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SANEAMENTO BÁSICO

Governo investe menos em esgotos sanitários, diz pesquisador

Maioria das casas que não são beneficiadas com coleta de esgoto possuem fossas sépticas ou os moradores lançam os dejetos em valas a céu aberto

15 janeiro 2016 - 08h52Da redação, com informações da Agência Brasil
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A água que entra pelos canos das casas nos municípios do Semiárido brasileiro e chega para cozinhar, lavar as mãos e beber vem recebendo mais atenção do que aquela que sai em forma de esgoto. A afirmação é do pesquisador e diretor do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Salomão de Sousa Medeiros, e tem por base um dado financeiro: dos R$ 262,7 milhões destinados aos serviços de água e esgoto, apenas R$ 93,6 milhões (35%) foram investidos no sistema de esgotamento sanitário, incluindo coleta e tratamento, em 2011.

“A maioria das casas que não são beneficiadas com a coleta de esgoto possuem fossas sépticas ou os moradores lançam os dejetos em valas a céu aberto. Essa situação não tem visibilidade, a não ser para a população daquela cidade. Isso traz impactos negativos para o meio ambiente, para a economia e para a saúde. No Semiárido, há um alto índice de internações por conta da falta de saneamento básico devido a doenças ligadas à água”, afirma o pesquisador.

Uma publicação lançada pelo instituto mostra que pelo menos 70% das 14 milhões de pessoas que vivem nas áreas urbanas dos 1.135 municípios localizados no Semiárido não são beneficiadas com esgotamento sanitário. Desse total, apenas 243 cidades (21%) possuem sistema de coleta de esgoto. No entanto, nem todos têm acesso a esse serviço. Das 7,3 milhões de pessoas que vivem nas áreas urbanas dessas cidades, somente 44% são beneficiadas.

“Os prestadores de serviços preferem investir mais no abastecimento de água do que no sistema de esgoto. Há municípios onde todos os bairros são abastecidos, mas a coleta de esgoto não existe. Esse problema reside estritamente na falta de investimentos. Precisamos avançar nisso e a população tem o papel de cobrar essa melhoria”, disse Medeiros. Segundo ele, a responsabilidade sobre a implantação e manutenção da coleta de esgoto está, em maioria, nas mãos das companhias estaduais, mas há também instituições privadas e serviços ligados às prefeituras.

Para o pesquisador, muitos desses órgãos municipais não são capacitados para angariar investimentos. “O governo federal, por meio do Ministério das Cidades e da Funasa [Fundação Nacional de Saúde], possui linhas específicas para executar obras de saneamento básico, mas a questão é que muitos municípios não têm estrutura física e técnica para elaborar esses projetos. Os prestadores de serviços, tanto privados como públicos, precisam dar maior atenção a isso. Os investimentos estão muito aquém do necessário.”

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