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ESPORTE

Risco de corte de patrocínio estatal deixa esporte brasileiro temeroso

Os cerca de R$ 217 milhões investidos em 2018 devem ser reduzidos este ano, com cortes principalmente no futebol

12 janeiro 2019 - 06h40
Em nota, a Caixa informou que os investimentos no esporte para este ano estão sob análise
Em nota, a Caixa informou que os investimentos no esporte para este ano estão sob análise - Foto: Divulgação/Ilustração

O esporte nacional vive uma grande apreensão com a possibilidade de corte em patrocínios estatais nos próximos anos. Muitas confederações passam por dificuldades financeiras e a situação tende a piorar sem o dinheiro da Caixa, BNDES, Correios e Infraero. Apenas Petrobrás e Banco do Brasil avisaram que pretendem manter o mesmo nível de investimento de 2018 para este ano.

As medidas do governo de Jair Bolsonaro ainda são uma incógnita e a própria Caixa solicitou a seus parceiros que façam um relatório sobre a importância do patrocínio para eles e o retorno institucional que dá. Os cerca de R$ 217 milhões investidos em 2018 devem ser reduzidos este ano, com cortes principalmente no futebol.

Nos próximos dias haverá uma reunião com o comando da Caixa para mostrar o alcance desses patrocínios. Para algumas modalidades, como atletismo, ginástica e basquete, além do esporte paralímpico, é inegável o quanto esse dinheiro estatal ajudou na formação de atletas e conquista de bons resultados internacionais.

"A Caixa é um parceiro histórico do CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro) e tem sido fundamental para o desenvolvimento do esporte paralímpico ao longo desses 16 anos. O planejamento que executamos atualmente é de quatro anos e vai até os Jogos de Tóquio. Sem o patrocínio, este planejamento fica inviabilizado, o que prejudicaria todo o segmento de esporte para pessoa com deficiência do país", explica Mizael Conrado, presidente do CPB.

O contrato da Caixa com a entidade paralímpica, de 2017 até 2020, implica o investimento de R$ 95 milhões. "A Caixa sempre foi uma grande parceira e honrou integralmente os compromissos, o que nos permitiu levar o Brasil a outro patamar no cenário internacional, ao sair da 24.ª colocação em Sydney-2000 para o 8.º lugar no Rio-2016. Temos plena confiança de que seguiremos juntos por muito tempo, numa relação cuja sinergia gerou uma das maiores parcerias do esporte paralímpico mundial."

Em nota, a Caixa informou que os investimentos no esporte para este ano estão sob análise. O BNDES, que em 2018 desembolsou R$ 2.382.441,00 para projetos de canoagem, explicou que os valores para 2019 ainda serão alinhados com a nova administração.

A Confederação Brasileira de Canoagem, que gerencia os valores que são utilizados para os atletas de alto rendimento da modalidade, espera que a situação não piore. "A apreensão é real, porém, estamos trabalhando e adequando nossos projetos à realidade existente", comenta João Tomasini Schwertner, presidente da entidade.

"O BNDES é o nosso principal patrocinador, vamos reforçar os laços que já temos e buscar manter a parceria que foi fundamental para o desenvolvimento da canoagem brasileira. Precisamos de parceiros e hoje o BNDES é o nosso foco. Mas, para mantermos nossas ações, precisamos de patrocinadores. Sempre temos de buscar parcerias", continua.

No ano passado, os Correios patrocinaram seis confederações, mas apenas duas estão com contratos vigentes. Com isso, as entidades que cuidam dos esportes aquáticos, tênis, rúgbi e handebol podem perder receita, pois os Correios estão analisando ainda as possibilidades.

"Nós já fomos atingidos pela não renovação do contrato de patrocínio com o Banco do Brasil em 2018. Com relação aos Correios teremos o prazo do contrato encerrado em janeiro e teremos de discutir a renovação", diz Ricardo Souza, presidente da Confederação Brasileira de Handebol (CBHb).

PREJUÍZO ESPORTIVO - Em 2013, o Brasil foi campeão mundial de handebol no feminino e no momento a seleção masculina está disputando o Mundial. Mas a falta de recursos atrapalhou a preparação. "Toda perda de recurso impacta negativamente, pois os investimentos deixam de ser realizados, impossibilitando a implementação de ações já planejadas, e em especial o trabalho de base pode ser prejudicado", avisa Souza.

Com a Confederação Brasileira de Rugby, o contrato com os Correios vence em 15 de fevereiro. A intenção é renovar, mas, caso perca o patrocínio, a entidade vai se adequar. "Deveremos ajustar nosso orçamento para continuar apoiando nossas prioridades estratégicas da forma mais efetiva", afirma Agustin Danza, CEO da CBRu.

A Infraero explicou que não há previsão de novos patrocínios. Atualmente, apoia a Liga Nacional de Basquete (LNB) e o recurso para esta temporada é de R$ 600 mil. "A LNB não tem qualquer sinalização de interrupção de seus projetos com a Infraero. A parceria é motivo de muito orgulho e nos permite contribuir com a divulgação dos bons resultados da gestão transformadora da empresa nos últimos anos", diz a liga.

Entre as estatais, a Petrobrás indicou que vai investir cerca de R$ 80 milhões em 2019, quase o mesmo patamar do ano passado, e o Banco do Brasil pretende manter o valor de 2018, que foi de R$ 55,7 milhões. "A expectativa do BB é a de manter o patamar dos investimentos, cuja plataforma é pautada por critérios técnicos de valorização da imagem da instituição, reforço de sua estratégia negocial e aproximação dos clientes", avisa o banco.

Camara.ms
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