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MILÍCIA

Disputa entre tráfico e milícia explica ataques a bares na Baixada Fluminense

13 Outubro 2017 - 14h47

Investigações preliminares da Polícia Civil indicam que uma disputa entre traficantes e milicianos levou aos ataques em bares ocorridos na Baixada Fluminense. Ontem (12), no município de Duque de Caxias (RJ), quatro homens armados com fuzis desceram de um veículo branco no início da tarde, efetuaram disparos e fugiram. Três pessoas morreram e mais três atingidos estão hospitalizados.

De acordo com a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, o bar se localiza próximo ao limite entre Duque de Caxias e Belfort Roxo, em uma área onde atuam milícias e duas facções do tráfico. "O local é frequentado por milicianos e o ataque foi realizado por traficantes da comunidade Santa Tereza, que fica próxima dali", afirmou o delegado assistente Luís Otávio Franco hoje (13).

O delegado disse que os criminosos não miraram os disparos em ninguém especificamente. Os seis atingidos tiveram suas fichas levantadas e não foram encontrados antecedentes criminais. Mesmo assim, ainda não está descartado o envolvimento deles com as milícias. Câmeras de segurança de imóveis próximos ao bar foram recolhidos e as imagens serão analisadas em busca de outras pistas.

Segundo Franco, as milícias existentes na região têm características que as diferenciam de grupos que atuam em outros locais do estado. "Elas funcionam por pequenas regiões. Não dá para dizer nem que é por bairro. Às vezes, em um mesmo bairro, há duas ou três milícias. Nós chamamos de milicinhas. Ali eles atuam cobrando taxas sobre o pretexto de que estão fazendo segurança, mas, na verdade, a finalidade é sempre lucrativa. Exploram venda de gás e água, distribuição ilegal de TV a cabo, e sempre com violência", explica.

O ataque ocorrido em Duque de Caxias foi similar a outro que ocorreu no último domingo (8) em um bar no município de Queimados (RJ), também na Baixada Fluminense. No episódio, duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas.

A relação entre os dois casos, porém, foi descartada por Franco. "Apesar da dinâmica ser parecida, são grupos diferentes", afirmou.

De acordo com o delegado, os traficantes da comunidade de São Simão confundiram uma pessoa que estava no bar com um miliciano. Por volta das 15h30, eles organizaram o ataque. "Houve um áudio circulando no WhatsApp de criminosos informando que um miliciano estava no bar. Mas não era verdade. Neste episódio, só foram atingidas pessoas inocentes".

Franco disse ainda que uma operação realizada há cerca três meses pela Polícia Civil apontou para a participação de agentes públicos em milícias que atuam em Queimados. Porém, como ainda não há indiciamento, a Polícia Civil não divulga nomes.

PM Morto

O delegado falou ainda sobre o crime ocorrido ontem (12) em São João de Meriti (RJ). O dono de um parque de diversões e um policial militar foram mortos e mais três pessoas foram feridas por tiros. O caso é tratado como latrocínio, isto é, roubo seguido de morte.

O parque funciona no estacionamento do Shopping Grande Rio e havia acabado de fechar. "Como era Dia das Crianças, a movimentação deve ter sido grande, e o dono do estabelecimento devia estar transportando um montante alto. O policial militar era um amigo e estava lhe acompanhando. A poucos metros do shopping seu carro foi abordado por outro veículo. Segundo uma testemunha, dois bandidos já chegaram pedindo o dinheiro e em seguida atiraram. Não houve reação do policial", disse Franco.

O veículo dos criminosos foi localizado e apreendido com R$ 2,9 mil. Ainda não se sabe se este foi todo o valor roubado. Segundo o delegado, foi a 108ª morte de policial militar este ano no estado do Rio de Janeiro.


*Colaborou Joana Moscatelli, repórter da Rádio Nacional do Rio de Janeiro

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