 2 mg/kg durante 28 dias consecutivos. Os animais devem ser reavaliados a cada quatro meses, pois, embora não sejam infectantes, permanecem parasitados pelo resto da vida. Essa reavaliação indicará se há necessidade de um novo ciclo de tratamento.

A miltefosina, princípio ativo do remédio, age na membrana do parasita, provocando sua morte e evitando sua reprodução. "A transmissão ocorre quando as fêmeas do mosquito palha picam cães ou outros animais infectados e depois picam o homem", explica Cabral.

Até a aprovação do medicamento, a recomendação para cães diagnosticados com leishmaniose era a eutanásia. Agora, com o uso do medicamento, o animal poderá obter a cura clínica e epidemiológica, reduzindo significativamente a quantidade de parasitas em seu organismo e, com isso, deixar de ser transmissor da doença.

É importante lembrar que o tratamento dos cães é apenas uma medida necessária para a prevenção da leishmaniose dentro de um conjunto de outras ações. O combate à proliferação do mosquito é fundamental para reduzirmos o número de casos da doença. Isso pode ser feito com a aplicação de medidas simples, que vão desde o uso de repelentes até a limpeza dos quintais e da casa, como retirada das frutas em decomposição, do material orgânico e das folhas que caem das árvores.

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