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ECONOMIA

Política no Reino Unido guia mercados e Bolsas da Europa fecham em baixa

13 Novembro 2017 - 14h45

Os mercados acionários europeus fecharam em baixa nesta segunda-feira, 13, refletindo o impasse em torno da reforma tributária nos Estados Unidos e a crise política que afeta o Reino Unido em meio às negociações para a saída do país da União Europeia (Brexit).

O índice pan-europeu Stoxx-600 fechou em queda de 0,59% (-2,28 pontos), aos 386,41 pontos.

Em um dia de agenda esvaziada de indicadores na Europa, as preocupações políticas voltaram ao radar com força total. No Reino Unido, o impasse em torno das negociações sobre a saída do país da União Europeia, processo conhecido como Brexit, pode gerar um cenário político ainda mais conturbado. No fim de semana, o Sunday Times informou que 40 parlamentares do Partido Conservador assinaram uma moção de censura contra a líder da sigla e primeira-ministra britânica, Theresa May, na esteira de uma nova rodada de negociação do Brexit e da queda de dois ministros do gabinete. Apenas mais oito assinaturas seriam necessárias para gerar o afastamento de May do cargo.

O presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, também comentou sobre o Brexit, ao apontar que o Reino Unido deveria pagar ao menos 60 bilhões de euros para cumprir suas obrigações antes de sair da União Europeia. As notícias foram desfavoráveis à libra esterlina, que operou em forte queda ante outras divisas principais. Os investidores também se desfizeram de papéis da dívida britânica, com uma pressão vendedora constatado no Gilt de 10 anos, cujo rendimento saltou de 1,265% na sexta-feira para 1,329%. No mercado de ações, nem mesmo a libra mais fraca deu alívio para o índice FTSE-100, que fechou em baixa de 0,24%, aos 7.415,18 pontos.

"O Brexit arrisca a estabilidade do governo e, agora, está no topo da lista de influenciadores do câmbio no Reino Unido", disseram analistas do Macquarie Bank, em Cingapura, em nota a clientes nesta segunda-feira. Para o estrategista de câmbio do Société Générale, Kit Juckes, "uma mudança no governo britânico pode ser boa".

A política não foi dominante somente no Reino Unido. Na Itália, a chance de um governo populista comandado pelo Movimento Cinco Estrelas ganhou força, após a sigla aparecer na liderança de uma pesquisa do instituto Ipsos divulgada no fim de semana. De acordo com o levantamento, o partido tem 29,3% das intenções de voto nas eleições gerais do próximo ano, enquanto o Partido Democrata, atualmente no poder, tem 24,3%. O Forza Italia aparece em terceiro lugar, com 16,1%, seguido de perto do também populista Liga Norte, com 15,3%.

Com as chances de um partido eurocético vencer as eleições italianas no próximo ano, o índice FTSE-MIB não resistiu e caiu 0,55%, aos 22.437,64 pontos. Entre os bancos, o Intesa Sanpaolo perdeu 0,85% e a Unione di Banche Italiane cedeu 1,75%.

No cenário macroeconômico, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou estudo onde prevê que, pela primeira vez desde a crise financeira de 2008, todos os países europeus devem registrar expansão da atividade econômica. Pelos cálculos da instituição, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do continente neste ano será de 2,4%, desacelerando para 2,1% no ano seguinte.

Com o impasse em torno da reforma tributária nos EUA, os investidores acompanharam o passo a passo da luta entre deputados e senadores do Partido Republicano em torno da questão. Em Frankfurt, o índice DAX fechou em baixa de 0,40%, aos 13.074,42 pontos, com o Deutsche Bank (-0,58%) e o Commerzbank (-0,84%) entre as ações mais negociadas do dia.

Em solo parisiense, o índice CAC-40 encerrou o pregão em queda de 0,73%, também afetado por papéis de instituições financeiras: o Société Générale recuou 0,25% e o BNP Paribas perdeu 0,82%. Já em Lisboa, o índice PSI-20 caiu 0,62%, aos 5.258,14 pontos.

Por sua vez, o índice Ibex-35, da bolsa de Madri, fechou em baixa de 0,42%, aos 10.049,90 pontos. No fim de semana, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, pediu a catalães que expulsem os separatistas do Parlamento regional na eleição antecipada convocada para 21 de dezembro na região. Nesta segunda-feira, o governo demonstrou apreensão, em torno de uma possível campanha de desinformação na região da Catalunha, que pode ter relações com a Rússia e com a Venezuela, de acordo com a ministra de Defesa espanhola, Maria Dolores de Cospedal. (Com informações da Dow Jones Newswires)

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