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Cientistas dos EUA inovam ao editar genes

12 julho 2018 - 06h51

Cientistas americanos conseguiram reprogramar geneticamente células-T - que fazem parte do sistema imunológico humano - sem utilização de vírus para inserir genes. De acordo com os autores do estudo, publicado nesta quarta-feira, 11, na revista Nature, o avanço torna mais rápida a edição de genes, o que poderá ter aplicações em pesquisa, na Medicina e na indústria.

A técnica conhecida Crispr-Cas9 (ou simplesmente "Crisper") permite a edição do DNA, com o objetivo de eliminar mutações indesejáveis em pesquisas e em terapias genéticas. Um dos métodos empregados para isso consiste em usar vírus como vetores para transportar os genes para as células.

O método descrito no novo estudo permite editar as sequências do genoma nas células-T humanas sem utilizar os vírus. Os autores descrevem o método como "uma abordagem rápida, versátil e econômica com uso da tecnologia Crisper de edição de genes" e afirmam que ela poderá ser utilizada, no futuro, para terapias celulares, acelerando o desenvolvimento de novos tratamentos para câncer e doenças autoimunes.

O novo método tem por base um processo pelo qual um campo elétrico é aplicado às células-T, para tornar suas membranas temporariamente mais permeáveis. Com uma exposição ao campo elétrico apropriado, as células-T integram as sequências genéticas escolhidas precisamente no local programado pela Crisper para cortar o genoma.

"É um método rápido e flexível que pode se usado para alterar, aprimorar e reprogramar células-T, de forma que podemos dar a elas a especificidade que queremos para destruir um câncer, reconhecer uma infecção, ou moderar a resposta imunológica excessiva que resulta em doenças autoimunes", disse o autor principal do estudo, Alex Marson, da Universidade da Califórnia em São Franciso (Estados Unidos).

Segundo Marson, além da velocidade e da facilidade de uso do método, ele possibilita a inserção de trechos grandes do DNA nas células-T, o que pode ser usado para dar a a elas novas propriedades.

Para demonstrar a versatilidade do novo método, os cientistas o usaram para consertar uma mutação causadora de doenças encontrada em células-T de crianças com uma rara doença autoimune. Eles também criaram células-T "personalizadas" para buscar e matar células de melanoma - um tipo de câncer de pele. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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