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ECONOMIA

Venda de distribuidoras e SPEs deve reduzir alavancagem, diz Eletrobras

17 abril 2018 - 15h35

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr., disse nesta terça-feira, 17, que a venda das seis distribuidoras e da participação em 70 Sociedades de Propósito Específico (SPEs) vai permitir que a alavancagem da companhia seja reduzida para um nível abaixo de 3 vezes. Hoje, a alavancagem está em 3,7 vezes, o que impede a Eletrobras de buscar financiamentos em bancos. Quando assumiu a empresa, há cerca de um ano e meio, esse índice estava em 9 vezes, disse Ferreira Jr.

O executivo participa nesta terça de audiência pública na comissão especial que discute o projeto de lei de privatização da Eletrobras na Câmara dos Deputados. Em apresentação aos integrantes da comissão, ele disse que a capitalização da empresa é a melhor alternativa para a Eletrobras fazer investimentos e manter sua participação de mercado.

Para Ferreira Jr, após ser capitalizada, a Eletrobras voltará a dar lucro e a pagar dividendos e imposto de renda para a União, o que não faz há cinco anos. Hoje, segundo ele, o valor de mercado da companhia está em R$ 30 bilhões, e a participação acionária da companhia é de cerca de 60% da União e de 40% de minoritários.

Para pagar R$ 12 bilhões à União e obter novos contratos de concessão para suas usinas, fora do regime de cotas, sem a chamada de capital, o governo teria que pagar R$ 7 bilhões e os minoritários, R$ 5 bilhões, disse o executivo. Na avaliação de Ferreira Jr, o ideal seria que a União aplicasse esses recursos em saúde, segurança e educação.

"Com a capitalização, a União não terá que colocar um centavo", afirmou. Ele ressaltou que a União teve que aportar R$ 3 bilhões na companhia apenas em 2016. "A capitalização será feita por investidores, fundos de pensão e fundos de infraestrutura mundiais."

Apenas para manter sua participação de mercado no País, que hoje é de 31% em geração e de cerca de 50% na transmissão, a Eletrobras teria que investir R$ 14 bilhões por ano, considerando as projeções de crescimento da economia. No plano da empresa, no entanto, só há espaço para R$ 4 bilhões. "Isso significa que R$ 8 bilhões teriam que ser arcados pelo governo federal por ano nos próximos 10 anos", afirmou.

"Tivemos que reduzir o valor dos investimentos como parte da reestruturação. A companhia só consegue investir R$ 4 bilhões por ano, ou seja, não temos capacidade de investimento, a não ser que façamos capitalização."

Ferreira Jr disse ainda que a União manterá uma participação elevada na companhia, de 40%, após a capitalização. Segundo ele, governo e BNDES terão direito a três assentos no Conselho de Administração da empresa, pois a ação especial golden share vai conceder um assento a mais.

O executivo disse que a capitalização permitirá que a Eletrobras possa competir de igual para igual com concorrentes mundiais, como Engie, Enel e EDP. Hoje, segundo ele, a Eletrobras é a sexta maior empresa do mundo, mas a 50ª em valor de mercado. "Teremos capital pulverizado, boa governança e gastos eficientes, a exemplo de empresas que já passaram por isso, como Vale e Embraer."