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MARIELLE FRANCO

Chefe de Polícia do Rio promete empenho às famílias de Marielle e Anderson

16 abril 2018 - 17h42

O chefe de Polícia Civil do Rio, delegado Rivaldo Barbosa, recebeu as famílias de Marielle Franco e Anderson Gomes, na tarde desta segunda-feira (16), e prometeu empenho máximo na resolução do caso. Após a reunião, que durou cerca de uma hora e meia, Rivaldo falou à imprensa, mas não deu detalhes sobre as investigações, que correm sob sigilo. O pai, a mãe, a filha e a viúva de Marielle, além da viúva de Anderson, participaram do encontro.

“Nós estamos nos empenhando ao máximo na elucidação deste fato criminoso. Estamos lidando com um crime bastante complexo, que exige uma apuração mais detalhada e isso demanda um tempo. Traz um desafio maior, mas estamos enfrentando esse desafio dia a dia, e a gente tem uma expectativa muito boa que possa resolver isso o mais rápido possível”, disse Rivaldo.

O delegado evitou comentar a informação, divulgada mais cedo, pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, de que os indícios apontam para crime com envolvimento da milícia. “A Polícia Civil do Rio de Janeiro só vai comentar a autoria e a motivação no final da investigação. É bom que se diga que a polícia já entendeu a grande parte do cenário do crime. Faltam alguns procedimentos que serão feitos posteriormente. Mas o que eu peço que a sociedade entenda é que nós estamos utilizando todos os meios e nós não vamos descansar enquanto não resolvermos esse caso”, afirmou.

A viúva de Marielle, arquiteta Mônica Benício, considerou positivo o resultado do encontro. “A gente teve uma excelente reunião aqui hoje. Acho que, de alguma forma, nos tranquiliza. Entendemos que todos estamos aflitos por uma resposta. Mas não há ninguém mais aflito, querendo uma resposta para o que aconteceu com a Marielle e o Anderson, que a família. Estamos todos cientes de que não é um caso fácil, mas estamos diante de uma equipe altamente qualificada cuidando das investigações”, disse Mônica.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) acompanhou o grupo e ressaltou que o objetivo é não deixar que o caso caia no esquecimento: “É claro que a gente vai continuar cobrando, mas há entendimento de que este tempo é necessário para que a investigação aconteça. Nós estamos aqui para cobrar resultado. Para deixar claro que este caso não será esquecido, que não será apagado por uma outra tragédia. Há, tudo indica, uma motivação política para esse homicídio”.

Retorno de PMs

Freixo comentou ainda a decisão, publicada nesta segunda-feira, no Diário Oficial do Estado, de retorno obrigatório de dezenas de policiais militares que trabalham na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), fazendo a escolta de deputados. A medida, se levada a cabo, vai reduzir a escolta que Freixo tem direito desde que presidiu a CPI das Milícia, há dez anos. Ele disse que ia falar com o secretário de Segurança do Rio, general, Richard Nunes, sobre o assunto.

“Eu tenho certeza que vai prevalecer o bom senso. Porque não é possível que, neste momento, nesta situação, se retire qualquer policial da minha escolta. Adoraria poder viver sem escolta, é o que eu mais desejava para a minha vida pessoal. E só tenho escolta por causa da minha vida pública, porque investiguei as milícias há dez anos. Depois da CPI das Milícias, depois da morte da Marielle, é evidente que eu não posso perder dois policiais que fazem a minha escolta”, disse Freixo.

O interventor da segurança no Rio, general Braga Neto, decidiu pelo regresso de 87 dos 140 PMs cedidos à Alerj. Mas a decisão ainda não está fechada e depende de negociações entre os poderes.

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