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BRUXA DE SAPOLÂNDIA

Cuidadora mata crianças e desaparece após ser presa: o mito da Sapolândia

A história de Célia de Souza, a mulher que cuidava de crianças e se tornou a "Bruxa da Sapolândia"

17 setembro 2019 - 10h00Carlos Ferreira e Denis Matos
Célia de Souza foi presa e confirmou que havia crianças enterradas no quintal
Célia de Souza foi presa e confirmou que havia crianças enterradas no quintal - Fotos: Reprodução

Nos anos 1950, Campo Grande atraia a população do interior do Estado (e de outras regiões) por conta do desenvolvimento da cidade. A farta mão de obra tirou pais e mães de casa e deixou crianças sozinhas. Cenário perfeito para um conto de terror da vida real. Foi assim que teve início a mitologia da "Bruxa da Sapolândia", história real ocorrida na Capital e que teve ares trágicos e misteriosos, ocorrida no final dos anos 1960.

A bruxa existiu, crianças desapareceram e ossadas foram encontradas. O mito se formou e muita investigação em torno da história passada no bairro Taquarussu (próximo ao local onde está instalado o shopping Norte Sul), onde a casa que se passa a história ainda está de pé.

Célia de Souza, a personagem principal, nasceu em Rio Negro por volta de 1920 e veio para Campo Grande nos anos 50 do século passado. Com experiência em benzas e "saravá", se tornou conhecida na Sapolândia, zona oeste da Cidade, com esse nome providencial por conta das lagoas e brejos, que juntavam muitos sapos.

A renda extra de Célia vinha da creche que mantinha em casa, cuidando de crianças cujos pais não tinham onde as deixar.

Célia desenterrando os corpos das crianças

"Ao chegar, ela percebeu que podia cuidar dos filhos dos trabalhadores da região. Os pais saiam para trabalhar em fazendas do interior e alguns ficavam até meses fora, deixando as crianças sob os cuidados de Célia", explica André Luiz Alvez, autor do livro "A Bruxa da Sapolandia", lançado em 2017 pela Chiado Editora.

Segundo o autor, os pais das crianças pararam de enviar dinheiro pela creche, gerando abandono na creche de Célia. Aí começa o terror.

 "A qualidade de vida das crianças caiu muito. Eles viviam em condições precárias e os pequenos passavam fome e maus tratos. Duas crianças morreram de desnutrição", diz.

A aparição de sapos com a boca costurada, caldeirões, pentragramas e linguagens estranhas começou a fazer parte do folclore de quem passava perto da casa. O que era lenda se materializou em 1969, após denúncias de moradores levarem à Polícia a investigar a casa, principalmente pelas crianças que estavam descuidadas.

O desaparecimento de algumas também foi notado.

"Não podemos confrontar com fotos e fatos de que as crianças morreram sob os cuidados dela. Ela não contava detalhes, mas confirmava o acontecido", diz André Luiz.

Acima o quintal  da casa de Célia e abaixo um dos caixotes onde as crianças eram enterradas

Célia foi presa e confirmou que havia crianças enterradas no quintal. Seu companheiro João Luiz da Silva também foi levado ao cárcere.

Com grande parte dos moradores indignados e imprensa acompanhando a prisão, Célia retirou os restos mortais das crianças que haviam sido enterradas em pequenos caixotes, entre elas Jesus Aparecido Larson e Dirce Silva. Em um dos laudos, há comprovação que uma delas morreu com forte pancada na cabeça.

Relatos davam conta que Célia fazia rituais de magia negra com o corpo das crianças

Durante sua estadia na cadeia, de 1969 a 1971, Célia teria se transformado em um ser que não falava, irreconhecível e abandonado. Bruxaria ou reflexo das péssimas condições dos presídios no Brasil? Em 1971 ela foi solta por ser absolvida e passou da vida para a história. Na sentença, o juiz Milton Malulei descreve não haver laudo comprovando que a morte das crianças foi culpa de Célia. Alias, a história remonta diversas casas Brasil afora de pessoas humildes e sem cuidados para os pequenos, falta de saúde pública, programas sociais e tudo mais que tão descreve o Brasil real.

Desaparecida, há relatos que foi para o Paraguai aprimorar suas técnicas de bruxaria. Outros relatos apontam suicídio, prostituição e que virou espírito errante que ainda ocupa a antiga casa.

Jornais da época cobriram o evento que parou a cidade

Para Alvez, é mais provável que ela tenha voltado para a casa e por lá ficou até morrer.

Manchete do jornal Correio do Estado do dia 13 de janeiro de 1969 traz a denúncia do caso

 "A hipótese mais provável é que ela tenha voltando se trancado na casa nesse tempo, saindo de noite para fazer as suas atividades. Mas o certo é que ninguém sabe verdadeiro fim da Bruxa da Sapolândia, que se tornou um mito do folclore regional", finaliza.

LIVRO

O livro escrito por André é uma obra de ficção com elementos da vida real e uma personagem intrigante. Intitulada "A Bruxa da Sapolândia", a obra oferece ao leitor pitadas de aventura, suspense e resgate de uma lenda urbana das mais famosas de Campo Grande.

Capa do livro

É exatamente o mistério em torno dessa personagem o que inspirou André. "Cresci nessa região ouvindo histórias da Célia e por muito tempo isso era usado para impor medo às crianças: olha, não faça isso que a bruxa vai te pegar. Portanto, meu livro é um romance, mas com um personagem e passagens reais, que extrai de sua pouco conhecida história e, principalmente, do processo judicial que culminou na condenação dela", explica o autor. Para adquirir o livro, entre em contato com André pelo Facebook, ou compre aqui.

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