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ECONOMIA

Juros recuam com otimismo sobre Previdência e revisões em baixa para PIB

15 abril 2019 - 17h20

O mercado de juros iniciou a semana com taxas em queda, otimista sobre um desfecho da tramitação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cuja votação da admissibilidade, prevista para quarta-feira, pode ser antecipada para esta terça-feira. Nesta tarde de segunda-feira, 15, os governistas tentavam manter a matéria como o primeiro item de discussão da pauta, à frente da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento Impositivo. Ao mesmo tempo, havia confiança numa solução pacífica para a questão do diesel, a partir da reunião entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro, depois que o presidente desautorizou o reajuste aplicado pela Petrobras sem consulta ao ministro, que estava em Washington. Esse contexto favoreceu a queda das taxas, estimulada ainda pelo aumento do pessimismo sobre a atividade após a queda do IBC-Br de fevereiro maior do que a mediana das estimativas, alimentando a discussão sobre um possível corte da Selic ainda este ano.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a sessão regular em 6,530%, de 6,546% na sexta no ajuste, e a o DI para janeiro de 2021 recuou de 7,142% no ajuste para 7,09%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou a 8,22%, de 8,272%, e a do DI para janeiro de 2025 recuou de 8,812% para 8,73%.

O recuo foi mais acentuado nos contratos de longo prazo, onde estão alojados os prêmios relacionados à percepção de risco político e fiscal, que hoje melhorou durante a espera do mercado pelos eventos em Brasília: a sessão da CCJ para discutir a PEC da Previdência e a reunião entre Bolsonaro e Guedes sobre o diesel. Durante a tarde, o mercado acompanhou o vaivém na CCJ sobre uma possível inversão da ordem do dia, mas o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a eventual inversão da pauta da CCJ não vai afetar a reforma. "Se a esquerda quiser prolongar a discussão, tenho a informação de que não vão deixar 100 parlamentares falarem. A CCJ não é a comissão do mérito", disse em evento sobre os primeiros 100 dias do governo.

Maia afirmou ainda que a reforma "é uma agenda prioritária do governo" e ter certeza de que "vamos chegar a uma economia próxima à que quer Paulo Guedes, ministro da Economia". "Acredito que aprovamos amanhã - terça - na CCJ a PEC da Previdência", acrescentou Maia.

"Temos um cenário ainda em aberto quanto a Brasília. Fica o compasso de espera por essa questão do prazo na CCJ e o governo pressionando para não ficarem enrolando. A aprovação da reforma é certa que vai acontecer, mas quanto mais ficarem demorando vai dar muita exposição para a oposição. Se não sair esta semana pode ter estresse", disse o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira.

Em outra frente, Bolsonaro e Paulo Guedes estavam reunidos nesta tarde para aparar as arestas em relação à suspensão do reajuste do diesel. "Dessa reunião pode sair notícia boa, que possa botar racionalidade na mesa. Vamos ver quem pode mais nessa aparente 'guerra' entre Onyx (ministro-chefe da Casa Civil) e Guedes", disse um gestor.

Além da política, a agenda do dia também fez preço sobre as taxas. O IBC-Br caiu 0,73% em fevereiro ante janeiro, enquanto a mediana apontava recuo de 0,25%, estimulando nova rodada de revisões em baixa para o PIB. Pesquisa preliminar do Projeções Broadcast após o IBC-Br mostra que as estimativas para o primeiro trimestre, na margem, vão queda de 0,7% a alta de 0,5%, com mediana positiva de 0,05%. Para 2019, o intervalo de 30 projeções vai de 1,0% a 2,4%, com mediana de 1,80%.